#028: Gays reconciliados em Cristo

Eu sei que para alguns são apenas coincidências, para outros a prova efetiva de que Deus fala conosco. Logo que me batizei, por exemplo, e já com meus quase 13 anos, após um culto, voltando a pé para casa com minha mãe e irmã, propus no meu íntimo que Deus me desse um sinal de que era na minha (emocionalmente conturbada) vida: pedi que, ainda naquela noite, eu visse uma “estrela cadente”. Eu pretendia ficar acordado até tarde da noite observando o céu, mas, assim que firmei esse propósito em meu coração, prontamente, uma estrela desenhou um breve risco no céu. Talvez, apenas uma pequena coincidência, para meu coração, grande alívio.

Já faz quase 19 anos que me batizei, e por um bom tempo coincidências assim têm me ajudado a acreditar que, de algum modo, Deus estava no meu caminho.

Eu não tenho propriedade para afirmar que algo é ou não pecado, nem para afirmar que alguma prática pode ou não lançar, decisiva e definitivamente, no “inferno”. Quem é que pode afirmar algo assim? Quem pode afirmar que algo pode separar do amor de Cristo? Ninguém!

Eu poderia dizer: está claro na Bíblia que os adúlteros não herdarão o reino de Deus! – e, por isso, poderia tentar afirmar que quem comete adultério será lançado no “lago de fogo e enxofre”. Porém, também está escrito: quanto aos adúlteros, Deus os julgará.

Não quero dizer (tão pouco acredito) que seja uma atitude cristã, no sentido de amar a Cristo, viver adulterando à espera de um juízo brando de Deus. Só quero dizer que não está escrito “Quanto aos adúlteros, Deus os condenará”, antes que “Deus os julgará”.

Eu não posso dizer a ninguém: ser homossexual não é pecado. Também não posso dizer: Deus não abomina um casamento entre homossexuais. Tenho convicção dessas duas afirmações, com base em interpretações da Bíblia, como tento expor em meus textos – e como foi difícil chegar a essas compreensões: foram 28 anos pensando estritamente semelhante ao que aprendemos na [1]Congregação!, e foi relendo sobre predestinação (em Efésios, Romanos etc.) que pude compreender que Cristo é nossa predestinação e que nele não há judeu nem grego, não há heterossexual nem homossexual…, mas ele é tudo em todos!

Já tive muitos sinais (que poderiam também ser entendidos como coincidências) sendo [2]auxiliar de jovens e menores, quer em [3]visitas com a mocidade, quer em [4]Reuniões de Jovens e Menores… Nos últimos dois anos tenho tentado me afastar um pouco desse cargo, em parte devido à correria do trabalho e do dia a dia, mas também por não me achar digno dele, já que minha compreensão (não só, mas principalmente) quanto à homossexualidade diverge daquela implícita nos discursos e conselhos que ouvimos nos diversos serviços realizados na CCB.

Mesmo acreditando que a homossexualidade (até mesmo “na prática”), não seja pecado (embora eu não possa comprovar isso a ninguém!), quando vou aos cultos e, em especial, às RJM, minha [5]oração de comunhão sempre foi algo muito simples, também muito profundo, como: Senhor, me perdoa, sou pecador.

Hoje o peso que recai em mim nem é o fato de eu ser homossexual, mas o de ser homossexual e estar com um cargo em uma Igreja que não aceita (porque não consegue ou não quer entender) a homossexualidade como natural. Essa minha oração poderia, então, ser entendida como: sou pecador diante desta igreja, me perdoe, Senhor. Ou como: Senhor, estou em paz contigo, mas em breve não estarei com esses irmãos, tão logo souberem sobre minha sexualidade, perdoa-me escandalizá-los.

Na última RJM que fui, eu tinha certeza de que não deveria estar ali com a mocidade, tive certeza de que não deveria ter liberdade alguma na igreja, e receei [6]recitar. No entanto, ao receber o verso (Salmos 25:11) e abrir a Bíblia para conferir o texto, li: Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande.

Era exatamente minha oração. Coincidência, claro. Motivou-me, no entanto. Recitei.

É a minha oração e, para mim, homossexual que sou, a “iniquidade” que me veio à mente, no mesmo instante, claro, foi a minha homossexualidade. Não por acreditar estar desagradando a Deus por ser gay (não creio nisso, não mais!), mas por estar fora do padrão compreendido pela igreja como o “único aceito por Deus”.

Pergunto-me se fosse algum heterossexual que tivesse recebido esse verso, qual seria a iniquidade que viria à mente dele? Por que assumimos, nós homossexuais, que nossa sexualidade (natural e intrínseca!) é um pecado, uma abominação? Realmente acreditamos nisso ou fomos condicionados a acreditar? Nos sentimos assim, excluídos do Amor de Cristo, quando Deus nos “visita” e nos dá “sinais”? Nos sentimos rejeitados quando Deus fala, dentro de nós, “te amo”? E se nos sentimos (ao menos eu me senti diversas vezes e ainda sinto) amados por Deus, porque damos mais crédito ao que nos dizem (aberração! abominação! escândalo!) do que ao que Deus insistentemente nos afirma em Cristo (eu amo você! eu amo você! eu amo você!).

É claro que alguns vão dizer: Ele te ama, sim, mas somente se você…

Não! O evangelho não tem “se”! Temos de aprender isso ou anularemos a Graça de Deus e tornaremos em vão todo o vitupério de Cristo!

Deus prova o seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós, mesmo nós ainda sendo pecadores e, agora, somos justificados pelo Seu sangue (conforme Romanos 5). Todas as pessoas são pecadoras, e isso não tem a ver com sexualidade. Não éramos justos (e nunca teremos condições de ser), mas por meio da Sua boa notícia de amor, ele pôde nos justificar!
É isso o evangelho de Cristo: o amor incondicional de Deus que nos amou primeiro, mesmo que nenhuma pessoa merecesse! Não existe salvação por mérito, a não ser por mérito de Cristo. Não há nada que possamos fazer para pagar nossa salvação: ela é de graça e por graça! 
Todavia, quando recebemos algo impagável e de graça, tudo que podemos fazer é sermos imensamente gratos e agradar àquele que nos agraciou. Logo, se cremos haver recebido misericórdia, resta-nos sermos misericordiosos e se cremos seguir um mestre chamado Amor Perfeito, amorosos.

Aqueles que andam odiosos, rancorosos, querendo empregar o reino de Deus apenas aos que se dizem “perfeitos” (e não são, mas mentem), na verdade, sequer entraram nesse reino, pois pouco entenderam do Amor Predestinado, Cristo. Não entram, e tentam impedir que outros entrem. Se, de fato, nós cremos em Cristo como justo e justificador e, por isso, temos condição de entrar no reino de amor, no reino dos céus, no reino de Deus… demonstremos toda a gratidão que temos pela obra redentora de Cristo e, como Ele fez, amemos a todos sem distinção, oferecendo misericórdia e perdão, tal como recebemos.

Deus amou o mundo (todo o mundo!) de tal maneira que enviou seu Filho, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna, assim, Deus enviou a salvação, não a condenação (João 3:16-17). Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não levando em conta as transgressões das pessoas, e nos encarregou da mensagem da reconciliação (1 Coríntios 5:19).

Não há nenhuma coincidência em Cristo haver padecido por todos nós!

Novo e-mail: tambemsoucristao@gmail.com
Instagram: @tambemsoucristao_gaycb
[1] Congregação Cristã no Brasil (CCB), igreja tradicional evangélica. Site oficial: congregacaocristanobrasil.org.br
[2] Jovem solteiro que auxilia nas Reuniões de Jovens e Menores, e tem cuidado pelas crianças e demais jovens visando agregá-los e, de algum modo, orientá-los fazendo uma ponte com o Cooperador de Jovens e Menores (o equivalente ao “Pastor” de outras denominações e que é responsável pelas crianças e jovens de uma determinada localidade).
[3] Reuniões de moços e moças da CCB, acompanhados de Cooperadores de Jovens e Menores, que se faz na casa de uma pessoa com intuito de cantar Hinos e de orar.
[4] Reuniões de Jovens e Menores (RJM), como o nome já diz, são reuniões com crianças e jovens solteiros, geralmente realizadas aos Domingos pela manhã.
[5] Oração particular que se faz ao chegar na igreja, sempre em silêncio e para meditação com Deus (“comunhão”) elevando apenas o pensamento em oração (não se pronuncia palavras audíveis).
[6] Nas RJM cada criança e jovem solteiro tem liberdade de recitar um verso da Bíblia, todos recitam em conjunto um verso de um mesmo capítulo, fazendo uma sequência de recitativos.
TAGS: CCB, Congregação Cristã no Brasil, LGBT, gay, lésbica, assexual, transexual, cristão.

#024: Gays, o pavor do inferno e o dom de línguas

Por muito tempo eu tive medo do inferno. Pavor. Enquanto criança nunca pensava sobre isso, mas, tão logo completei 12 anos, tive uma sequência de sonhos relativos ao fim do mundo apocalíptico que o inferno começou a me assombrar. Por isso, aos 12 anos fui batizado, pois, embora não compreendesse o Deus amor, tinha certeza de que eu não queria sofrer a danação eterna.

Depois, eu vivi 2 anos intensos, indo às visitas com mocidade, frequentando as RJM[1], orações na madrugada com meus cooperadores de jovens… Eu havia perdido o medo do inferno, e ainda não entendia o amor de Deus. Até então, eu não compreendia minha homoafetividade – que sempre esteve manifestada – e, muito menos, minha homossexualidade que começava a aflorar.

Contudo, por volta dos 14 anos – quando percebi que, de fato, minha atração não era àquela a que fui orientado, a “normal”, e quando minha sexualidade se manifestou mais intensamente – eu percebi que, sim, deveria temer o inferno. Passei a desacreditar da minha salvação. Toda vez que desejava homens[2], depois, eu caía aos prantos em oração e suplicava a Deus que não me condenasse, que não me deixasse ceder àquele sentimento.

Confesso que, nas minhas orações solitárias, sempre alcançava algum alento, algum conforto divino. Porém, como o sentimento homoafetivo é intrínseco, eu sempre retornava àquele estado de miséria espiritual: duvidava de que eu seria salvo, já que homossexual – ainda que não praticasse o ato em si, mentalmente o idealizava[3].

E isso foi um ciclo em minha vida: idealizava mentalmente situações de práticas homoafetivas, me achava indigno de ser salvo, caía em um desgosto profundo por não “agradar a Deus”[4], chorava aos pés de Deus rogando-lhe misericórdia e que me suportasse, encontrava consolo e sentia a virtude[5] e presença de Deus em mim, e logo idealizava práticas homoafetivas[6].

O que quero explicar é que eu só sentia a virtude quando me considerava um impuro, uma abominação, e chorava aos pés de Deus, clamando por sua misericórdia. Eu ainda temia o inferno e não entendia o amor de Deus por mim – ainda que, repetidas vezes, ele me dizia: Eu te amo.

Eu era muito fervoroso[7], chorava sempre na igreja, me alegrava e emocionava sentindo a presença de Deus, pois encontrava esse consolo de que eu seria salvo, sim, e as Palavras[8] me faziam compreender que Deus entendia minha condição natural e que me aceitava assim, como sou.

Em 2007, aos meus 19 anos, eu estava em uma RJM e senti a virtude muito fortemente. Na RJM da semana seguinte, Deus dizia: Semana passada você sentiu grandemente a virtude, e hoje você vai sentir ainda mais!

Confesso que eu não senti nada, definitivamente. Eu estava em paz e não senti a presença de Deus naquela RJM. Chegando em casa, porém, encontrei uma situação desagradável: uma pessoa estava possuída por um sentimento maligno e prestes a causar, mais uma vez, uma desgraça em nossa família.

Eu, então, comovido com a situação, comecei a chorar. Primeiro chorei de desespero, tentando evitar que minha irmã, ainda mocinha, percebesse aquela manifestação maligna, diabólica. Depois, comecei a chorar mais, mas um choro diferente, proveniente da alma, do coração. Foi quando eu comecei a falar em línguas[9] pela primeira vez. Eu falava em línguas e entendia algumas coisas que falava. Fisicamente eu era bem fraquinho, mas segurei aquele homem, que nos causava males emocionais, com tanta força que vi que não era minha. Falando em outra língua, eu o abracei e, depois de um tempo, ainda o abraçando e falando em línguas, aquele espírito contrário e maligno se ausentou. Houve paz.

Uma prima minha, que também estava em casa na ocasião e que há muito tempo não falava em línguas, depois, me abraçou e voltou a falar em línguas. Minha irmã, ao me abraçar, sentiu a visitação de Deus. Abraçado à minha mãe, que chegou depois e em grande desespero, anunciava-lhe em línguas e eu entendia a mensagem que eu lhe dizia.

Eu, gay, com medo e pavor do inferno, com dúvida da minha salvação (porque me sentia impuro por ser homossexual) recebi, naquele domingo, o dom de línguas e vi Deus fazer outras obras lindas.

Aquela força que recebi ao falar em línguas e sentir Deus bem de perto, durou alguns dias. Esqueci o pavor do inferno e tive paz por alguns dias. Depois disso, passei 9 meses sem falar em línguas novamente. Logo, o medo do inferno foi se manifestando. No fim daquele ano, em uma RJM, o cooperador de jovens durante a reunião, me apontou e disse a mim que abraçasse um moço, que era auxiliar de jovens junto comigo e que havia sido “selado”[10] com o dom de línguas fazia pouco tempo. Eu nunca gostei muito disso, confesso, mas o abracei e voltei a falar em línguas, pois senti a presença de Deus de maneira muito forte em mim.

A partir desse dia, eu falava em línguas mais constantemente. Agora, quando me sentia um verme, uma abominação, e orava a Deus, o consolo vinha com sua presença e com a manifestação do dom de línguas. E eu só manifestava esse dom quanto estava nesse estado espiritual de me achar indigno de salvação.

Alguns pensam que para falar em línguas tem que estar puro, ser santo e irrepreensível. Ou, ainda, que quem manifesta o dom de línguas está consagrado e perfeito diante de Deus. Minha experiência diz o contrário. Sempre que eu manifestei o dom de línguas (ou que eu sentia aquela paz e alívio espiritual) era no momento em que me percebia mais sujo, mais abominável, mais pecador.

De 2013 até 2015 eu fiquei sem manifestar o dom de línguas. Em 2015 manifestei poucas vezes, uma ou duas. Coincidentemente ou não, foi a época em que tive crises depressivas fortes e, também, a época em que eu estive mais distante de Deus – ainda que, semanalmente, eu ia à igreja mais de quatro vezes, pouco meditava nele e em seu amor.

Em 2016, um pouco antes de iniciar o blog, e quase que imediatamente após me entender e me aceitar gay, eu comecei a sentir a presença de Deus de uma maneira muito intensa e a todo o tempo. Aquela paz que eu sentia apenas por alguns instantes enquanto falava em línguas ou um pouco depois de haver falado – às vezes algumas horas, outras um ou dois dias –, passou a ser constante em minha vida. Aquele medo e pavor do inferno, de ser condenado por ser “imperfeito”, também se esvaneceram.

Eu passei a sentir aquelas virtudes – que eram momentâneas e apenas em situações de miséria espiritual, quando me sentia um verme – o tempo todo. Todo dia. Em situações inesperadas[11]. Fora da igreja. Eu deixei de me sentir um cão miserável e passei a me sentir amado por Deus. Isso trouxe-me uma enorme paz. Deu-me certeza de salvação, não por qualquer mérito meu[12], mas por exclusivo mérito de Cristo.

Hoje, eu falar em línguas não se faz tão necessário (ainda que acho uma linda manifestação), pois acredito que a finalidade deste dom, na minha vida, era me dar paz. Eu estou em paz em relação à minha salvação. Eu estou certo de que Cristo me salvou. Eu já não duvido do poder de Cristo para me salvar e o amo intensamente por fazer isso sem que eu mereça, sem que ninguém mereça.

Sim, gays falam em línguas, e são participantes de todos os dons do Espírito Santo. Quero, contudo, que saibam que nem todos falarão em línguas. E, ainda, que não falar em línguas não significa não ser selado com o Espírito. Todos que cremos em Cristo como nossa salvação somos selados pelo Espírito para nossa redenção!

Aos gays cristãos e a todos que estão com duras cargas, devido à incerteza de salvação, proponho que, em lugar de buscar este ou aquele dom, busquem a compreensão de que a salvação se recebe exclusivamente por meio do mérito de Cristo. Quando conseguirem entender isto, alcançarão uma paz e certeza de salvação que mal nenhuma chegará a tenda dos corações de vocês: estarão no reino de Deus, no “paraíso”, ainda nesta vida terrena!

Busquem os dons de Deus, sim, mas procurem aquele caminho mais excelente: o amor fraternal e incondicional como o de Cristo.

Texto escrito em resposta a um pedido anônimo que recebi no blog.

[1] Reunião de Jovens e Menores é uma reunião da Congregação Cristã no Brasil, geralmente realizada nos domingos de manhã, exclusiva às crianças e jovens.
[2] Um eufemismo para a prática da masturbação.
[3] Idem. Masturbação é um tabu.
[4] Ou seria “aos homens”?
[5] A virtude é a manifestação da presença de Deus dentro de si. Comumente, relacionada a uma emoção (choro, alegria etc.) e, ao meu entender, tem finalidade de animar, dar forças espirituais ou fazer crer estar ligado com Deus.
[6] Esse ciclo se perpetuou por 14 anos, fui liberto apenas aos 28 anos – quando, então, comecei a os textos do blog.
[7] Fervoroso é alguém que sente a presença de Deus facilmente, ao menos é nesse sentido que usei o termo.
[8] Palavra na Congregação Cristã no Brasil (CCB) é a exortação de uma passagem da Bíblia, o discurso dos pregadores, que entendemos ser inspirado por Deus – ao menos deveria ser.
[9] Falar em línguas ou o dom de línguas é uma manifestação do Espírito Santo que faz com que a pessoa, sem saber, fale em outras línguas. Em minha cidade, no interior de São Paulo, há um irmão indouto, sem estudo, e que recebeu o dom de línguas em inglês arcaico – entende-se o que ele fala. Não se trata apenas de sons inteligíveis como alguns pensam. Há de se considerar que, sim, há imitações desse dom, tanto na CCB como em outras denominações e que acabam por o banalizar. Há outras manifestações, como interpretar outras línguas, expulsar demônios, curar enfermidades…, mas a maior manifestação é o amor fraternal e incondicional.
[10] É comum dizermos “ser selado pelo Espírito Santo” para se referenciar a alguém que fala em línguas. Ser selado, entretanto, é algo mais amplo e todo o cristão, todo crente em Deus, é selado (ainda que não fale em línguas).
[11] Como descrevi no texto 21 do blog http://www.tbsoucristao.blogspot.com
[12]Entenda, ninguém merece, nem nunca merecerá, o “céu”. O estado de paz que alcança quem entra no reino de Deus não é por nenhum mérito, mas por graça. É um favor, porque ninguém merecia isso. Cada um de nós somos ruins o suficiente para entrarmos no “céu”, mas somos justificados por Cristo, que é justo e justificador. Nenhum esforço próprio nosso pode nos colocar no “céu” e é por isso que precisamos entender e aceitar que o mérito é de Cristo. Isso não significa que podemos “deitar e rolar” no que é imoral (como desafetos, inimizades, porfias, malignidades e outros frutos do desamor), mas que quando pecarmos teremos um advogado que intercede por nós e ao nosso favor: Cristo. Se dissermos que não pecamos, tornamos Cristo mentiroso – e nos fazemos hipócritas.

Tags: LGBT, lésbica, gays, homossexual, homossexualidade, cristão, crente, CCB

#022: Meu filho cristão é gay, e agora?

Embora eu não me lembre muito bem dos discursos que ouvi na CCB durante minha infância, quanto à homossexualidade, eu aprendi desde cedo que ser gay era errado, pois naquela época (a saudosa década de 90) menino usar brinco ou não jogar futebol, por exemplo, eram motivos suficientes de deboche:

– Viadinho, bichinha – diziam para os meninos que estavam fora do padrão hétero-machista.

Eu levei vinte e oito anos para começar a aceitar minha homossexualidade, para me aceitar. Quando era mais jovem, até meus 12 ou 13 anos talvez, eu tinha uma relação muito próxima e forte com minha irmã e mãe, erámos bons amigos.

Quando entendi que eu era gay e por ver, na rua e na escola, as crianças sofrerem tanto com aquelas chacotas, apenas por serem diferentes, eu temi e me escondi. Reprimi-me para não ter trejeitos, tornei-me quieto para que minha voz não me denunciasse, afastei-me cada vez mais daqueles que eu amava (embora fisicamente perto, emocionalmente eu estava distante). Eu me isolei e ninguém mais sabia quem eu era. Conheciam-me apenas pelo exterior ao ponto de eu parecer “o moço certo” para qualquer “boa moça” da igreja: tive “sucesso” em me reprimir!

Minha irmã me disse, certa vez:

– Depois que você foi morar fora por causa da faculdade, ficou muito quieto!

Ela não sabia que o real motivo era eu estar me reprimindo e sufocando demasiadamente meus sentimentos e emoções. Eu não poderia demonstrar afetividade excessiva, pois inconscientemente eu acreditava que evidenciaria, também, a minha homoafetividade.

Hoje, pela grande misericórdia de Deus, vejo-me cada dia mais perto e mais aberto com minha mãe e irmã. Contudo, sei de algumas histórias de pais e filhos, cristãos, que têm conflitos tão grandes, que travam uma guerra tão desnecessária, ferindo-se mutuamente, apenas porque os filhos são gays.

Pais, não é essa a luta que vocês têm que travar. Não é lutando e desprezando o sentimento diferente de seus filhos, gays cristãos, que vocês os “ganharão para Cristo”. Não é com ódio, rancor, ira, peleja ou quaisquer outras coisas semelhantes a essas que vocês conseguirão colocar no reino dos céus o filho gay que têm.

Eu imagino o quanto deve ser difícil para vocês aceitarem um filho gay e, mais ainda, aceitarem um filho gay que têm relações homoafetivas, afinal, pais e filhos aprendem que isso é errado, pecado e, ainda pior, abominação.

Pais, orem e vigiem por que o fim vem, mas sobretudo tenham ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá uma multidão de pecados (1 Pedro 4:7-8). Se, de fato a homossexualidade ou sua prática são pecados, amem seus filhos e sejam caridosos com eles, pois, assim, quem sabe Deus poderá lhes converter como vocês tanto desejam.

Eu sei que vocês, pais, padecem e sofrem quando têm um filho gay. Sofram por amor a Deus, sim, mas façam isso fazendo o bem (1 Pedro 4:19). Se vocês têm um filho gay e, por amor a Deus, sofrem, oram e jejuam, fazem votos e se privam de tantas coisas em consagração para que Deus os livre “desse mal”, vocês perderão qualquer galardão se fizerem mal ao filho gay que têm, se o colocarem para fora de casa, ou se lhe privar de amor e carinho paternais.

Pais, vocês poderão dizer coisas semelhantes a essas a seus filhos gays:

– Não vou ter comunhão com essa má obra. (Efésios 5:11);

– Não vou aprovar o que é desagradável a Deus. (Efésios 5:10); ou

– Não serei companheiro dos filhos da desobediência. (Efésios 5:7).

Alguém também poderá tentar convencer vocês a não amarem seus filhos gays citando muitos versos da Bíblia que, ironicamente, é a fonte de amor supremo. Pais, ninguém vos engane com palavras vãs porque é sobre estes que vem a ira de Deus (Efésios 5:6). Lembrem-se de que aquele que corrompe ou que torna incompreensível a Palavra de Deus – o amor incondicional chamado Cristo – não deve ser ouvido por vocês.

Pais, tomem cuidado para que da boca de vocês saia apenas o que for bom e de edificação aos seus filhos gays, cristãos ou não, e que ouvem vocês. Jamais entristeçam o Espírito Santo de Deus e, por isso, toda a amargura, ira, cólera, gritaria, blasfêmias ou malícia não estejam na relação de vocês com seus filhos, pois os cristãos devem ser benignos e misericordiosos uns para com os outros, perdoando como Deus perdoou a cada um em Cristo (Efésios 4:29-32).

É importante que os filhos gays honrem seus pais, amando-os. Certamente! E vocês, pais, não devem provocar a ira dos seus filhos, mas criá-los na doutrina e na admoestação do Senhor (Efésios 6:1-4).

Ora se a doutrina do Senhor não se tratar de amor incondicional, se ela não se tratar de tolerância para com os “fracos”, se a admoestação não for com benignidade, bondade e afeição, não, não poderemos dizer, pais, que vocês são cristãos, porque o fruto do Espírito está em toda bondade, justiça e verdade (Efésios 5:9).

Pais, se de fato é a homossexualidade um pecado, vocês, que são espirituais, devem encaminhar o filho gay que têm com espírito de mansidão, olhando para vocês mesmos a fim de que vocês não deixem de ser cristãos. Além do mais, levem a carga de seus filhos e cumpram a lei de Cristo, amando-os incondicionalmente (Gálatas 6:1-2).

#010: Qual é a melhor igreja para um gay?

Não quero uma vida de pecado. Não quero uma vida longe de Deus, jamais.

Confesso, porém, que viver em pecado me parece impossível. Eu sinto Deus muito em mim e em tudo. Vejo e percebo Ele e o Seu grande amor em tudo, na diversidade e na adversidade.

Eu sou gay.
Mas, aos 12 anos fui batizado (essa é a idade mínima na igreja que eu frequento). Isso já faz 17 anos.

Nesse tempo todo, muitas vezes chorei aos pés de Deus e duvidei da minha própria salvação, não que eu não amasse a Deus e ao meu próximo como Deus me amou. Não. Chorava porque sendo gay eu lutava contra esse sentimento para estar enquadrado na norma, e porque eu não aceitava ou não entendia o ser gay.

Até 2014 eu passei por momentos depressivos. Em 2013 tive uma crise depressiva bem forte e, porque ninguém sabia que eu era gay (e eu lutava para que ninguém soubesse), essa crise aparentava ser sem motivo (eu tinha tudo para ser feliz, ao menos para quem me via por fora). Eu tive um lapso de depressão porque comecei a acreditar que Deus realmente não me aceitava e que eu precisaria, urgente, mudar meu sentimento, minha “opção” e fazer uma nova “escolha”, dentro do padrão.

Eu me sentia completamente rejeitado por Deus, ainda que minha vida fosse sempre e absolutamente na igreja, uma vida íntegra e exemplar (falo sem pretexto de humildade, é por isso que prefiro o anonimato da página).

Mas, naquela igreja que tanto falam ser radical, por 17 anos (e ainda estou nela, e pretendo ficar), foi nessa igreja tradicional e radical (como dizem) que ouvi e ouço, há 17 anos contados a partir do meu batismo, que Deus me ama.

Diversas vezes, não poucas, pensei em deixar a igreja (não Deus, apenas a igreja) e isso para não escandalizar os irmãos quando (ou caso) descobrissem que sou gay.

Todas as vezes que pensei em abandonar aquela comunidade cristã, naquela congregação amada durante a Palavra (pregada por homens que, talvez, não me aceitariam se soubessem que sou gay), Deus me disse: Eu te amo. E também: Eu te quero aqui. Ou, ainda: Eu quero ser glorificado em você.

Confesso, ainda, que o eu ser gay me possibilitou compreender, enfim, que o amor de Deus é sem distinção.

Se eu não fosse gay, acredito, eu seria o mais hipócrita de todos os homens, porque me acharia perfeito. Não que ser gay signifique ser imperfeito (ou ainda que fosse, pouco importa).

Quero dizer que, se eu me enquadrasse na norma, no padrão, eu seria um hipócrita. E, de fato, a única coisa que me impossibilita enquadrar no padrão (falo no padrão dos homens) é o eu ser gay: quanto aos costumes, quanto ao porte idealizado para o “evangélico”, quanto a tudo que se pensa de um cristão de igreja tradicional eu estou enquadrado, exceto no eu ser gay, ainda que ninguém (ou poucos) saibam.

Eu não sei se Deus se agrada ou não de um homem se apaixonar por outro homem (ou uma mulher por outra mulher). Mas tenho certeza de que, ainda que a vontade de Deus seja unicamente a relação sexual entre um homem e uma mulher, Ele ao menos nos tolera.

Não, não posso dizer que Deus ao menos nos tolera. Sou obrigado a dizer: Deus nos ama.

Foi o que Ele me disse por 17 anos (e creio que continuará a dizer)!

E ele não me disse isso da boca de outro gay (porque poderia ficar em dúvida se era Deus ou o sentimento da pessoa). Ele também não me disse isso por meio da pregação de alguma igreja inclusiva (porque eu poderia pensar: será mesmo? Ou será que só falam isso porque são como eu?). Não. Deus me disse isso, por 17 anos (e me dirá sempre), durante os cultos, durante os hinos, durante as orações, durante as exortações da Palavra anunciadas do púlpito de uma das igrejas mais tradicionais (se não for a mais “radical”).

Ele me disse isso por meio de homens que, provavelmente, nunca me falariam com tanta convicção. Por meio de homens (que O amam em sinceridade) que têm algum preconceito em relação aos gays (e a outras tantas coisas).

Ele me falou isso por meio de cristãos legítimos e legitimados que tirariam minha liberdade na igreja se soubessem que sou gay (como que por um zelo, creio, e não me lançando no inferno, espero).

Eu agradeço muito a Deus por não ter tido forças alguma de ter me assumido gay (se é que se precisa assumir) antes de 2016, pois foi apenas no final deste ano que eu poderia ter feito isso sem deixar de ser cristão, foi no fim de 2016 que compreendi o amor de Deus. E, se eu não fosse gay eu não teria compreendido esse tão grande amor de Deus.

Mas tendo tido (e ainda tenho) uma vida cristã tradicional, pude perceber que Deus não faz acepção alguma. Pude perceber que Ele nos ama imensamente.

Aquela dúvida que eu sempre tinha sobre minha salvação, se transformou em uma certeza completa da esperança, de tal maneira que nada, absolutamente, me faz pensar que estou ou estarei separado do amor de Deus, revelado em Cristo Jesus.

Deus ama a todos nós!

Convém, porém, que nos amemos uns aos outros como, exatamente como, Ele nos ama.

Quando alguém conseguir amar assim, desejando e fazendo apenas o bem a todas as pessoas, quando alguém sentir esse amor tão excelente em Cristo, e quando alguém conseguir desejar que todos se salvem (assim como o próprio Deus deseja) a salvação para esta pessoa será não só uma esperança, não só uma certeza, mas uma realidade vivenciada em cada instante. Então, pouco lhe importará saber qual igreja é a melhor para si, pois sentirá o próprio Deus em tudo e, principalmente, dentro de seu coração.

Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; homo ccb, leésbica, assexual, Congregação Cristã no Brasil.

#001: Aos LGBTs cristãos

Quando nasci minha mãe logo começou a frequentar a Congregação Cristã no Brasil (CCB) e se batizou, mas meu pai não.

Cresci indo à igreja e sempre gostei bastante. Sem pressão ou sem ninguém me incentivar, batizei com 12 anos (idade mínima na CCB), e fiz isso porque com essa idade comecei a sentir a presença de Deus, a virtude.

Desde as brincadeiras da infância, já manifestava alguma tendência ou inclinação para a homoafetividade. Mas nunca ninguém conversou isso comigo, não sei se não percebiam ou se achavam natural. Talvez não tivessem (como a maioria hoje ainda não tem) esclarecimento sobre o assunto.

Em minha juventude, sempre estive envolvido nas atividades da igreja. Sempre gostei e zelei muito por participar das visitas com mocidade, das Reuniões de Jovens e Menores, Reuniões de Mocidade, reuniões de evangelização, escolinhas de música… Isso era a minha vida, minha distração, era onde eu me encontrava. Aprendi muito a servir a Deus. Lia muito a Bíblia e fazia isso com prazer.

Acredito ter um bom esclarecimento da Palavra, do Evangelho, da Graça, da Salvação. Aprendi muito também durante minha faculdade, pois mudei de cidade e morei um bom tempo sozinho, longe dos meus pais e família. Na faculdade, porém, mantive um bom testemunho. Minha percepção de mundo começou a se ampliar, também.

Sempre, absolutamente, vivi para o Senhor dando o melhor testemunho que eu pudesse dar, onde eu estivesse. E, sempre, lutei contra meus sentimentos homoafetivos.

Ninguém nunca soube sobre eles, embora acredito que muitos desconfiassem, pois também nunca namorei. Como tinha um porte cristão “impecável”, talvez não quisessem acreditar ou me questionar sobre isso, embora sempre me questionavam sobre o casamento (“quando vai casar?”).

Minha vida era a igreja, e amava isso! Congregava todos os dias que podia!

Tinha muito desejo de ter filhos, pois amo crianças. E sempre me questionava se isso seria possível, já que era gay.

Como um “bom cristão”, acreditava que isso era uma terrível abominação e muitas vezes, (muitas mesmo!) chorei aos pés do Senhor: ou para me perdoar, senão para me libertar, ou para me sustentar, ou para me guardar, ou para me suportar. Chorava muito, reclamava e questionava querendo entender o porquê de eu ser assim, o porquê eu não conseguir mudar e ser “normal”.

Em todas as vezes, absolutamente, o Senhor sempre me respondeu com alívio, ajudando-me a carregar a “minha cruz”, aliviando o peso do meu fardo, e me consolando.

Pela Palavra pregada na CCB, sempre que estava em estado de extrema tristeza, Deus me dizia que “isso” era para Sua glória, ou que me amava, ou que eu não pecaria.

Fui músico, e devido ao bom testemunho, sempre estive em “destaque”, sempre fui visto como um moço exemplar na igreja, e isso me corroía por dentro, porque apenas Deus sabia a minha luta interior. […] Muita coisa aconteceu nos meus primeiros 15 anos de cristão batizado.

Mas em resumo, sinto falta desses meus primeiros 15 anos*, nos quais, embora com consciência pesarosa devido a minha homoafetividade, encontrava a certeza de que Deus me abraçaria todas as vezes que eu estivesse no “fundo do poço”.

Entretanto, por um descuido, comecei a não orar mais, a congregar pouco, me afastei um pouco dos amigos da igreja e me isolei em casa (morava sozinho). Conheci aplicativos na internet e, neles, conversei com caras gays. Tinha intenção apenas de falar com alguém, de chorar com alguém, de conversar com alguém que sentisse o mesmo que eu.

Da pior maneira que poderia acontecer, me encontrei com um desses caras. Conversei com ele, parecia sensível, amável. Parecia ser o que eu precisava, um companheiro e alguém para conversar sobre aquilo que não poderia falar com mais ninguém. Me abri inteiramente a ele, na esperança de que pudesse me compreender (ele também se dizia “crente”, e de fato ia à igreja).

As poucas vezes que me encontrei com esse “cara” vi que tudo o que eu queria encontrar não era exatamente o que eu tinha obtido. A consciência de que aquilo era errado (diante de Deus) não me permitiu prosseguir. Além disso, o tal “cara” mostrou possuir uma vida cada vez mais dissoluta, cada vez mais se envolvia com todos gays que pudesse se encontrar.

Com algumas semanas, duas ou três, assim que percebi isso, eu fiquei completamente sem saber como me livrar disso. Temia que ele pudesse me expor e acabar com toda minha vida e “testemunho”, pois eu não estava preparado para contar o meu “segredo” para minha família e temia causar qualquer escândalo na igreja.

Sei que a graça de Deus pode nos conceder salvação, mesmo que tenhamos deslizado, vacilado, caído. O amor de Deus é grande, Sua misericórdia infinita e quantas vezes nos arrependermos e chorarmos aos pés Dele, Ele sempre estará pronto para nos amar, para nos perdoar, para nos salvar. Mas, e nós? Sempre estaremos prontos para nos arrepender? Sempre reconheceremos nossos pecados**?

Gostaria que os LGBTs cristãos refletissem bem sobre o que querem. Se ainda acredita que é errado, aconselho que não o façam, que não se entreguem, e que busquem de Deus a compreensão da nossa condição. Pois se você ainda acredita que é pecado, a marca de um deslize será muito dura. A consciência sempre acusará, e haverá uma porta aberta para que o adversário lance a dúvida: “Será que Deus ainda te ama?”.

A resposta para essa pergunta, creia, sempre será: “Sim, Ele te ama imensamente!”

Não considero que uma relação sexual gay seja mais pecaminosa que uma fornicação entre um casal heterossexual, ou do que se irar contra um irmão, por exemplo, o qual é digno do fogo eterno, como lemos no Sermão da Montanha do evangelho segundo Mateus. Creio que pecado é pecado, todos igualmente condenáveis diante de Deus, por isso, necessário o arrependimento.

Mas o que digo, aos que estão em dúvida, aos que querem e ainda tentam se guardar desse sentimento, é que a marca do pecado** pode trazer um peso difícil de suportar, ainda que a Palavra continue falando “Eu te amo”, há sempre uma brecha para o adversário dizer “Será que é com você?”.

Há, porém, aqueles para os quais uma relação homoafetiva não é pecado, que a consideram como normal, e que acreditam que Deus não se importa com nossa vida sexual . Minha mensagem para estes é que vivam sua vida, como queiram, nos limites da consciência com Deus, mas, se querem ser cristãos legitimamente, nunca devem estimular outros, em igual sentimento, a viverem como vivem. Cada gay cristão, seja aquele que está se guardando para não “errar”**, seja aquele que está vivendo uma união estável e homoafetiva, não deve impor ao outro sua condição como sendo a que Deus quer ou aceita. De juízo, basta os que estão de fora e não podem, de maneira alguma, nos entender.

Em relação a isso, devemos respeitar muito os irmãos que não são gays. Eles jamais (jamais!), poderão entender nossa situação, jamais poderão compreender que é um sentimento intrínseco, e que não podemos mudar esse sentimento, ainda que muito quiséssemos.

Não culpem esses irmãos cristãos não gays de não entenderem nossa situação. Ame-os, respeite-os, faça de tudo para não os escandalizar. Deus nos ama, e ama a eles também. E Deus de modo algum quer que sejamos escândalos um para o outro.

Se os irmãos não gays não nos compreendem, tentemos compreendê-los nós, e viver, de algum modo, em união uns com os outros.

A seu tempo, seja aqui na nossa vida terrena, seja na vida eternal, entenderemos os mistérios de Deus, que quer que todos se salvem, todos!

Supliquemos com insistência por toda a humanidade, oremos por todos, intercedamos por todos, porque isso é bom e agradável a Deus, que quer que todos se salvem, e venham ao conhecimento da verdade, porque Jesus Cristo homem, é o Mediador entre Deus e os homens, que se deu a Si mesmo em preço de redenção de todos, como ensina Paulo em I Timóteo 2:01-06.

Eu também sou cristão!


* Quando escrevi o texto eu tinha saudade do tempo em que lutava contra o sentimento, mas, de um modo que não sei explicar, Deus abriu minha mente e me deu muito paz e conforto, uma paz verdadeira junto da certeza da minha salvação. Hoje, embora ainda não me relacione, tenho certeza da minha salvação e só não me relaciono, ainda, pois desejo aproveitar minha liberdade na igreja para conversar com os irmãos, incentivando-os a buscarem uma melhor compreensão deste assunto. Atualizado em 10/10/2017.

**Quando oriento aos LGBT cristãos que não pequem, me refiro à não se entregarem à qualquer um no sexo pelo sexo, e não ao sentimento homossexual em si. Sugiro sim que cada gay cristão deve se aceitar como naturalmente é, e procurar entender que Deus o ama imensamente e, depois de entender isto, aceitar que a homossexualidade é inata, natural. Aos que já a compreendem assim, lembro que embora eu acredite ser um sentimento inato, não considero (segundo a minha fé) conveniente se entregar à promiscuidade, algo muito comum no mundo gay. Atualizado em 13/05/2017

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Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; Congregação Cristã no Brasil.