#013: Um gay que não diz "amém"

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e também é a prova daquilo que não se vê. E, ainda, a fé é morta se não produzir frutos de salvação.
De nada adianta ter fé em Cristo, se as obras produzem frutos de perdição para si mesmo ou, pior, para outros que provam desses frutos. Na verdade, não se tem a fé se assim for.
Arriscaria dizer que todo o gay cristão, que todo o gay que nasceu em um lar cristão tradicional, já desejou amarga e desesperadamente a morte. Eu já a desejei muitíssimo, embora nunca pensei em suicídio, mas sempre roguei e supliquei que Deus findasse o meu viver. Pedia isso porque sabia que ele não me “curaria” ou não expulsaria de mim esse “espírito contrário”.
Eu não sou doente, irmãos. Sou sadio! Também não sou endemoninhado. Sou cristão! Também não sou um “assanhado”. Tenho o temor do Senhor! Tenho o Espírito Santo em meu coração e minhas obras testificam isso, ainda que eu seja bastante imperfeito, elas são de cristão, pois, no que eu posso, produzem e anunciam a salvação. Não posso ser endemoninhado se anuncio a graça e amor de Deus, inclusive, e apenas quando me solicitam por haver necessidade, em cima do púlpito da CCB e em reuniões de evangelização.
Irmãos, amo vocês. Mas não pude falar o “amém” na igreja no feriado passado, no dia da Independência. O irmão dizia: “Se há algum homossexual entre nós, saiba que nós o amamos, e procure o Ministério para conversar, pois você pode se livrar disso, dessa enfermidade demoníaca. Ofendi alguém mocidade? Eu disse algo que ofendesse alguém?”. O primeiro coro de “amém” não foi muito forte. Então o irmão questionou novamente, encorajando um coro de “amém” mais intenso. E houve.
Veja, irmãos queridos, é claro que vocês nos amam, pois o amor do cristão é sem distinção. Se houver diferença, já não é amor, ao menos, não aquele amor cristão.
Irmãos, não critico esse conselho. Sei que foi de bom coração e por zelo da Obra de Deus, à maneira que vocês a compreendem. Mas sim, eu me senti ofendido e não disse o “amém”. Até desejei parar de congregar, ainda que sinto Deus em mim. Desejei imensamente nunca mais estar na igreja, para não ser esse “escândalo” e para que os irmãos possam estar em paz, pastoreando apenas as ovelhas dentro do padrão. Assim, os irmãos não teriam preocupações comigo ou com outros que não podem se colocar neste padrão. Contive as lágrimas por sentir essa rejeição. Só não levei adiante essa tristeza, porque no último hino Deus me visitou. Dizia o hino: “Estou com Jesus, meu Senhor … sei que tudo está sob as ordens do meu rei!”.
Lembrem-se, irmãos amados, que Paulo defendia a Obra de Deus, matando os cristãos. Deus amou a Paulo e ao zelo que ele tinha, certamente. Mas Paulo pelejava com os olhos do entendimento entenebrecidos. E causou ruínas. Até que as escamas, figurativamente, lhe caíram dos olhos.
Os irmãos não podem, perdoem-me dizer, mas não podem aconselhar “venham conversar com o Ministério da igreja que lhes daremos direcionamento”. Irmãos, somos cristãos, dê-nos esse direcionamento a partir do púlpito. E não é por arrogância nossa, não é. Explico: muitos de nós são tímidos, outros temem perder a liberdade na igreja. Estamos escondidos e não queremos nos expor, porque sabemos e temos pavor da perseguição que iremos passar, o desprezo e discriminação que teremos que suportar.
Semana passada, um escreveu sobre isso: Estava feliz e com desejo de voltar a congregar, mas foi barrado pela irracionalidade do preconceito de muitos dentro da igreja. De muitos, não de todos!
Ontem, recebi mensagem de um moço de longe, dizendo que se mataria. Ainda não me respondeu, mas aconselhei que não fizesse isso. Porém, o que são as minhas palavras, um reles amigo virtual, diante de todo o juízo da irmandade que lhe rodeia?
Precisamos sim de orientação, irmãos. Porque se a graça é graça, ela nos abraça também. E nós, parece-me, somos os que mais precisamos dessa graça. Somos as “prostitutas”, “ladrões”, “endemoninhados” e “leprosos” dos tempos modernos.
Vão nos dizer: “façam como as prostitutas da época de Jesus, que pararam de se prostituir”. Ou, ainda: “façam como os ladrões da época de Jesus, que pararam de roubar”. Mas, se somos de fato enfermos ou endemoninhados, como muito ouvimos, precisamos que nos digam o mesmo que Jesus disse aos leprosos amaldiçoados: “Sê limpo”. E que essa “cura” seja imediata, instantânea, como eram as de Jesus.
Eu serei o primeiro a querer provar dessa cura, caso algum irmão possua esse dom, e me garantam que esse dom haverá sempre e eternamente, para curar nas gerações futuras.
No entanto, se a fé dos irmãos não for suficiente para remover essa “enfermidade”, instantaneamente, perdoem-me, mas não poderão dizer, jamais, “não peques mais”, pois seria como dizer a alguém que tem frio “não tenha mais frio, vá e se aqueça” e não lhe dar o vestido, ou ao faminto “não tenha mais fome, vá, tenha fé, farte-se” e não lhe dar o pão. O apóstolo Tiago diz que a fé destes, que dizem “aqueçam-se e se alimentem”, mas não provêm as vestes ou pão, é morta, vã, e inútil.
Não nos digam: “curem-se”. Também não nos digam: “não se entreguem a esse sentimento”. Mas, se de fato é enfermidade, se, de fato, é algo que não é natural, digam-nos: “venham e lhes curaremos instantaneamente pelo poder da fé, da nossa fé”.
Se a fé de vocês não é assim, perfeita e poderosa, não nos digam simplesmente: “parem de sentir o que sentem”. Muito desejamos isso, e não conseguimos. Eu não consegui. Já recebi algum milagre e muitas promessas, mas em nenhuma Palavra ouvi Deus dizer: “eu vou te libertar dessa sua ‘enfermidade’ hoje”. E em nenhum momento se quer senti algum alívio das dores dessa “enfermidade”.
A fé, entretanto, é o meu firme fundamento. Não vejo, mas por ela estou certo de que vivo no reino de Deus. Não vejo, mas desfruto desse reino imensamente, pois, após uma conversão plena, sinto paz em tudo, e com todos.
Deus abençoe os irmãos pela preocupação conosco.

Orem para que Deus nos tire as escamas e vejamos claramente o quanto a homossexualidade, o quanto o amor sincero entre dois “iguais” é uma abominação. Mas, ao menos singelamente, questionem-se também se vocês não possuem, de algum modo, uma visão turva sobre este assunto, pois, saibam, estão matando cristãos.


Tags: CCB; gay; homossexual; homoafetivo; cristão; crente; Congregação Cristã no Brasil; LGBT; homo ccb.


6 respostas em “#013: Um gay que não diz "amém"

  1. A última reunião que fui foi lido Romanos 1 e nenhuma outra parte na bíblia é mais perturbadora e incompreensível para mim do que esse trecho. Na reunião anterior chegou a ser dito que Sodoma foi destruída porque os homens da cidade preferiam homens ao invés de mulheres… Essas coisas somadas a cobrança da família por namoro com uma moça que não quero e a ausência de afeto que minha natureza gay demanda está me deixando perturbado incessantemente; recentemente tenho começado a ficar preocupado com minha sanidade mental no futuro.

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  2. Eu tenho uma visão diferente sobre Romanos 1. Para mim o contexto do capítulo indica a natureza dos atos, pois em todo o contexto Paulo descreve a idolatria daqueles gentios. O próximo texto que eu publicar devo escrever sobre isso. E no texto 12 escrevi algo sobre Sodoma e Gomorra. Clame a Deus para que ele te conceda paz, e pode confiar que ele te ama. É difícil deixarmos a religiosidade perturbadora para abraçarmos a graça libertadora. Mas a graça de Cristo nos traz um grande alívio. Não que eu possa ajudar muito, mas sempre que quiser, pode entrar em contato: blogdoleonardoalves@gmail.comFica com Deus!

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  3. É estarrecedor, que tais pregações e conselhos sobre isso, seja feito por homens que não tem o devido conhecimento sobre o assunto, deixando muitos mais angustiados, aflitos e perturbados, com o que ouvem. Esse tais que se julgam e julgam os outros, como se fossem donos da verdade absoluta, tivessem mais conhecimento bíblico, da história da humanidade e da ciência.

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