#010: Qual é a melhor igreja para um gay?

Não quero uma vida de pecado. Não quero uma vida longe de Deus, jamais.

Confesso, porém, que viver em pecado me parece impossível. Eu sinto Deus muito em mim e em tudo. Vejo e percebo Ele e o Seu grande amor em tudo, na diversidade e na adversidade.

Eu sou gay.
Mas, aos 12 anos fui batizado (essa é a idade mínima na igreja que eu frequento). Isso já faz 17 anos.

Nesse tempo todo, muitas vezes chorei aos pés de Deus e duvidei da minha própria salvação, não que eu não amasse a Deus e ao meu próximo como Deus me amou. Não. Chorava porque sendo gay eu lutava contra esse sentimento para estar enquadrado na norma, e porque eu não aceitava ou não entendia o ser gay.

Até 2014 eu passei por momentos depressivos. Em 2013 tive uma crise depressiva bem forte e, porque ninguém sabia que eu era gay (e eu lutava para que ninguém soubesse), essa crise aparentava ser sem motivo (eu tinha tudo para ser feliz, ao menos para quem me via por fora). Eu tive um lapso de depressão porque comecei a acreditar que Deus realmente não me aceitava e que eu precisaria, urgente, mudar meu sentimento, minha “opção” e fazer uma nova “escolha”, dentro do padrão.

Eu me sentia completamente rejeitado por Deus, ainda que minha vida fosse sempre e absolutamente na igreja, uma vida íntegra e exemplar (falo sem pretexto de humildade, é por isso que prefiro o anonimato da página).

Mas, naquela igreja que tanto falam ser radical, por 17 anos (e ainda estou nela, e pretendo ficar), foi nessa igreja tradicional e radical (como dizem) que ouvi e ouço, há 17 anos contados a partir do meu batismo, que Deus me ama.

Diversas vezes, não poucas, pensei em deixar a igreja (não Deus, apenas a igreja) e isso para não escandalizar os irmãos quando (ou caso) descobrissem que sou gay.

Todas as vezes que pensei em abandonar aquela comunidade cristã, naquela congregação amada durante a Palavra (pregada por homens que, talvez, não me aceitariam se soubessem que sou gay), Deus me disse: Eu te amo. E também: Eu te quero aqui. Ou, ainda: Eu quero ser glorificado em você.

Confesso, ainda, que o eu ser gay me possibilitou compreender, enfim, que o amor de Deus é sem distinção.

Se eu não fosse gay, acredito, eu seria o mais hipócrita de todos os homens, porque me acharia perfeito. Não que ser gay signifique ser imperfeito (ou ainda que fosse, pouco importa).

Quero dizer que, se eu me enquadrasse na norma, no padrão, eu seria um hipócrita. E, de fato, a única coisa que me impossibilita enquadrar no padrão (falo no padrão dos homens) é o eu ser gay: quanto aos costumes, quanto ao porte idealizado para o “evangélico”, quanto a tudo que se pensa de um cristão de igreja tradicional eu estou enquadrado, exceto no eu ser gay, ainda que ninguém (ou poucos) saibam.

Eu não sei se Deus se agrada ou não de um homem se apaixonar por outro homem (ou uma mulher por outra mulher). Mas tenho certeza de que, ainda que a vontade de Deus seja unicamente a relação sexual entre um homem e uma mulher, Ele ao menos nos tolera.

Não, não posso dizer que Deus ao menos nos tolera. Sou obrigado a dizer: Deus nos ama.

Foi o que Ele me disse por 17 anos (e creio que continuará a dizer)!

E ele não me disse isso da boca de outro gay (porque poderia ficar em dúvida se era Deus ou o sentimento da pessoa). Ele também não me disse isso por meio da pregação de alguma igreja inclusiva (porque eu poderia pensar: será mesmo? Ou será que só falam isso porque são como eu?). Não. Deus me disse isso, por 17 anos (e me dirá sempre), durante os cultos, durante os hinos, durante as orações, durante as exortações da Palavra anunciadas do púlpito de uma das igrejas mais tradicionais (se não for a mais “radical”).

Ele me disse isso por meio de homens que, provavelmente, nunca me falariam com tanta convicção. Por meio de homens (que O amam em sinceridade) que têm algum preconceito em relação aos gays (e a outras tantas coisas).

Ele me falou isso por meio de cristãos legítimos e legitimados que tirariam minha liberdade na igreja se soubessem que sou gay (como que por um zelo, creio, e não me lançando no inferno, espero).

Eu agradeço muito a Deus por não ter tido forças alguma de ter me assumido gay (se é que se precisa assumir) antes de 2016, pois foi apenas no final deste ano que eu poderia ter feito isso sem deixar de ser cristão, foi no fim de 2016 que compreendi o amor de Deus. E, se eu não fosse gay eu não teria compreendido esse tão grande amor de Deus.

Mas tendo tido (e ainda tenho) uma vida cristã tradicional, pude perceber que Deus não faz acepção alguma. Pude perceber que Ele nos ama imensamente.

Aquela dúvida que eu sempre tinha sobre minha salvação, se transformou em uma certeza completa da esperança, de tal maneira que nada, absolutamente, me faz pensar que estou ou estarei separado do amor de Deus, revelado em Cristo Jesus.

Deus ama a todos nós!

Convém, porém, que nos amemos uns aos outros como, exatamente como, Ele nos ama.

Quando alguém conseguir amar assim, desejando e fazendo apenas o bem a todas as pessoas, quando alguém sentir esse amor tão excelente em Cristo, e quando alguém conseguir desejar que todos se salvem (assim como o próprio Deus deseja) a salvação para esta pessoa será não só uma esperança, não só uma certeza, mas uma realidade vivenciada em cada instante. Então, pouco lhe importará saber qual igreja é a melhor para si, pois sentirá o próprio Deus em tudo e, principalmente, dentro de seu coração.

Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; homo ccb, leésbica, assexual, Congregação Cristã no Brasil.

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