#039: Gays são escândalo para a Obra?

É mister que venham os escândalos!

Essa afirmação bíblica me causou estranheza por vários anos. Mister é sinônimo de essencial, necessário.

É essencial que venham os escândalos, disse Jesus.

Acredito que minha dificuldade em entender essa simples afirmação se manteve por anos porque minha compreensão sobre o que é um escândalo era tendenciosa demais.

Hoje, eu entendo que, no contexto de Mateus 18, de Marcos 9 e, implicitamente, de Lucas 10, o significado de escândalo não seja aquele com o qual nós, da CCB (e acho que a maioria dos cristãos), estamos acostumados a ouvir ou falar. (Recomendo a leitura desses três capítulos mencionados).

Parece-me que quando dizemos escândalo, nos referimos àquele que não permaneceu santo, que não se manteve puro, que não se conservou perfeito.

Falar “fulano escandalizou a Obra!” significa que alguma pessoa saiu dos parâmetros de santidade esperado pela irmandade, pela igreja. Ou, melhor dizendo, significa que alguém não conseguiu mais dissimular a própria humanidade, de modo que os erros acumulados tornaram-se públicos e o pecado, escancarado.

É interessante que rejeitamos dizer “temos pecados” – é que na CCB só cometemos erros, falhas ou faltas; pecado? jamais! -, é como se mentira, fofoca ou coisas semelhantes não fossem pecados também (ignoramos que esses “pequenos erros” geram grandes destruições fazendo, inclusive, muitos se afastarem do Caminho!).

Assim, não causa escândalo à Obra aquele que conseguir mostrar, aos olhos dos outros, que é puro o suficiente para ser aceito e acolhido entre os irmãos, nem aquele que é santo o bastante para desfrutar de toda e qualquer liberdade de expressão nos cultos, tão pouco aquele que é demasiadamente perfeito para ser salvo.

Acontece que essa compreensão de escândalo e o que dela se implica (que alguns são perfeitos) é absolutamente anticristo! Ela anula completamente o sacrifício de Cristo, pois faz perder o sentido da Graça, isto é, da misericórdia que anula a dívida impagável.

Várias vezes perguntei a amigos e conhecidos da CCB: você tem certeza da sua salvação? A resposta sempre foi um não titubeante. Isso porque nós não reconhecemos que somos salvos por Cristo, mas acreditamos, lá no fundo, que somos salvos por nossas boas obras: “SE eu for firme e fiel até o fim, serei salvo!”, acostumamos dizer.

Ou é impossível ser santo, perfeito e puro e, por isso, precisamos de Cristo ou Cristo é inútil! Em outras palavras: ou somos todos um escândalo, ou há quem possa ser perfeito e Cristo morreu em vão.

Então, para elaborar algo que dissimule essa dicotomia, os cristãos hierarquizam pecados. Chamam alguns de falhas, outros de erros, outros de desobediências. Depois destes, listam alguns aos quais classificam como pecados e outros, abominação.

É por isso que nos cultos ou em nossas orações particulares sempre pedimos “perdoa as nossas falhas”. Reconhecemos que, às vezes, e apenas às vezes, falhamos e não conseguimos ser inteiramente perfeitos, mas acreditamos que estamos perto disso ou, no mínimo, que somos melhores que muitos outros. (É claro que, objetivamente, não é isso que pensamos ao orar, mas, associando às nossas ações e crenças diárias, é isso que estamos dizendo, sim!).

Escândalo, no senso comum, é aquilo que foge aos parâmetros de perfeição. Escandaliza todo aquele que seguia um padrão de “santidade” e, em algum momento, deixa de seguir tal padrão.

Mas, no contexto de Mateus 18, parece-me ser mais plausível entender o escândalo como:

  1. todo aquele ou tudo aquilo que faz afastar pessoas de Cristo (escândalo que segrega);
  2. o próprio Cristo (escândalo que agrega).

Em resumo, os capítulos mencionados centram-se na discussão: quem é o maior no reino dos céus?

Tal questionamento, por si só, demonstra que quem o fez, ou o faz, ainda não compreende Cristo. Sobre esse pensamento de hierarquia, de posicionamento do “mais crente” para o “menos crente” ou do “mais merecedor” para o “menos merecedor” Jesus diz: quem não for como um menino nem entra no céu! E diz: o maior é aquele que se faz servo dos outros!

Em relação a se fazer como um menino, e como podemos já ter ouvido em pregações, a grande virtude da criança é o perdão. Elas brigam entre si e, dali um instante, estão brincando juntas novamente, como se nada tivesse acontecido e como se não tivesse divergências entre elas.[1]

Talvez não à toa Jesus fale sobre a necessidade do perdão nesses capítulos. Ele explica que cada um é salgado com fogo, isso é, purificado, mas que se não houver paz uns com os outros, essa purificação é sem nenhum sabor, de nenhum proveito (o sal fica insulso).

Quando questionado: então quantas vezes devo perdoar meu irmão? Sete?, como se essa fosse uma quantidade de perdão absurda, Jesus acrescenta: Não, querido! mas 70 vezes 7!

Dessa resposta, no mínimo, precisa ficar claro que o amor, a misericórdia e o perdão de Deus são muito maiores do que podemos imaginar!

Ainda querendo hierarquizar ou, até mesmo, segregar, os discípulos se incomodam com umas pessoas que falavam de Jesus, mas não o seguiam, ao menos não como os discípulos incomodados seguiam. Jesus simplesmente diz para deixar tais pessoas em paz, afinal, quem não é contra é a favor.

Por fim, e para mim as parábolas que possuem mensagem mais nítida no contexto dos capítulo, Jesus fala sobre as 100 ovelhas e sobre o credor incompassivo.

Ao falar que ele não admite apenas 99 ovelhas, mas que quer todas as 100, associando isso ao escândalo, para mim fica esclarecido que, nesse contexto, escândalo é tudo aquilo que faz uma ovelha, ainda que uma só, se desgarrar. Escandaliza quem faz alguém se afastar de Cristo. Escandaliza aquele irmão ou irmã que não aceita alguma pessoa na igreja e a faz se desgarrar. Escândalo é um cristão fazer uma pessoa perecer na fé, escândalo é um crente fazer qualquer outra pessoa acreditar ser indigna de salvação e de misericórdia. Parece-me, leia e julgue por si mesmo, que é a esse escândalo que Jesus se refere.

Talvez por isso a parábola do credor incompassivo esteja nesse contexto também. Parece-me ser a prática que tendemos ter: somos perdoados de uma enorme e impagável dívida (impagável!); com o tempo, nos adaptamos a determinados padrões e, logo, esquecemos do anulamento da nossa dívida; então, quando vemos outras pessoas que não seguem nossos padrões, nossos costumes, mas dizem amar Jesus, esperamos que paguem centavo a centavo, exigindo-lhes que sejam perfeitos, que sejam irrepreensíveis e que sigam nossas tradições!

Contudo, se querem os cristãos continuar dizendo que é a homossexualidade pecado, deveriam passar a orar da seguinte maneira: assim como perdoou minha impagável dívida, Jesus, perdoa a dos homossexuais. E, dessa oração, deveria resultar práticas de aconchego aos que são diferentes, para que nunca se desgarrem do rebanho.

O que fazem os cristãos está, contudo, longe disso. Permanecem como escândalos (que segregam) mediante o sacrifício de Cristo!

Se haver gays na igreja ofende os heterossexuais cristãos, estes deveriam, de coração, perdoar-lhes. Perdão como o de Cristo, que não lança em rosto a falta, mas que ama indistintamente. Aos que não conseguem sequer suportar gays na igreja, cabe a leitura dos versos 33 ao 35 de Mateus 18.

Se, como dizem alguns cristãos, ser gay indica um estado de perdição, então Cristo veio para os gays, sim, porque ele veio para os perdidos e é nos perdidos que ele tem o maior prazer!

Não se pode deixar de notar, ainda, o sentido de escândalo como sinônimo do próprio Cristo.

Cristo foi um escândalo, uma rocha de tropeço aos que confiavam na lei, nas regras impossíveis de se seguir. Quando Cristo convida todos os pobres, todos os cansados e oprimidos a se juntarem a ele e, mais, quando ele abre os braços e morre ou, melhor, ressuscita, Cristo se torna loucura. Ele, ao se fazer maldição na cruz, foi escândalo e loucura! Um escândalo para agregar a todos!

Jesus escandalizou todo o sistema religioso, que segregava, excluía e oprimia, pois disse: vinde a mim, vós, vinde todos! Vinde e eu vos aliviarei!

Tenho por mim que, já desde esse sermão de Mateus 18, Jesus também profetizava sobre si mesmo: o escândalo Cristo é necessário, mais ai daquele homem por quem o escândalo vem. Ai de Jesus! Seria melhor que morresse de uma vez, atirado ao mar, do que suportar o martírio do escândalo, não a dor exatamente, mas todo o escárnio, zombaria, desafetos. Odiaram o Amor.

Os escândalos que agregam, como foi Cristo, são necessários, pois fazem com que as pessoas repensem a própria fé, avaliem o quanto ela está calcada no amor ou o quanto está alicerçada em vãs convicções de meritocracia espiritual.

É um enorme problema ser um escândalo que segrega, que afasta de Cristo. Contudo, se ser gay causa algum escândalo para a Obra, creio que é porque demonstra que a Igreja não está abraçando a todos, que não se agrega a todos os pequeninos, que se faz distinção daqueles que não podem seguir Jesus como acreditamos ser necessário. Que o ser gay-escândalo promova alguma renovação da compreensão de Cristo como sendo Amor indistinto por todos, porque Cristo é exclusivamente Amor, 70 vezes mais do que poderemos imaginar!

A releitura de Lucas 10:56 é conveniente: Jesus não veio para destruir as almas, mas para salvá-las, mesmo as daqueles que não o recebem.

“Perdoa minhas dívidas assim como eu perdoo aos meus devedores”.

[1] A pureza da criança também está em não fazer distinção de nenhum tipo, seja de gênero, de cor, de classe social, ou mesmo de condição sexual. Para aprender essa distinção, ela precisa passar por terrível tortura psicológica a fim de que assimile as tradições do patriarcado!

#038: Todos os versos bíblicos para condenar os homossexuais!

No PDF a seguir, disponibilizo os versos1 da Bíblia que dão base à compreensão tradicional de que a homossexualidade é pecado.

Sugiro a leitura dos versos (e das passagens – nunca se apoie em versos isolados!), e a comparação das traduções que listei no PDF, as quais são, nessa ordem: Almeida Revista e Corrigida (que é a usada na CCB), Nova Versão Internacional, Almeida Revista e Atualizada, O Livro, Versão Católica e a Nova Versão na Linguagem de Hoje). Essas traduções podem ser acessadas facilmente por meio de aplicativos e sites gratuitos. Recomendo esses dois:

Bíblia Online: www.bibliaonline.com.br

YouVersion: www.bible.com (Esse tem app para celular. Instale, faz bem!)

Resumidamente, espero que compreendam, algum dia, que com base o Velho Testamento, o termo sodomita parece estar muito associado a homens prostitutos cultuais. Por vezes, o termo é associado junto da prostituição feminina. Se o homem já possuía papel dominante em relação à mulher, o que parece razoável pressupor, essas prostitutas e prostitutos não serviam sexualmente apenas aos homens? Talvez seja devido a isso a “admiração” de Paulo em Romanos 1, ao dizer que “até as mulheres, agora, estão se inflamando entre si”, já que as mulheres, até então, eram prostitutas (cultuais) para os homens (?). Aliás, o contexto de Romanos 1 está explicitamente associado à idolatria e ao culto pagão com suas orgias, assim como esses versos do Velho Testamento que fazem referência ao termo sodomita ou similares.

Será que os versos de 1 Timóteo 1:10 e 1 Coríntios 6:10, mais isolados de qualquer contexto que ajude a entender a que se referiam os termos, também poderiam estar associados a esse caráter de idolatria? Se não podem, é importante destacar, por exemplo, que esses mesmos versos dizem que os “injustos não herdarão o reino dos céus”! E quem é que pode declarar-se justo? Também dizem, em pé de igualdade em relação à condenação temerária aos homossexuais, que os mentirosos não entrarão no reino dos céus. Porque é que cristãos fundamentalistas não abominam (ou não dizem que Deus abomina, como fazem para se esquivarem de preconceitos próprios), igualmente, a mentira e, por vezes, até mentem? É bom lembrar que em Apocalipse condena-se quem “ama ou comete a mentira”!

E quanto aos adúlteros também condenados nos versos citados de 1 Coríntios e 1 Timóteo? Por que é que, depois de um tempo, eles até podem ser razoavelmente bem recebidos nas igrejas, contudo, o homossexual jamais o é?

Se os “fornicadores” também estão excluídos, nos mesmos versos, por que é que há alguma tolerância para aqueles que cometem fornicação (no sentido entendido pela igreja, de sexo antes do casamento), mas aos homossexuais, nunca?

Como é que meia dúzia de versos fazem o homossexual abominação indiscutível e, outras dezenas ou mesmo centenas não fazem o heterossexual adúltero ou fornicário igualmente abominável? Alguns pais de jovens que fornicam no mínimo se entristecem e acolhem o filho que “errou” (mesmo que acreditem que a fornicação é “pecado de morte”), fazem o casamento deles e jamais, jamais, os chamam de abominação, nem de endemoniados, nem de doentes!

Se isso não for dois pesos e duas medidas, não sei o que é! Inclusive, se se fizer Levíticos valer para condenar os homossexuais, é bom ler Levíticos 19:35 que diz “não cometereis injustiça no juízo”. Condenem e excluam os homossexuais, sim, mas igualmente a dezenas de outras pessoas: mentirosos, invejosos, lascivos, caluniadores, obcecados por acumular dinheiro ou riquezas, maldizentes, sem palavra firme, que gostam de comilança… Apenas cuidado para, condenando a todos assim, você não condenar a si mesmo mesmo (“Por isso, é inescusável quando julgas!” – Romanos 2) e “cair da graça”. Aliás, a única referência na Bíblia para a expressão cair da graça, que ocorre em Gálatas 5:4, faz referência àqueles que confiam em obras, não em justificação por fé em Cristo.

Resta compreenderem, então, que o termo homossexualidade (muito atual e que se refere à homoafetividade também) nada tem a ver com a idolatria denunciada em tais versos e contextos. Tão pouco a homoafetividade tem a ver com as orgias dos cultos pagãos! A homoafetividade sequer tem a ver com a promiscuidade que se nota entre heterossexuais!

Se não podem ter certeza dos pensamentos de Deus e de Seus juízos, no mínimo, conheçam aqueles a quem estão apedrejando e matando em nome do Amor de Jesus e do zelo pela Obra.

Como não podem ter certeza, continuo preferindo estar no juízo de Deus, que conhece os pensamentos e os segredos do coração, do que na mão das pessoas, pois, é como está escrito: “Não há um justo, nenhum sequer! Não há ninguém que faça o bem. Veneno de serpentes está nos seus lábios”.

Foto adaptada de Unsplash, Joel Muniz

1 Posso ter deixado passar alguma passagem ou mesmo desconhecer. Se for o caso, avise-me para que eu atualize a lista. Acredito que não listei apenas Romanos 1, por ser bom ler o trecho todo. Leia! No texto #023 falo sobre isso. Também é comum associarem a destruição de Sodoma e Gomorra, de Gênesis 19, à homossexualidade. Sobre isto, você pode ler o texto #012 desse blog.

TAGS: homossexual, homossexualidade, gay, lésbica, bissexual, transexual, travesti, intersexual, assexual, CCB, Congregação Cristã, LGBT, LGBTI, LGBTIA+.

#037: O espírito da homossexualidade [2]

Interrogado sobre um adultério,

em silêncio inconivente,

Jesus, na areia, escrevia:

“O espírito de glutonaria;

o de bebedice ou de borrachice;

o espírito da feitiçaria, e o da idolatria;

espírito da soberba, espírito da ganância e de arrogância e de avareza;

o espírito da inveja, e o da vaidade;

espírito dos cuidados da vida, de desonestidade;

de contenda, de dissolução;

espírito de homicídio,

e de roubadores e de usura;

espírito de mentira, de perjura

e o da difamação e o de maldizente e de falso crente;

espírito de concupiscências, de devassidão ou de fornicação;

também há o da hipocrisia.”

Apesar, ainda há aqueles que, em seu nome,

dizem haver muitos maus espíritos,

demônios

ditos anjos caídos dos quais,

e só por hierarquizar já erram,

“o mais baixo é o espírito do homossexualismo (sic)”.

Sem compreender, associam minha homossexualidade

àquele comportamento sodomita,

que impulsiona ao sexo que não gera filhos, prazeres ou amores,

sexo não consensual e, por isso, nada natural,

cheio de violência e de horrores e de dissabores.

Esses, sim, são “espíritos” diabólicos!

Impossível é convencer-lhes a diferença

entre sincero prazer mútuo

e maldosa desavença,

se sequer distinguem amor de terror.

Aos que não querem entender o que Jesus escrevia na areia,

sempre será a homossexualidade

enfermidade demoníaca,

obra dos mais baixos espíritos diabólicos,

porque o amor entre dois homossexuais

é, para aqueles, o pior de todos os pecados mortais.

Sim, há quem não compreenda o Amor!

Sobre o termo sodomita, leia o texto 12 do blog, Sodomitas não entrarão no reino dos céus?

#036: Eu sou um cordeirinho

Após algumas crises depressivas fortes e solitárias, com pico em 2013, eu comecei a pleitear com Deus, questionando-O e cobrando que Ele tivesse alguma ação efetiva em minha vida, no que se referia a minha sexualidade, até então, muito mal resolvida.

Eu ainda não era completamente capaz de entender Deus para além da igreja e, ainda, havia muito em mim que acreditasse na Congregação como O caminho para a salvação (em uma terrível idolatria minha, porque atribuía à instituição religiosa aquilo que deveria ser conferido exclusivamente a Cristo).

No meio de 2014, com o retorno de crises depressivas, eu estava decidido mudar-me para longe, onde ninguém me conhecesse, a fim de me permitir viver em paz, sem aquele medo de causar escândalo à igreja caso eu vivenciasse minha sexualidade, porque eu percebia que já não podia suportar escondê-la ou negá-la.

É interessante que meu medo não estava relacionado a Deus, mas ao potencial escândalo que minha homossexualidade poderia causar aos irmãos e à congregação em si. Havia, sim, momentos em que eu vacilava na fé da minha salvação, dias em que eu duvidava poder alcançar a salvação, e era atormentado com os terrores de ir para o inferno. Mas não era exatamente um medo de Deus, nem um medo de Ele me detestar, até porque, sempre que eu me sentia acusado, as Palavras diziam o contrário e me justificavam: elas continuamente afirmavam que era amor e não ódio o que Deus sentia por mim. E eu tinha de crer nisso!

Lembro-me de, ainda muito jovem, ter tido estímulos sexuais por ver um homem em uma revista aleatória que estava em minha avó, o homem sem camisa etc. Por isso, por não querer sentir o que sentia, chorei horrores, com muito desgosto de ser quem eu era e, com o pouquíssimo conhecimento da Bíblia que eu tinha à época, me veio a passagem em que o sumo sacerdote Josué é justificado e purificado com a brasa viva, trazida na tenaz pelo serafim (eu sequer sabia onde estava escrito isso). Coincidência ou não, no culto daquele dia a passagem lida foi justamente essa e eu (viado que já era!) chorei horrores (porque homem não chora! chora sim!) logo na leitura ao perceber o assunto.

O fato é que Deus jamais se ausentou ou se distanciou de mim, se considerarmos que é Ele quem fala por meio das Palavras pregadas na Congregação. Com base nas pregações que eu sempre ouvi, eu jamais me senti excluído [1] porque sempre entendi que Deus me queria ali na igreja, como um de seus cordeirinhos.

Contudo, em 2014, com meus 26 anos, eu comecei a querer fugir, não de Deus, mas da igreja. Minha intenção era me mudar de São Paulo para Santa Catarina, inclusive fui até esse estado para ajustar um trabalho. Assim que voltei do Sul, congregado na central de São Carlos/SP e do lado de fora da igreja (costume que eu jamais poderia supor que eu adquiriria, pois eu sempre chegava cedo para tocar nos cultos…) eu ouvia a Palavra, que me dizia (nas poucas vezes que presumi uma confirmação divina em assunto material) que Deus cercaria meus caminhos e que me faria ir para outro caminho que não o que eu planejava.

Semanas depois, mudei-me para Ribeirão Preto/SP, a trabalho em um emprego que surgiu na mesma semana dessa Palavra que citei. Lá, em vez de me esconder, como pressupunha ser o melhor, a primeira coisa que fiz foi ir a uma Reunião de Jovens. Apesar de já não me sentir um dócil cordeirinho, por estar bastante relutante com o Senhor, em um dos dias mais depressivos que tive nessa cidade, minha “libertação” veio por meio da lembrança da poesia do hino 441 [2], enquanto andava por uma das vias daquela cidade, pois compreendi que mesmo me sentindo sozinho em um deserto eu poderia ter a certeza de que Cristo estava bem perto, porque residia em mim, em meu coração.

Eu tenho evitado escrever textos, pois não gostaria de apenas criticar a igreja, ou suas tradições e práticas, ditas cristãs, mas que excluem os homossexuais, pois os faz se anularem e repugnarem a própria essência, a própria natureza sexual. Esse cuidado, apesar de nele eu falhar miseravelmente, vem do fato de que, embora afastar-se da igreja possa ser necessário para curar as feridas de muitos cordeirinhos homossexuais, esse distanciamento não vem sem lhes causar outras feridas.

É com orgulho que, por muito tempo, dizemos (ou dissemos) o “eu nasci e cresci na Graça!” ou o “eu sirvo a Deus, por graça e misericórdia, na Congregação!”. É comum a igreja tornar-se algo que cada membro, inclusive aqueles que são homossexuais, coloca em lugar de destaque na vida, a ponto de confundir a instituição com o próprio Cristo (explícito no uso do termo Graça como sinônimo da igreja [3], por exemplo). Pertencer à Congregação é motivo de orgulho e, ainda que apanhando com muitos discursos homofóbicos, somos (ou fomos) capazes de encher o peito com prazer ao dizer que somos crentes da Congregação.

Lutamos e nos debatemos muito, com o intuito de conseguir nos moldar às tradições. Ainda que isso nos fira dia após dia, desejamos arduamente permanecer na igreja à maneira como somos ensinados e, no que se refere à homossexualidade, debatendo-se contra ela. Não se trata apenas de não fazer “sexo homossexual”, mas de empregar energia emocional e psicológica tão demasiada que, em algum momento, somos consumidos ou de incontrolável tristeza ou de enorme falta de fé. Mas sair da igreja, abandonar os costumes que em outro tempo nos eram quase divinos, abrir mão de tocar na orquestra ou de outras liberdades que temos, ignorar as próprias crenças… para sofrer menos com a homofobia cristianizada, nem sempre é menos doloroso do que permanecer na igreja.

Apesar de essa homofobia ser incoerente e de ela precisar ser, sim, debatida e criticada à luz do próprio Evangelho e da mensagem de Cristo, acredito que a Congregação possa ser um lugar que sirva de aprisco também para os cordeirinhos homossexuais. É difícil ignorar alguns discursos e mais ainda se lapidar para caber neles, mas os homossexuais que não conseguirem enxergar Cristo para além da igreja (qualquer seja ela!) podem, no mínimo, se apoiar naquilo que há de belo em cada uma. Pode confiar que Jesus é, sim, seu Pastor; pode confiar que, ainda que a homossexualidade fosse, de fato, a abominação que dizem ser, Cristo coloca em seu braço cada cordeirinho gay e os carrega consigo para levá-los a um aprisco de verdadeira paz.

É difícil acreditar que a homossexualidade não é pecado e, presumo, é impossível de se provar isso à maneira como querem (a única prova é a ação do amor de Deus na vida de cada um, mas isso não perece ser suficiente para muitos). Contudo, é indiscutível que Deus ama a todos, pois quer que todos se salvem. Se assim é, seria bastante incoerente Ele não desejar exatamente o mesmo àqueles que O amam, ainda que sejam homossexuais.

O hino Eu sou um cordeirinho é bastante conhecido pelos irmãos da CCB, pois talvez seja o primeiro hino que toda criança aprende a cantar. Por isso mesmo, eu jamais poderia esperar haver alguma libertação nele, no sentido de uma reflexão que promovesse em mim tranquilidade e paz de espírito, pois tornei-o comum. Ao me atentar para a beleza da singela poesia desse hino e perceber a profundidade daquelas palavras, quase ignoradas, encontrei libertação e alívio às minhas tribulações.

É nesse aspecto que recomendo (enquanto não se consegue compreender Cristo para além de qualquer igreja) procurar olhar mais para a beleza que há no meio cristão, pois, apesar de toda a homofobia e incompreensão que a maioria dos frequentadores de igrejas têm, sempre há aquele irmão ou aquela irmã em cujo amor cristão e fé verdadeiros acharemos descanso, carinho e fraternal afeto. É nisso que os verdadeiros cristãos se distinguem do joio: em ter a fé pequena como o grão de mostarda, mas capaz de tornar-se uma enorme árvore em cuja sombra os pássaros encontram alívio e descanso.

Se, ainda assim, tudo na igreja parecer nos rejeitar, devemos crer ao menos na profecia que aprendemos a cantar desde a nossa meninice: “O meu Pastor amado me guia até o fim!”.

Apesar de viadinhos, somos todos cordeirinhos da sua grei!

[1] Embora eu não tenha me sentido excluído ou diretamente acusado em nenhum culto, tive o privilégio de sofrer menos por não ser efeminado e, por isso, ninguém desconfiava de mim para me direcionar pregações nesse contexto (acontecia justamente o contrário, apesar de minha homossexualidade, recebi inúmeras pregações exaltando meu testemunho e me fazendo promessas que jamais fariam para um homossexual, como que Deus prepararia meu matrimônio – quando eu não buscava um -, ou que minha esposa já estava preparada e logo eu a encontraria – quando eu não buscava uma -, ou, até mesmo, que eu faria parte do Ministério, que eu seria pregador etc. – é importante provar os espíritos, e discernir aqueles discursos que vem de Deus e fazem nos achegar a Ele daqueles que vem do homem, ainda que digam ser em nome de Deus!).
Por vezes, já recebi relatos de jovens homossexuais que disseram terem sido acusados diretamente, com o dedo do pregador sendo apontado para eles, figurativa ou literalmente. Eu, em qualquer contexto, sempre desconfio de pregações direcionadas. Talvez não seja à toa que há, inclusive, ensinamentos oficiais da CCB orientando aos pregadores que não façam isso e condenando a prática. Além disso, é como está escrito: “Ai do homem que diz ‘O Senhor te manda dizer’ quando Deus não disse nada!”. A pregação verdadeira não é, jamais, a que nos faz duvidar do amor, misericórdia e compaixão divinos, mas é toda aquela que nos aproxima de Deus, dando-nos certeza e confiança do Seu amor e da salvação!

[2] Hino 441 – Eu sou um cordeirinho

[…] “Sozinho no deserto, jamais eu posso andar.
Jesus está bem perto, a fim de me guardar.
É grande o cuidado que ele tem por mim.
O meu Pastor amado me guia até o fim”

[3] O hino em que cantamos “Graça maravilhosa” ilustra esse fato. Por muito tempo um crente pode cantá-lo imaginando a Congregação em lugar do sacrifício impagável de Cristo, a graça e misericórdia.

#035: Mudez

Gritei. Sim, gritei.

Foi um singelo grito. Primeiro, talvez, de desespero; depois de perdido; de achado; de conciliador iludido; por fim, de revolta escancarada.

Gritei e não me ouviram.

“Vai passar!”, talvez pensassem. Não a minha dor ou revolta, isso pouco lhes preocupa. “Vai passar mais esse grito; não vai nos abalar”.

Imóveis ficaram. Não escutaram nem escutam.

Silenciaram-se.

Sem sonho nem revelação, em proveito ou oposição ao meu grito. Não houve. Não ouvem.

Gritei no silêncio da juventude, em lágrimas. Gritei na calada da mocidade, em zelo. Gritei na mudez própria dos adultos, em dedicação. Gritei na revelação do hoje, na reclusão.

Não me ouviram. Não perceberam. Esquivando-se, calaram-se.

Gritei baixo, gritei pouco, gritei como louco: salvem-me, não me encaixo!

Não me ouviram. Sequer percebem que já há muito me perderam, aos inaudíveis gritos que foram dados.

Não houve profeta, não houve visão, não houve revelação… Nada que direcionasse meus passos ao “bom caminho”, como dizem. Não houve porque não ouvem.

Não houve juízo nem acepção, porque não perceberam minha “inclinação diabólica”, como dizem. Ao contrário disso, por cegos estarem e verem apenas com os próprios olhos, houve bajulação.

Têm olhos e não viram, boca e não falaram, ouvidos e não ouviram nem ouvem. Como o mudo, cego e surdo ídolo, ao qual abominam, não ouvem, não se importam com a perda e por ela fiam.

Não ouvir e perder a tantos que não se encaixam lhes é conveniente. Evitam embaraços e os sediciosos se espalham.

Grito, gritei, gritamos. Não houve um movimento sequer que os fizessem ouvir.

Silenciosamente gritei, juro.

Não ouviram nem ouvem.

Por não ouvirem, para muitas coisas consegui dizer: adeus!

Não ouvem, graças a Deus!

Gritei. Gritemos. Com sorte, não nos ouvirão. Como se não vissem, permitirão que nos desgarremos à liberdade, enfim.

Gritemos, a fim de que não nos ouçam. Percebendo que não somos ouvidos, nos livraremos daquilo que tem olhos e não vê, boca e não fala, ouvidos e não ouve.

Percebendo que estes não nos ouvem, poderemos nos inclinar Àquele que, apesar de invisível aos nossos olhos, mais do que nos ouve, pois nos compreende e ama.

Eis que clamo: Violência! Porém não sou ouvido. Grito: Socorro! Porém não há justiça.

Jó 19:7

Tags: gay cristão, gay ccb, homossexual, LGBT, lésbica, transexual, travesti, bissexual, homossexualidade, bissexualidade, transgênero, religião.

#034: Posso ser meio viadinho?

4 de novembro de 2015, 22 h 37 min.

Jardim Lutfalla, São Carlos.

28 °C – Foi um dia quente!

Minha mãe está morando comigo, meu pai, em outra cidade devido ao trabalho.

Eu saúdo ela com “a Paz de Deus” e me tranco em meu quarto.

Visto uma camiseta surrada, pois mais confortável para dormir.

A calça do pijama é azul-claro, minha mãe quem coseu. Está calor, mas desde que me batizei só usava calças, mesmo para dormir!

Não vejo a rua, as janelas já estão fechadas. Sinto-me ranzinza. Há muitos anos que eu não consigo dizer “eu te amo” ou “eu te amo também”. Há anos que eu não consigo abraçar expressando meu amor. Minha mãe não recebe demonstrações de meu afeto.

Viado enrustido, eu inconscientemente assimilei que não poderia demonstrar carinho nem qualquer outro sentimento! Temia que, ao me abrir emocionalmente, descobrissem que eu era assim, “meio gayzinho”.

Embora eu fosse a pessoa mais calma do mundo, não tinha nenhuma paciência para manter uma conversa com as pessoas. Queria sempre fugir de qualquer pergunta. De perguntas sobre minha vida particular, ainda que eu não praticasse nada além do casa-igreja-casa.

A repressão era tamanha que eu não conseguia dizer “amo você” à pessoa que mais importa na minha vida. Minha mãe deixou de ouvir “amo você” a partir do momento em que eu entendi que eu gostava de homens e que isso era errado (segundo dizem aqueles que detém a verdade). Desde os 11 ou 12 anos. Reprimi-me absolutamente.

Eu estou bem. Mas, ao me lembrar disso, choro fortuitamente.

Como pôde “Deus” requerer que eu me reprimisse (pois parece que demonstrar ser gay é tão errado quanto sê-lo) ao ponto de, junto, reprimir o amor que eu sinto por minha mãe?

Como pôde “Deus” se alegrar de me ver congregando, domingo a domingo, em alguns dias três vezes, se isso era também uma fuga, uma maneira de me esquivar de mim mesmo e dos meus sentimentos, de me anular de tal modo a dissimular o carinho que eu sinto pelos meus familiares, por minhas avós, minha irmã, mãe… ?

[…]

4 de novembro de 2019, 22 h 24 min.

Bela Vista, São Paulo.

26 °C – Foi um dia quente.

Passeei pela av. Paulista com um gay, muito simpático, e pouco me importando com o que pensariam de mim se me vissem junto dele. No fundo no fundo, eu queria mesmo era que algum conhecido me visse.

Chego em casa. Olho pela janela e vejo a rua Augusta, maravilhosa. Está querendo chover e a lua, linda. Tiro a camiseta e visto uma bermuda leve, após o banho. Eu também me sinto leve.

Livre.

Meus amigos mais íntimos sabem que eu sou gay e foi um alívio lhes contar.

Há anos o irmão ancião Arquimedes dizia, em certa Reunião de Mocidade: Moço, se sua atração não é por moça, procure um profissional, um psicólogo.

Eu, há alguns poucos meses, comecei a fazer sessões remotas com um psicólogo do Rio. Há duas sessões, consegui perceber com mais clareza o que eu penso sobre o sexo. Na última, consegui perceber como eu me reconheço na igreja, ou melhor, como reconheço a igreja em minha vida.

Levei uma caneca com um coração de arco-íris escrito LOVE e a deixei no trabalho, sobre minha mesa (algumas pessoas de lá começavam a me instigar a “arrumar” uma namorada – como me frustra a presunção de que as pessoas são heterossexuais!).

Também comprei umas roupas mais justas, umas camisetas meio de viadinho, sabe? Embora, não, isso nada tem a ver com homossexualidade, foi com elas que alguns amigos começaram a me zoar, a perceber que eu estava “meio pra frente” e, a partir disso, eu comecei a “sair do armário” para eles.

Eu me sinto livre, me sinto mais leve, me sinto mais em paz… só com essa pequena “saidinha do armário” que já dei.

Eu também me sinto muito mais próximo de Deus. Sábado, por exemplo, acordei com uma questão, uma inquietação a respeito de um trecho bíblico. Senti de orar de joelhos, de olhos fechados etc. (porque minhas orações têm sido conversas com Deus em pensamentos, em qualquer momento do meu dia a dia, sem protocolos). Orei. Lembrei que o saudoso irmão Francescon teve a revelação sobre o batismo por imersão (que acarretou no rompimento dele com a igreja Presbiteriana a qual pertencia – sim, as pessoas rompem com a igreja quando não concordam com ela em algum ponto!) ao ler a Bíblia ajoelhado e fiz isso também. Peguei a minha, abri-a a esmo e li o livro de Jonas. Obtive respostas que me amainaram.

– Isso não é nenhum sinal de que Deus está contigo! – alguns fervorosos podem dizer, corretamente.

– Isso é bastante subjetivo! – outros poderão dizer, acertadamente.

– E daí? – digo.

A fé destes também é subjetiva!

Sinto-me livre e perto de Deus, com liberdade com Ele! Ponto.

Não só isso, pela segunda vez em menos de uma semana consegui dizer “mãe, amo você”.

Choro novamente.

Não posso acreditar que acreditei haver “Deus” na repressão que me condicionava a me anular fazendo-me amargo, áspero, sisudo e que me impedia dizer “amo você” àqueles a quem eu tanto amo.

Se é para amar, seja quem você é, mesmo que você seja bem viado!


Tags: gay cristão, gay ccb, homossexual, LGBT, lésbica, transexual, travesti, bissexual, homossexualidade, bissexualidade, transgênero, religião.

#033: Posso buscar conhecimento fora da bíblia para compreender minha homossexualidade?

É comum ouvirmos, na Congregação Cristã no Brasil (CCB), que devemos rejeitar “leituras estranhas” no que se refere a compreender a vontade de Deus por meio de recursos que não sejam a própria Bíblia (ou os ensinamentos transmitidos na igreja). Por esse motivo, eu evitei buscar qualquer ajuda para me compreender afetiva e sexualmente, pois acreditava piamente no discurso de que a homossexualidade é a maior abominação de todas e que Deus não a tolera em hipótese alguma.

Rejeitei qualquer material secular. Porém vivi toda minha vida lendo avidamente a Bíblia. Sempre foi e ainda é um grande prazer me reunir com amigos ou com um e outro irmão para conversarmos sobre textos bíblicos.

O fato é que, a partir de minha leitura da Bíblia por meio da Bíblia, compreendi que o desejo de Deus é salvar a todas as pessoas [1] e “ressignifiquei” minha compreensão sobre predestinação. Depois, comecei a perceber o quanto eu era condicionado a ler a Bíblia enviesado à compreensão que fazem dela. Pior: direcionado à compreensão que fazem de versos isolados da Bíblia. Cria-se doutrinas, normas e condutas a partir de um pequeno trecho, com meia dúzia de palavras distorcidas e, não, não me refiro à homossexualidade necessariamente.

Um exemplo contextualizado com o que já falei: aquele trecho que diz “a letra mata, mas o espírito vivifica” juntamente do “examinais as escrituras” [2] são amplamente utilizados para afirmar: não se deve “estudar” a Bíblia, mas apenas examiná-la, porque a letra mata. Dito de outra maneira, e quem é da CCB entende muito bem: na igreja há a crença (não oficial, mas bastante inculcada e enraizada) de que não se deve ler a Bíblia como que querendo entendê-la de modo sistemático, estudando-a, mas apenas examiná-la para ver o que Deus, por seu Espírito, quer revelar.

(Eu não estou criticando nem duvidando de que Deus, por meio de um verso isolado, possa falar com alguém; eu seria hipócrita se fizesse isso, pois a mim mesmo foram dadas grandes libertações por meio da leitura de um verso bíblico.)

Por conta desse preconceito em relação às “leituras estranhas” eu jamais havia pesquisado conteúdos que explicassem a homossexualidade e a Bíblia, apenas acreditava no que ouvia por meio da igreja: “homossexualidade é pecado, está na Bíblia, acredite em meu discurso porque eu sou iluminado e detenho a correta e única interpretação das Escrituras!”.

Em certa ocasião, em 2016, li Romanos e Efésios e outros textos bíblicos que falam sobre a predestinação e percebi o imenso amor de Deus: predestinou Cristo para nossa salvação!

A partir dessa percepção, li Gênesis 19 e fiquei atônito por nunca ter percebido que esse texto nada tem a ver com a homossexualidade, mas, assim como Juízes 19, tem a ver com a violência ao estrangeiro e com a humilhação por meio do estrupo coletivo. Li Aos Romanos 1 e percebi que a depravação de que Paulo trata está, na verdade, mais relacionada à idolatria, ao culto sexual, assim como poderia estar em Levíticos 18 e 20 e como é sugerido em 1 Reis 14 e 22. Eu, enfim e graças a Deus, percebi que poderia haver uma interpretação que, assim como toda a Bíblia, estava pautada no amor e na misericórdia de Deus e não no pavor e no terror do inferno.

Continuei evitando “leituras estranhas”.

Por fim, há pouco mais de seis meses, encontrei um livro antigo, disponível em uma prateleira da empresa em que trabalho. Data de 1980 aproximadamente e explora a homossexualidade e a questão cultural e social a qual a Bíblia pode ter sido escrita. Hoje vi outro material: um vídeo de um gay católico resumindo, em 20 minutos, o que eu levei 28 anos para compreender, sozinho.

Ainda que eu aprendi que deveria rejeitar “leituras estranhas”, e ainda que eu tenha rejeitado tais leituras, eu cheguei à mesma percepção dessas pessoas com suas “leituras estranhas”!

Se eu tivesse buscado essa compreensão em materiais “seculares”, talvez eu pudesse ter sofrido menos tempo, talvez pudesse ter me compreendido antes… poderia ter rompido com o pavor do inferno e desfrutado o amor de Deus desde mais cedo!

Afinal, por que não podemos tentar nos compreender sob uma ótica de amor, de misericórdia e da graça de Cristo?

Por que os cristãos heterossexuais usam para si o Espírito misericordioso que vivifica e para nós, gays, a “letra” que mata e que tanto nos priva do amor de Deus (segundo a leitura que eles fazem das Escrituras)? Por que não se submetem, então, à mesma “letra”, às mesmas leis?

Por que não podemos nos espelhar no nosso próprio Senhor Jesus e ler a Bíblia como ele: com olhos de amor, com entendimento de misericórdia, pelo Espírito que vivifica e superando a letra, a dura lei, que mata?

Um diabo, tentando a Jesus, diz-lhe: Faz isso por que está escrito isso a teu respeito!

Jesus, armado do conhecimento das Escrituras, diz ao tentador: E também está escrito isso e isso, seu bobo!

Em outra ocasião, alguns hipócritas fariseus, tentando o Mestre, disseram-lhe: O que fazemos com essa mulher, que foi pega adulterando?

Jesus, armado das Escrituras e do amor de Deus, diz-lhes: Ora, santíssimos e piedosos, o que dizem as Escrituras?

Os santos hipócritas: Que ela seja apedrejada!

Jesus, conhecendo a todos e superando as Escrituras, diz-lhes: Pois bem, quem não tem pecados que cumpra essa lei e todas as outras!

Ninguém atirou pedras, pois o Espírito de Deus os acusou em amor e em defesa daquela mulher, embora tivessem o respaldo da letra que permitia que ela fosse apedrejada, sim.

E outra vez, a mesma classe de hipócritas diz ao Mestre: Você é ignorante? Não conhece as Escrituras e os ensinamentos? Não sabe que está escrito que se deve guardar os sábados?

Jesus, superando a letra que mata, justifica sua cura sabática dizendo-lhes: Pensem bem, queridos hipócritas, qual de vocês que não resgataria uma ovelha no sábado se ela caísse em um precipício?

Pensa bem, querido hipócrita, porque a você graça e misericórdia, perdão e salvação, e ao outro dureza e severidade, rancor e ódio, morte e condenação?

Acredito que devemos rejeitar as leituras e interpretações estranhas, sim! Devemos rejeitar tudo o que for estranho ao amor inefável de Cristo, que superou a malícia, a ignorância e a hipocrisia dos que se achavam sábios ou santos para demonstrar misericórdia aos que se sentiam abatidos e marginalizados, e para demonstrar amor e alívio aos oprimidos por um sistema religioso que discriminava em lugar de abraçar.

Graças a Deus que, por meio de Cristo, já não precisamos acreditar que somos odiados de Deus. Graças a Deus que nos deu seu Espírito, vivificante, e que nos guia em toda a verdade, de modo que, como está escrito, não precisamos ser ensinados por nenhuma pessoa [3], pois esse Espírito está em todos nós: um sentimento amoroso de Deus que ouve nosso clamor, enxuga nossas lágrimas dizendo que nos ama e direciona nossos passos, se o ouvirmos e nele crermos.

É como está escrito: Seja Deus verdadeiro e os homens mentirosos! [4]

Como diz Davi: Ainda que estejamos em erro, é melhor cair nas mãos de Deus, pois grande é sua misericórdia, do que nas mãos dos homens. [5]

Se no tempo da dura lei era melhor estar nas mãos de Deus, muito mais agora, em tempos da revelação de sua graça e de seu amor.

Acreditemos, portanto, em Deus e no seu amor, não nos homens e na sua incompreensão de Cristo.

[1] 1 Timóteo 2:4
[2] Trechos dos versos de II Coríntios 3:6 e João 5:39.
[3] 1 João 2:20
[4] Romanos 3:4
[5] 1 Crônicas 21:13


Tags: gay cristão, gay ccb, homossexual, LGBT, lésbica, transexual, travesti, bissexual, homossexualidade, bissexualidade, transgênero, religião.

#032: Há mais gays porque estamos no fim dos tempos?

Eu até comecei a frequentar os Cultos para Jovens [1] , logo que iniciaram, em 2017. Desisti muito rápido, eu sei. Já no segundo ou terceiro que participei. Era em minha cidade; um dos Anciães da cidade atendia; tudo ia bem. Sem muita interação, mas ia bem: cantamos alguns hinos, oramos, o irmão deu alguns conselhos…

Meu antigo Cooperador de Jovens – hoje Cooperador da Comum em que eu ainda sou Auxiliar de Jovens (embora pouco tenho frequentado as RJM  e há tempo que não congrego nos cultos oficiais de lá) – levantou, na frente do Ancião, pois precisava dizer algo. Precisava, sim. [2]

Eu me lembrava de que ele era bem rígido, e já fazia algum tempo que não congregava com ele. Imaginei que viria alguma doutrina “pesada”.

Temos de voltar a ser como antigamente – dizia ele.

Não entendi imediatamente, mas, enérgico e autoritário, ele prosseguiu: Temos de voltar a ser intolerantes com o pecado, como até mesmo o mundo era intolerante, antigamente.

Eu quis fingir não entender, mas não consegui imaginar outra coisa senão os “bons costumes” e a “boa moral” que, à força e hipocritamente, eram “defendidos” há algumas décadas. Não posso afirmar que ele se referia à ditadura. Não falou isso abertamente. Remeteu a um autoritarismo, com certeza.

Ele dizia que deveríamos voltar, nós cristãos, a ser intolerantes com o pecado.

Cristãos intolerantes.

Aos meus ouvidos soa incompreensível, mas deve fazer algum sentido para muitos, infelizmente.

Não julgo.

Até porque, por exemplo, a mim faz sentido “gay cristão” e sei que, para muitos, isso é uma grande incoerência.

— Temos de voltar a ser como antigamente – dizia ele. — Não tolerar o pecado.

Eu também sei que, para justificar essa intolerância “cristã”, alguns podem usar daquela máxima “ódio ao pecado, amor ao pecador”, mas, como eu já escrevi alguma vez, isso soa para mim como defender “odeiem os latidos, a baba, os pelos do cão, mas amem o cachorrinho”.

Incoerente, ao menos para mim e no que se refere ao homossexual.
Esse discurso de que antigamente tudo era melhor, de que o mundo vai de mal a pior… fica legitimado quando pessoas como esse Cooperador ou como minha mãe (que ainda não sabe que sou gay) veem tantos viados lindos desfilando de mãos dadas por aí.

É como ela disse, certa vez: o mundo vai de mal a pior, é o fim dos tempos mesmo!
– se referindo ao “aumento” “absurdo” de gays.

Não há sabedoria alguma em dizer que o mundo vai de mal a pior, ou em acreditar que antigamente as coisas eram melhores, ou em se apoiar em um saudosismo, na “lembrança” de tempos supostamente melhores que se foram ou na saudade do que, de fato, não se viveu.

É como está escrito:

Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta. (Eclesiastes 7:10)

O mundo não está pior, nem é evidência do “fim dos tempos” haver tantos homossexuais expostos à luz do dia.
Se há alguma evidência do fim dos tempos é o fato de o amor de muitos estar se esfriando, ao ponto de não conseguirem amar os próprios filhos por serem homossexuais, ou de pessoas ditas cristãs rejeitarem ter qualquer comunhão com uma pessoa de “boa índole” e de “testemunho impecável”, mas que “dá pinta”…

A evidência do fim dos tempos não é haver gays querendo ser, a todo custo, cristãos, mas em haver cristãos querendo ser, a todo custo e em nome de Cristo, intolerantes.

É como está escrito:

Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo. (Isaías 43:18-19)

Não tenhamos saudade dos tempos passados, nem acreditemos em discursos de que antigamente, quando nós gays éramos enrustidos e silenciados, as coisas eram melhores. Não há sabedoria nisto!

Acreditemos, porém, que a luz de Jesus brilha sobre nós também, pois Deus fez uma coisa nova, que não estava explícita antigamente; criou um caminho no deserto e rios no ermo, proclamando salvação onde (antigamente e ainda hoje) querem dizer: só há condenação. Criou um caminho que se chama amor de Deus por todos – Cristo. E todo aquele que trilhar esse Caminho será chamado filho de Deus, porque não há ninguém que ame e não seja nascido de Deus, ainda que seja homossexual e “dê pinta”.


[1] Os Cultos para Jovens, no interior de SP, tiveram início em 2017. São cultos voltados para os jovens, com caráter diferente das Reuniões de Mocidade e das Reuniões de Jovens e Menores (RJM).
[2] Cooperador de Jovens e Menores, Cooperadores e Anciães são cargos ministeriais, relativos, entre outras responsabilidades, à exortação da Palavra. São equivalentes, de maneira simplificada, ao cargo de Pastor em outras denominações.


Gay, lésbica, homossexual, LBGT, crente, cristão, evangélico, CCB, Congregação Cristã no Brasil.

#031: Sobre o casamento gay e a CCB

Como escrevi nos dois textos anteriores a este, em 2018 me apresentei pessoalmente e entreguei uma carta [1] a um dos anciães mais “antigos” da capital de São Paulo. Eu tentei expor que alguns discursos pregados na igreja produziam grandes ruínas materiais e espirituais: da morte do corpo, por meio de suicídio, ou da alma, por meio de um afastamento completo da fé.

Novamente, e talvez tangenciando um pouco menos, em 2019 enviei outra carta [2], pouco antes da 84ª Reunião Geral de Ensinamentos (RGE) [3].

É claro que eu sabia que essas minhas manifestações não mudariam nada dentro da igreja, e que os irmãos continuariam pensando e agindo como sempre. No entanto, acredito que devido ao contexto geral do nosso país, de discriminação e de preconceito sancionados no imaginário coletivo, a RGE produziu um tópico de ensinamento, que transcrevo a seguir.

10. Casamento de pessoas do mesmo sexo
O ministério esclarece à irmandade que devemos respeitar os direitos das pessoas referente à união conjugal entre pessoas do mesmo sexo pois, segundo a Constituição do Brasil, são livres para optarem sobre o modo de regerem suas vidas, em todos os aspectos, quer familiar, social, sentimental e religioso. Devemos permanecer fiéis à Palavra de Deus que condena a idolatria e depravação das pessoas, conforme escrito em Rom 1:18 ao 32. São condenados também aqueles que conhecem a justiça de Deus, mas consentem com o pecado, participando de tais atos, inclusive em festas relativas a essas uniões.

Eu realmente não sei o contexto e motivação para a produção deste tópico. Talvez um registro de que a instituição não comunga, ao menos em teoria, com o desrespeito às pessoas ou, talvez, a quantidade de casamentos homoafetivos tenha aumentado entre a mocidade (amém! rs), ou… não sei. 
Sobre o tópico em si, primeiro, é nítido que, embora deve ter sido lido e editado várias vezes, foi feito sem pensar nos próprios princípios cristãos, afinal, precisariam de que a Constituição determinasse que homossexuais são livres para que nos respeitassem? Ou não é o próprio Evangelho que ressoa “Salvação! Salvação! Vida eterna e perdão”? Ou não é a própria Palavra que diz que Deus quer que sejamos um, como Ele mesmo é? 
E como ser “um” sem respeitar o próximo? Aliás, a Palavra diz AMAR ao próximo. 
Não diz só isso, não! Diz assim, por meio das palavras do próprio Cristo: Amem ao próximo como eu, Jesus, amei vocês! 
Ora! Não foi Jesus quem morreu por amor aos malfeitores? Não foi ele quem morreu para salvar os injustos [4]? E não diz a Palavra: não há um justo sequer, ninguém que seja aceitável diante de Deus [5]? 
E, agora, nos devem respeito, a nós homossexuais, apenas porque a Constituição assim legisla? 
Há algo errado! 
O tópico está correto no que diz respeito à necessidade de nos manter fiéis à Palavra que condena a idolatria e a depravação das pessoas. Há, contudo, necessidade de entendermos que ser homossexual não é, necessariamente, ser o depravado condenado em Romanos 1:18-32. Não é ser um animal em busca incessante do coito, nem ser uma pessoa desenfreada que quer ter a prática sexual com todos que puder, embora, é verdade, muitos agem assim, contudo, esse comportamento nada tem a ver com a homossexualidade! 
Tão pouco a homossexualidade está, hoje em dia, relacionada à idolatria como estava em Romanos 1:18-32. Lá em Romanos 1:18-32 havia um bacanal, uma orgia pública, uma oferenda sexual aos deuses, um culto à própria carnalidade. 
É verdade, sim, queridos irmãos: nós gays não somos “eunucos”, não somos assexuais, e temos desejos sexuais (muitos!). Saibam, entretanto, que nossos desejos sexuais são tão fortes, tão frequentes, tão intensos quanto os de qualquer moço ou moça heterossexual cristão! 
A menos que acreditem que a mocidade cristã heterossexual é depravada (porque tem desejos sexuais), não chamem os homossexuais cristãos de depravados! Se a mocidade heterossexual pode ser “santa”, contendo seus desejos como diz a doutrina anunciada na igreja, nós homossexuais também poderíamos! 
A diferença, caros irmãos, é que a eles não é negado o casamento. Contudo, queridos, sobre nós – gays e lésbicas que tentam ou tentaram ser cristãos – é recomendado aos nossos pais e familiares, aos nossos amigos e amigas… que sequer compareçam ao casamento de qualquer gay, exceto se quiserem ir para o inferno conosco. É assim que termina o tópico 10, embora usando um singelo eufemismo para dizer isto. 
Homossexualidade também é, queridos irmãos do ministério, afetividade, também é amor, também é querer se envolver com uma pessoa só e viver ao lado dela por toda a vida! A menos que chamem isso de depravação, entendam uma coisa: depravação sexual e homossexualidade nem sempre estão associadas, assim como a heterossexualidade não está, sempre, associada ao adultério (ainda que muitos heterossexuais sejam adúlteros!). 
Se, porém, a homossexualidade cristã tende à “degradação moral” até entre aqueles que um dia tiveram princípios cristãos é, entre outros motivos, devido ao casamento homoafetivo não ser aceito em hipótese alguma entre os cristãos. 
Sobre o tópico 10, eu não duvido que houve algum sentimento, por parte dos irmãos, de realmente dizer à irmandade da CCB: “respeitem, sim”; “amem, sim”; “não ajam como o mundo está agindo, com discriminação, não”; “segundo o que entendemos, os homossexuais estão fora da Palavra, mas respeitem os gays e as lésbicas e todos aqueles que não têm comportamento heterossexual, sim”…
É como eu já escrevi, me remetendo a uma frase de Paulo [6], e não consigo pensar de outra maneira: queridos irmãos do ministério, vocês têm zelo, mas sem muito entendimento. 
Talvez realmente não seja do interesse de vocês, mas vocês, amados irmãos, precisam compreender a homossexualidade, sim! Precisam apascentar ovelhas homossexuais, sim! Precisam compreender cada moço e moça homossexual que um dia já desejou ser cristão. Precisam compreender cada pessoa homossexual que um dia já esteve na igreja querendo abraçar o Desejado, o Cristo prometido a todos e que, porém, dele continuam sendo afastados. 
Pode até ter algum amor cristão enrustido na redação deste tópico 10, contudo, ainda precisam meditar muito no amor de Cristo e no quanto não compreendem a diversidade da criação de Deus, que fez tudo para Sua glória.
É como está escrito: “Eles têm zelo por vós, não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles. É bom ser zeloso, mas sempre do bem […]”. (Gálatas 4:17,18).
[1]Texto 29 do blog. Disponível em: Carta aberta enviada ao Conselho de Anciães da CCB.
[2] Texto 30 do blog. Disponível em: Carta enviada a um irmão ancião [2].
[3] Reunião Geral de Ensinamentos é uma reunião anual, realizada durante a semana do feriado da Paixão de Cristo. Nesta reunião agregam-se, na casa de oração do Brás/SP, irmãos anciães e diáconos do Brasil e do mundo todo a fim de tratarem de assuntos diversos, da parte espiritual e material da igreja. À irmandade são redigidos tópicos de ensinamentos de diferentes finalidades, desde recomendações comportamentais (como não usar véus com enfeites, não usar barba, não usar roupas com decotes ou indecorosas etc.), espiritual (maneira de se portar na Santa Ceia, buscar os dons, significado da Páscoa e da Santa Ceia), regimental (o que pode e como pode fazer durante os cultos, quando falar “amém”, quem pode recitar nas Reuniões de Jovens e Menores…) e material (sobre como destinar corretamente o dinheiro para manutenção dos prédios da igreja, sobre não construir igrejas suntuosas, sobre a necessidade de ensinar a irmandade a contribuir com o INSS etc.). 
[4] 1 Pedro 3:18
[5] Salmos 14:3; Salmos 53:3; Romanos 3:10; etc.
[6] Romanos 10:2

#030: Carta aberta enviada ao Conselho de Anciães da CCB

Em 24 de março de 2019, enviei uma carta ao Conselho de Anciães da CCB, via e-mail. Acredito que ela resume meu posicionamento atual, em relação a diversos aspectos sobre a homossexualidade e o sistema religioso em geral, embora minha experiência religiosa seja restrita às práticas da CCB.

Com o tópico de ensinamento 10*, da 84ª Reunião Geral de Ensinamentos da CCB, realizada  em abril de 2019, ficou claro e documentado o quanto necessitamos de orientações de amor e acolhedoras, próprias de cristãos legítimos.

Se você conhecer irmãos do Ministério que, aberta ou implicitamente, no mínimo não nos lancem no inferno sem ao menos refletir um pouco sobre o peso que suas palavras possuem (por serem do Ministério e disseminadores de “verdades” “legítimas”), fique à vontade para enviar essa carta a eles.

Você pode ler a carta baixando o PDF aqui:

Tudo o que Deus fez é bom e nada é recusável, se recebido com gratidão (1 Timóteo 4: 4). Além disso, tudo foi feito por meio d’Ele e para Ele; sem Ele nada subsiste (Romanos 11:36; Colossenses 1:16-17 etc.). Não há condenação para os que estão em Cristo, e a prova de que estamos em Cristo são as obras de amor, aqueles frutos DO Espírito em nós! O amor é a prova da salvação, pois não há ninguém que ame e não seja nascido de Deus (1 João 4:7 etc.).


*texto 31 do blog


Tags: LGBT, homossexualidade, gay, lésbica, transexual, cristão, CCB, Congregação Cristã no Brasil.