#011: Novas de alegria

É com muita alegria que compartilho com todos vocês a minha seguinte percepção: a igreja (enquanto organização religiosa) está passando por mudanças, por boas mudanças! Lentas, mas mudando para abraçar a todos!

Quem acompanha os posts e textos que publico pode perceber que, embora eu seja gay, não sou assumido e estou “fora do meio”: sou um cristão com porte bastante tradicional.

No entanto, ainda que ninguém saiba que eu sou gay (porque não manifesto meus sentimentos, ainda), muitos que conversam comigo (amigos próximos, alguns familiares, auxiliares de jovens, cooperadores de jovens etc.) quando estamos tratando da leitura de temas da Bíblia, do amor de Deus etc. sempre têm demonstrado interesse pela questão da salvação dos homossexuais.

Eles têm percebido que não é uma mera escolha nossa, que em muitos casos (senão todos? não sei!) as pessoas nascem assim, simplesmente. Até alguns mais radicais dizem isso: não é escolha dessas pessoas!

Nas conversas que tenho com eles (sempre tentando compreender o amor de Deus, a predestinação, a missão dos cristãos, e outros temas gerais), eles sempre tendem à questão da homossexualidade e isso não para nos condenar, mas para nos entender. E eles mesmos sempre chegam à conclusão razoável: se nascem assim, não é legítimo que não tenham condições de entrar no céu (como muitos criam ou ainda creem).

Acredito que Deus escolha as coisas que parecem “loucas” para confundir as que parecem “sábias”. Acredito que fazemos parte do plano de Deus em revelar o mistério de Cristo: o amor sem distinção. Acredito que, pouco a pouco, vamos todos chegando a esse conhecimento.

É triste que alguns (muitos!) tenham que sofrer até que esse conhecimento se concretize, mas tenho por certo que não esperamos a recompensa apenas aqui nesta vida, mas teremos grande regozijo nos céus, quando a plenitude do reino de Deus se manifestar em todos os corações.

Enquanto isso, tenho certeza também de que todos podemos estar, ainda hoje, no “Paraíso” de Deus, pois, assim como eu tenho plena convicção da minha salvação, tenho certeza que cada cristão sincero sentirá o mesmo. Essa convicção não se dá pelas minhas obras, ainda que aos olhos de todos elas pareçam boas, mas pela paz e amor imenso que sinto em mim, fruto da graça de Deus: sou salvo pela grande misericórdia de Deus.

Convém, porém, que quem sente essa paz e esse amor, resplandeça a luz de Cristo em tudo, fazendo com que o reino de Deus, que é essa paz divina e amor sempiterno, se manifeste a todos, afinal, o desejo Dele é que todos se salvem.

Deus abençoe e revele Cristo em nossos corações e por meio de nós, que também somos cristãos!

Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; Congregação Cristã no Brasil; LGBT; homo ccb.

#010: Qual é a melhor igreja para um gay?

Não quero uma vida de pecado. Não quero uma vida longe de Deus, jamais.

Confesso, porém, que viver em pecado me parece impossível. Eu sinto Deus muito em mim e em tudo. Vejo e percebo Ele e o Seu grande amor em tudo, na diversidade e na adversidade.

Eu sou gay.
Mas, aos 12 anos fui batizado (essa é a idade mínima na igreja que eu frequento). Isso já faz 17 anos.

Nesse tempo todo, muitas vezes chorei aos pés de Deus e duvidei da minha própria salvação, não que eu não amasse a Deus e ao meu próximo como Deus me amou. Não. Chorava porque sendo gay eu lutava contra esse sentimento para estar enquadrado na norma, e porque eu não aceitava ou não entendia o ser gay.

Até 2014 eu passei por momentos depressivos. Em 2013 tive uma crise depressiva bem forte e, porque ninguém sabia que eu era gay (e eu lutava para que ninguém soubesse), essa crise aparentava ser sem motivo (eu tinha tudo para ser feliz, ao menos para quem me via por fora). Eu tive um lapso de depressão porque comecei a acreditar que Deus realmente não me aceitava e que eu precisaria, urgente, mudar meu sentimento, minha “opção” e fazer uma nova “escolha”, dentro do padrão.

Eu me sentia completamente rejeitado por Deus, ainda que minha vida fosse sempre e absolutamente na igreja, uma vida íntegra e exemplar (falo sem pretexto de humildade, é por isso que prefiro o anonimato da página).

Mas, naquela igreja que tanto falam ser radical, por 17 anos (e ainda estou nela, e pretendo ficar), foi nessa igreja tradicional e radical (como dizem) que ouvi e ouço, há 17 anos contados a partir do meu batismo, que Deus me ama.

Diversas vezes, não poucas, pensei em deixar a igreja (não Deus, apenas a igreja) e isso para não escandalizar os irmãos quando (ou caso) descobrissem que sou gay.

Todas as vezes que pensei em abandonar aquela comunidade cristã, naquela congregação amada durante a Palavra (pregada por homens que, talvez, não me aceitariam se soubessem que sou gay), Deus me disse: Eu te amo. E também: Eu te quero aqui. Ou, ainda: Eu quero ser glorificado em você.

Confesso, ainda, que o eu ser gay me possibilitou compreender, enfim, que o amor de Deus é sem distinção.

Se eu não fosse gay, acredito, eu seria o mais hipócrita de todos os homens, porque me acharia perfeito. Não que ser gay signifique ser imperfeito (ou ainda que fosse, pouco importa).

Quero dizer que, se eu me enquadrasse na norma, no padrão, eu seria um hipócrita. E, de fato, a única coisa que me impossibilita enquadrar no padrão (falo no padrão dos homens) é o eu ser gay: quanto aos costumes, quanto ao porte idealizado para o “evangélico”, quanto a tudo que se pensa de um cristão de igreja tradicional eu estou enquadrado, exceto no eu ser gay, ainda que ninguém (ou poucos) saibam.

Eu não sei se Deus se agrada ou não de um homem se apaixonar por outro homem (ou uma mulher por outra mulher). Mas tenho certeza de que, ainda que a vontade de Deus seja unicamente a relação sexual entre um homem e uma mulher, Ele ao menos nos tolera.

Não, não posso dizer que Deus ao menos nos tolera. Sou obrigado a dizer: Deus nos ama.

Foi o que Ele me disse por 17 anos (e creio que continuará a dizer)!

E ele não me disse isso da boca de outro gay (porque poderia ficar em dúvida se era Deus ou o sentimento da pessoa). Ele também não me disse isso por meio da pregação de alguma igreja inclusiva (porque eu poderia pensar: será mesmo? Ou será que só falam isso porque são como eu?). Não. Deus me disse isso, por 17 anos (e me dirá sempre), durante os cultos, durante os hinos, durante as orações, durante as exortações da Palavra anunciadas do púlpito de uma das igrejas mais tradicionais (se não for a mais “radical”).

Ele me disse isso por meio de homens que, provavelmente, nunca me falariam com tanta convicção. Por meio de homens (que O amam em sinceridade) que têm algum preconceito em relação aos gays (e a outras tantas coisas).

Ele me falou isso por meio de cristãos legítimos e legitimados que tirariam minha liberdade na igreja se soubessem que sou gay (como que por um zelo, creio, e não me lançando no inferno, espero).

Eu agradeço muito a Deus por não ter tido forças alguma de ter me assumido gay (se é que se precisa assumir) antes de 2016, pois foi apenas no final deste ano que eu poderia ter feito isso sem deixar de ser cristão, foi no fim de 2016 que compreendi o amor de Deus. E, se eu não fosse gay eu não teria compreendido esse tão grande amor de Deus.

Mas tendo tido (e ainda tenho) uma vida cristã tradicional, pude perceber que Deus não faz acepção alguma. Pude perceber que Ele nos ama imensamente.

Aquela dúvida que eu sempre tinha sobre minha salvação, se transformou em uma certeza completa da esperança, de tal maneira que nada, absolutamente, me faz pensar que estou ou estarei separado do amor de Deus, revelado em Cristo Jesus.

Deus ama a todos nós!

Convém, porém, que nos amemos uns aos outros como, exatamente como, Ele nos ama.

Quando alguém conseguir amar assim, desejando e fazendo apenas o bem a todas as pessoas, quando alguém sentir esse amor tão excelente em Cristo, e quando alguém conseguir desejar que todos se salvem (assim como o próprio Deus deseja) a salvação para esta pessoa será não só uma esperança, não só uma certeza, mas uma realidade vivenciada em cada instante. Então, pouco lhe importará saber qual igreja é a melhor para si, pois sentirá o próprio Deus em tudo e, principalmente, dentro de seu coração.

Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; homo ccb, leésbica, assexual, Congregação Cristã no Brasil.

#009: Não nascemos assim

Eu não nasci assim. Não escolhi nada.
Se eu pudesse, escolheria o caminho fácil. O caminho que todos querem, afinal, assim, não sofreria tanto.
Eu não nasci assim. Eu não escolhi nada.
Eu nasci saudável, corado e chorão. Não escolhi nada. Se pudesse, escolheria o mais fácil, aquilo dentro do padrão.
Mas, eu não nasci, assim. Não escolhi. Mas nasci. E isto me definiu. Não foi minha escolha. Mas me definiu.
Eu seria mais um hipócrita, se tivesse tido escolha, se tivesse seguido a orientação padrão. Seria hipócrita porque me sentiria perfeito, predileto e eleito.
Mas, porque eu não nasci assim, me senti tão imperfeito, tão miserável, tão abominável (e por tanto tempo) que tive que recorrer à muita misericórdia.
Ei, se eu não fosse gay, seria hipócrita. Acreditaria ser perfeito, não teria chorado para ser aceito. Mas eu não nasci assim, convertido. E, também, não escolhi ser escolhido. Deus me elegeu. Assim, como sou, eu.
Agora, resta ser um escândalo, um anômalo. Mas são anomalias que engendram o conhecimento. É o diferente que faz (re)pensar  os padrões. É aceitar o miserável que traz à luz a hipocrisia.
Eu não nasci assim, não. Não nasci cristão. Isso eu tive que aprender. E eu aprendi com algo que não escolhi ser. Aprendi humildade e misericórdia, porque precisei delas.  Entendi o amor de Deus, porque precisei dele.
Se dependesse dos homens, a mim me restaria inferno e escuridão, mas como dependia de Deus, restou-me graça e salvação. Eu não nasci assim, mas hoje sou cristão.

Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem ou fala, ouvem-se a sua voz em toda a Terra. Salmos 19:2


Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; Congregação Cristã no Brasil; LGBT; homo ccb.