#008: Deus nos elegeu para si

Devemos acreditar: a eleição de Deus não é a escolha de alguns indivíduos especiais. A eleição de Deus não é Sua determinação de que alguns homens e mulheres (exterior e aparentemente mais perfeitos que os demais) fossem salvos. A eleição de Deus é feita sem acepção de pessoas. Deus elegeu a TODOS nós para Si, e isso não por meio de nossas obras (pois ninguém se salvaria assim), mas por meio de Jesus, o Cristo, a nossa salvação.


Nós precisamos sim, confirmar a nossa salvação e demonstrar que somos salvos. Não se trata de querer demonstrar que somos salvos. Mas o salvos sempre estão combatendo (não para serem salvos, mas porque são salvos). Não é uma luta contra alguém, mas os salvos sempre estão combatendo contra todos aqueles sentimentos contrários ao sentimento de Cristo: o amor sem distinção.

Os salvos, aqueles que compreenderam a sua eleição, fazem a caminhada como Jesus fez: focado naquele amor que seria revelado em Cristo.

Os salvos, que entenderam a sua própria eleição, não esmorecem nesse sentimento sublime que é o amor em Cristo. 

Os salvos, que vivem a eleição, serão vitoriosos e viverão com Deus, não só na eternidade dos céus, mas desde já, aqui na vida terrena, pois o Reino de Deus já é chegado a nós e podemos estar, ainda hoje, no “Paraíso”, sentindo o amor, a graça e a luz de Deus em nós.

Eu já estou no Paraíso, eu já desfruto da glória do reino de Deus, porque eu sinto em mim um amor por todos que não é de mim, mas de Deus, que me amou em Cristo e que me estimula a amar como Cristo. 

Deus nos elegeu para Si (Hino 368, Hinário 5 – Congregação Cristã no Brasil)
♫ Não duvidemos, Deus nos elegeu para Si, em Jesus;
♫ Confirmará a nossa salvação com poder, graça e luz.
♫ Salvo não será quem não combater,
♫ Quem, na caminhada, esmorecer;
♫ Os vitoriosos reinarão e com Deus viverão.

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#007: Os cristãos estão mortos

Quando falo que também sou cristão, não digo que vou à uma igreja que usa a Bíblia como referência. Isso não é ser cristão. Cristão não é estar associado à uma organização religiosa fundamentada na Bíblia. Tão pouco é acreditar que houve um homem chamado Jesus, que deu vários exemplos de bondade para seguirmos.
Os cristãos estão mortos.
Ser cristão é mais do que se espelhar nas boas obras do mestre Jesus. É carregar o mesmo sentimento de Cristo em si.
Ora, Deus em sua majestade divina, em seu trono de santidade, se rebaixou à altura da sua criação para resgatá-la da consequência das suas escolhas.
Deus, em um ato de demonstração de amor, apresentou-se a nós como um filho puro e inocente (tal como uma criança) à ser entregue em resgate de pessoas horríveis.
Ora, talvez por uma pessoa boa alguém ouse morrer para a salvar.
Duvido, porém, que por um marginal assassino, por um estuprador, por um político corrupto, ou por qualquer outro tipo de pessoa desprezível alguém ouse trocar a pena para os colocar em liberdade.
É esse o sentimento de Cristo, pagar a culpa de malfeitores para salvá-los. Não apenas livrá-los da pena das suas escolhas. Convertê-los pela demonstração de Seu amor.
Erra quem se diz cristão e se acha menos pecador que um assassino, ou que um estuprador.
Ser cristão é desejar que aquela que parece ser a pior pessoa do mundo seja feliz em Cristo.
Os cristãos estão mortos. Mortos sufocados pela hipocrisia, decapitados pela ignorância do mistério de Cristo (que é tornar a unir tudo e todos, nos céus e na terra). Estão sendo mortos crucificados em seu egocentrismo (amantes de si mesmos) que aniquila o único sacrifício, a única paixão, o único ato que une tudo e todos.
Os cristãos estão mortos. Mas Cristo vive. E suplico a Deus que Cristo viva em mim. Creio que ele não me negará o Espírito de Cristo, aquele distinto sentimento de amor sem distinção. Seja cristão!

O mistério de Cristo é 
tornar a reunir tudo e todos, 
nos céus e na terra.
 (Efésios 1:9-10)


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#006: O espírito da homossexualidade

O espírito da homossexualidade é assombroso. Tenebroso. Sombrio. Doentio. Um espírito. Não é sentimento, não é carinho, não é compreensão. Pura, e maligna, atração.
Não produz afeto mútuo, apenas leviandade, sensualidade. É o espírito da homossexualidade.
Eu não entendo. Ontem tive que ouvir uma dessa: “Fulana de tal? Ih! Ela tem o espírito do lesbianismo” (sic). Isso em uma reunião acerca de coisas espirituais, falando sobre a necessidade de visitar uma mocidade enfraquecida, que já não congrega mais. Um irmão ignorante (no sentido de sem conhecimento mesmo) foi quem soltou essa.
Nesses momentos é bom “estar no armário”, não ser assumido. Dá para defender sem acharem que você está tomando partido. Eu não tomo partido. Faço-me de desentendido para os que nada entendem. Defendo o oprimido. O não compreendido. Não fico sentido com a ofensa da ignorância, mas também não dá para deixar passar.
O irmão, na verdade, disse que deveriam visitar a Fulana sim, mas, que ela tinha o espírito da homossexualidade. Ranzinzei: “Se é espírito, então é só orar que expulsa fácil! Claro que não é espírito!”. Mas tive que ouvir, baixinho, do que estava ao meu lado: “Isso daí, é falta de cinta!”
Tudo verdade. É o espírito da homossexualidade.
Só não consigo entender, como posso ter tanta paz com Deus, amá-Lo tão intensamente, senti-Lo e percebê-lo o tempo todo, o dia inteiro (e isso sem exagero). Como posso senti-Lo em meu coração, falo com muita sinceridade, se eu também tenho esse tal espírito da homossexualidade, contrário a qualquer santidade?
Queria que fosse espírito, ou que fosse uma doença, ou safadeza mesmo. Assim teria a certeza de que alguém de mim o expulsaria, ou que a mim me curariam, ou me converteriam, temos dons espirituais com essas funções, bastaria utilizá-los!
Mas nunca vi dom que tire afeto, que mude afeição sincera.

Até Deus não quis expulsar de mim o tal espírito, e não quis me curar. Mas, de tanto para isso eu chorar, Ele me disse somente: “Isso é da minha vontade, e é para a minha glória”. E, outra vez, disse também: “Eu te amo, Eu te amo e Eu te amo, segue-me!”. E, então, Ele me converteu inteiramente.

Ainda tenho o tal “espírito” da homossexualidade, mas junto, em meu coração, uma certeza inteira, completa, da minha conversão e vocação. Eu também sou cristão.
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#005: Gay não vai pro céu?

Recentemente, no Facebook, vi o post a seguir. Não me contive e precisei respondê-lo, mas só porque eu tinha algum tempo ocioso, não costumo fazer isso aleatoriamente.
Segue transcrição da minha resposta:
À época de Jesus, há cerca de 2 mil anos, uma pergunta que fariam, semelhante a esta, seria: “provem que uma prostituta herdará o reino dos céus!”. E, Jesus não provaria nada, apenas diria a tal pecadora: “os teus acusadores não puderam te acusar e foram julgados por eles mesmos, eu poderia te condenar porque eu sou perfeito, mas mesmo você não sendo perfeita como eu sou perfeito, os teus pecados estão perdoados”.
Então, minimamente, um gay também pode ter os pecados perdoados, minimamente, um gay pode continuar com sua homoafetividade e ser perdoado. Minimamente, como alguns querem, qualquer gay que “não pecasse mais” também estaria sob o perdão de Deus e está/estará no reino dos céus.
Ora, pode-se dizer, mas sentir atração por uma pessoa do mesmo sexo, ainda que não se deixe cair nisto, é pecado. Sim, de fato. Assim como um homem só de desejar uma mulher (isto é, sentir atração por outra) é tão pecado quanto a prostituição/adultério. Assim como se irar, ou mesmo xingar alguém de louco são pecados tanto quanto matar alguém. E isto está na Bíblia, sendo condenados ao fogo do inferno (quem deseja outra mulher que não a sua, ou quem simplesmente se irar ou xingar alguém, leia em Mateus 5:21,22,27,28, aliás leia o sermão da montanha todo!)
Sobre o reino dos céus, e a salvação, Jesus também foi bastante enfático sobre ser impossível um gay entrar nele. Na verdade, Jesus mostrou que é impossível, para qualquer homem e mulher, entrar no céu. Sim, é impossível para qualquer homem a entrada no céu! É o que a bíblia ensina.
Por exemplo, para um jovem rico, que possuía todas as boas qualidades que se possa imaginar, Jesus disse: vai, vende tudo e me segue. Mesmo que esse jovem não tenha cumprido o chamado do Mestre, a Bíblia diz que Jesus o amou! Sobre essa passagem (leia-a em todos os evangelhos nos quais ela é narrada), diz também que os discípulos, ao ouvirem de Jesus que “é mais fácil um camelo passar pela agulha do que um rico entrar no reino dos céus” se maravilharam e disseram: “Senhor, mas se ao rico, que parece tão abençoado por Deus, é difícil entrar no reino dos céus, logo quem se salvará?”. Jesus responde: “A salvação parece impossível para os homens, porque vocês são imperfeitos e pecadores, mas para Deus nada é impossível.”. Para Deus nada é impossível, e essa frase tão repetida pelos crentes, na Bíblia, se refere à salvação. Seria como dizer: Para Deus nenhuma salvação é impossível, ou que “Deus pode salvar a todos.” (leia a parábola do mancebo de qualidade em Marcos 10:17-31 etc.)
Ler a Bíblia carregado de preconceitos (não apenas contra o gay, mas o preconceito de que só sua igreja salva, de que só alguns mais perfeitos serão salvos… entre outros tantos preconceitos que temos, todos temos!) apenas gera contenda e confusão e nunca gera amor! Ler a Bíblia revestido do sentimento de Deus gera o conhecimento do mistério de Cristo e, ainda, o conhecimento do amor pleno de Deus para com os homens, que nos amou sendo nós malfeitores. Deus usou do maior exemplo de amor que poderíamos imaginar: deu seu único filho, puro e inocente, para morrer em lugar de todos os malfeitores e pecadores, e todos somos pecadores e malfeitores, se não fosse essa graça de Deus (pela graça somos salvos e não pelas obras, para que ninguém se glorie).
Paulo nos ensina, em uma das suas cartas (1Timóteo 2), que devemos orar, incessante e intensamente, por todos os homens. E sabe o porquê? Porque Deus quer que todos os homens se salvem, e que todos conheçam Sua verdade. Esse apóstolo também afirmou que o desejo de Deus é que todos os homens se salvem (confira isto em 1Timóteo 2:3-4 etc.). Paulo também revela que os cristãos esperam em Deus que é o salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis (1Timóteo 4:10)
O mesmo Paulo, em outra carta, afirma mais uma vez que: a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens (Tito 2:11). E também ensina, nesta carta, que cristãos sinceros não devem infamar nem criar contendas, mas sempre serem modestos, mostrando mansidão para com todos os homens. E sabe qual a razão de ele ensinar isso? Paulo mesmo responde: devemos usar e abusar de mansidão para com todos os homens porque nós mesmos (os cristãos) também éramos perdidos e servíamos aos nossos desejos carnais (não só os sexuais, mas outros, listados por Paulo, como: malícia, inveja, odiosos, odiando uns aos outros). E Paulo ainda revela: nós éramos assim (cheios de ódio), mas quando nos apareceu o Cristo, revelado no nosso coração, por sua misericórdia (e não por nosso merecimento), aí então Deus nos salvou nos regenerando, dando-nos um novo sentimento: o amor cristão, um amor como o de Cristo, que não olhou nossas maldades, mas nos amou sendo cada um de nós malfeitores… e que nos salvou, ainda que, cada um de nós, nunca tenhamos sido dignos de salvação.
Ora, se Paulo afirma diversas vezes que Deus deseja salvar a todos os homens, será que Deus é fraco a ponto de não conseguir salvar a todos?
Ou, ainda, será que quando diz que Deus deseja salvar a todos os homens, devemos acrescentar: exceto os homossexuais.
Se nos odiamos uns aos outros, o amor de Cristo não está em nós e não conhecemos a Deus. Se amamos, no entanto, o amor de Cristo em nós revela seu grande mistério de salvação.
Estou certo de que não respondi sua pergunta. E assim espero, pois não desejo que, te mostrando que o amor de Deus é muito maior do que qualquer ser humano possa imaginar, você não sirva mais a Deus, como você se propôs. Ao contrário, espero que você sirva muito a Deus, que congregue cada vez mais. Procure anciães diferentes da sua região e converse com eles. Faça essa pergunta que publicou a vários servos de Deus, anciães na CCB. Não fale apenas com um ancião! Converse com diversos! O máximo que você conseguir. Cada ancião novo que você ver atender um culto, vá saudá-lo e faça essa afirmação (do post) a ele. Mas seja sincero, não converse apenas com um. Não converse apenas com aqueles que você sabe que pensam como você.
Deus habita na diversidade, a graça de Deus é multiforme e se apresenta a cada um segundo o entendimento de cada um. Lembre-se de que Deus criou tudo, absolutamente tudo, e viu que era bom. Ele criou tudo, viu que era tão bom o que Ele criou que, enfim, descansou de toda sua criação.
Não limite Deus a um povo específico, que consegue seguir algumas normas e costumes específicos (ordenanças e preceitos que aparentam ser bons, que aparentam ser de sabedoria, de devoção voluntária, de humildade, de disciplina do corpo, mas que não são de valor nenhum, senão para satisfação da carne – Aos Colossenses, 2:20-23). Deus é Deus desse povo, certamente, mas é Deus de salvação de todos os demais homens, ao menos é o que Paulo ensinou, se não em todas, na maioria de suas cartas.
Lembre-se disto: que em Deus não há acepção de pessoas (cf Romanos 2:11, Atos 10:34, Efésios 6:09). E isso significa que Deus não faz escolha ou tenha certas preferências, que Deus não quer salvar um certo tipo de pessoa, mas, como podemos ver, que Ele quer salvar a todos. Se Ele não faz acepção de pessoas, a escolha que Deus fez foi de salvar a todos, por meio de Jesus. Nunca diminua o poder redentor da obra maravilhosa de amor que Jesus, o Cristo, demonstrou por todos os homens, “até” para os gays.
[…] Reputo tudo isso [o padrão de costumes da CCB que eu sempre segui] como nada, pois o que me dá a certeza da minha salvação é o amor que sinto indistintamente por todos, assim como Cristo nos amou, indistintamente.
Eu também sou da CCB, eu também sou cristão.
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#004: Um anjo de Deus em minha vida.

Desde meus 17/18 anos moro fora da minha cidade natal. Mudei-me para estudar, e há 11 anos moro fora, embora sempre estou em minha cidade natal e minha comum congregação também seja ali. 
Eu havia acabado de me oficializar como violinista, mas logo no início de 2009, eu ia até a rodoviária da cidade onde estudava para embarcar no ônibus para ir à minha cidade natal, congregar, num sábado. Saindo da rodoviária, do ônibus vi um moço por quem me afeiçoei e, a partir daí, fui chorando e “reclamando” com o Senhor, pelo fato de eu ser diferente dos demais irmãos, por desejar “coisas” diferentes, por (embora ter um testemunho impecável aos olhos de todos) sentir aquilo que (aos olhos de muitos, senão todos) era a maior abominação imaginável.

Eu queria, durante todo aquele trajeto, desistir de ser músico e pensava comigo que seria bom se eu fosse à igreja apenas para congregar, sentar no último banco sem ser visto nem percebido por ninguém. Esse era meu desejo, me tornar invisível em lugar de um “moço exemplar” (como até hoje sou visto, já que ainda ninguém sabe sobre minha homoafetividade).

Desci do ônibus, ao chegar na rodoviária da cidade vizinha à minha (eu precisava fazer baldeação), com o propósito de parar de tocar e de me tornar o mais invisível possível.  Enquanto eu esperava para pegar a mala do bagageiro, em frações de segundos, alguém (um homem ou um irmão, não sei) passou por mim, tocou em meu ombro e, sem parar de andar, disse apenas estas palavras “Músico do Senhor Jesus!”. Ele entrou rapidamente no ônibus sem entregar passagem alguma, e dizendo algo como que em línguas (ao menos não consegui discernir o que ele falava e, tão pouco, ver o rosto dele).
Eu nunca poderei contar este testemunho na igreja. Também não posso afirmar que foi um anjo (embora eu creio muito nisso). Mas, instantaneamente, senti a virtude, uma alegria bastante grande, tive que me conter para não falar em línguas, e também para não chorar ali em meio às pessoas que transitavam entre os ônibus.

Isso me deu forças de modo que nunca parei de tocar. Também ensinei a música a diversos irmãos, encaminhei para a oficialização musical alguns deles. Cresci na graça e conhecimento do Senhor e do mistério de Cristo.

Deus já falou inúmeras vezes, “cara a cara”, pela Palavra comigo a este respeito. Em nenhuma delas me lançou fora, ao contrário, sempre me abraçou e, embora demorei para entender, sempre me mostra que há um propósito!
Deus tem um propósito muito grande, um plano de salvação muito maior do que o que podemos imaginar. Não critico os irmãos por não compreenderem, entre tantas coisas, a homoafetividade (ou homossexualidade). Mas creio que a diversidade (não apenas em relação à sexualidade, mas toda a diversidade, inclusive de crenças e pensamentos) faz parte de um propósito divino. Afinal, se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? E se todo o corpo fosse ouvido, como enxergaríamos? 
Precisamos aprender a ser tolerantes, e a amar o que é diferente de nós. Assim, um dia, poderemos desfrutar, em plenitude, o amor infindável de Deus.


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#003: Meus amigos cristãos

Há tempos isso me incomoda. Meus amigos mais chegados, cristãos “de berço”, que sempre estão em casa, jantando e conversando, que enaltecem meu testemunho “impecável”, dizendo que serei um bom ancião, mas que mal sabem sobre minha “inclinação“. Meus amigos cristãos.
Eles têm me incomodado. Quando estamos reunidos, o assunto da vez sempre tem sido a sexualidade duvidosa de alguns outros conhecidos cristãos. Um, inclusive, já não congrega, já se expõe nas redes sociais de maneira a nada esconder. E, meus amigos cristãos, em minha casa, vivem tirando sarro, dando prints nos posts “engraçados” desse conhecido com seu “namoradinho”.
Meus amigos cristãos, tento os adverter timidamente,  aproveitando o “bom testemunho”, e o “bom porte”, e a “santidade”, e a “sabedoria” que a mim atribuem. Tento fazê-los perceber que jamais se importaram com o fato de o tal conhecido cristão já não estar congregando, que jamais oraram por ele para que não perdesse sua fé. Mas, dizem eles, “vai dizer que você também não acha engraçado?”. E eu só posso dizer que eu também sou cristão.

Ao aflito, deveria o amigo mostrar compaixão, 
ainda que houvesse deixado o temor do Todo-poderoso. 
Jó 6:14


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