Sobre João A.

Nasci em 1988 e desde pequeno frequento a Congregação Cristã no Brasil. Fui batizado aos 12 anos, músico oficializado em 2010, auxiliar de jovens desde 2003. Resido em São Paulo, capital. Escrevo os textos com intenção de ajudar de alguma maneira, principalmente em relação à percepção de que a graça de Cristo está muito além de qualquer organização religiosa e que, assim, pode chegar a todos.

#029: Carta a um irmão ancião [2]

Queridos irmãos,

Venho expor, brevemente, um assunto que merece muito tempo de discussão e reflexão. Justamente por ele nunca ser questionado, ouvimos algumas afirmações simplistas, porém que acarretam grandes desastres na vida de muitos. Do púlpito – lugar que estimamos e que, às vezes, chegamos a considerar como sendo de onde procede a voz de Deus – têm saído palavras que corroem e destroem o sentimento e a vida de muitos jovens, moços e moças cristãos. Uma destruição invisível, que passa despercebida ou que é ignorada.

Falar sobre mim talvez seja em vão, ainda possuo vida e, por grande misericórdia de Deus, nunca cheguei a pensar em me matar, ainda que já amargamente desejei a morte a fim de não sair dos padrões e doutrina da igreja.

Aliás, jamais me dirigirei aos irmãos e ao Ministério com intuito de mudar qualquer coisa da compreensão do Evangelho que os irmãos tenham. Não é esse o caso.
Quando nasci minha mãe já congregava e logo se batizou, a família do meu pai já era da CCB, e ele batizou apenas em 2008. Tenho quase 30 anos e, na minha meninice já possuía diversos indícios de que eu escaparia do padrão heteronormativo. Senti a virtude pela primeira vez e também fui batizado aos 12 anos e, desde então, nunca mais usei bermuda, nunca mais andei sem camiseta. Nunca ouvi música “mundana”, nunca idolatrei time de futebol. Dia 18 agora fez 11 anos que recebi o dom de línguas, quando uma perturbação maligna precisou ser expulsa de minha casa. Minha mocidade foi sempre dedicada em servir a Deus e fazia isso ocupando todo meu tempo dentro da CCB: sou auxiliar de jovens há 15 anos, músico oficializado, sempre ajudei nas escolinhas musicais e fui instrutor por alguns anos, auxiliei na Administração e também o Ministério confiou deixar em minhas mãos, com a ajuda de Deus, o atendimento de cultos de evangelização na Fundação CASA e também em diversas Reuniões de Jovens e Menores em que o cooperador de jovens estivesse ausente.
Ainda sou solteiro e a pressão para que eu me case nunca cessa. Com quase 30 anos já estou fora do padrão da igreja, pois é aconselhado aos moços que se casem antes disso. Meu antigo cooperador de jovens me disse, quando eu tinha uns 27 anos: Você está perdendo tempo, com sua idade eu já tinha 2 filhos! Em uma Reunião de Mocidade, já com 28 anos, o ancião dizia: se o moço tem 26, 27 anos e não casou, tem algo errado.

Também em uma Reunião de Mocidade, há algum tempo, um ancião aconselhava: moço, se você não sente atração por mulher, procure um médico, se você tem vergonha vá a uma cidade longe, mas procure orientação de um profissional. Em 2014, eu estava com depressão, sabia o motivo, mas não dizia a ninguém. Sem querer, passei por uma psicóloga e ela me aconselhou: esqueça religião, se você é homossexual, seja você!

Outro irmão, em Reunião de Mocidade dizia: um irmãozinho veio me pedir ajuda, porque ele olhava para moços sem camisa e não conseguia conter seus desejos. E completava: moço se você sente isso, não se case com moça, não arruíne a vida dela. Ele não falou ter ajudado o irmãozinho homossexual, apenas se preocupou em que nós homossexuais não arruinássemos a vida de ninguém, parece pouco importar que nossa própria vida esteja ou que seja arruinada.
Como se não bastasse, recentemente, aqui na capital, um dos anciães mais antigos disse em uma Reunião de Conselhos que nós – homossexuais que tentam ser cristãos – poderíamos nos achegar ao Ministério após o culto para conversar. Disse também que o “homossexualismo” se trata de “uma enfermidade demoníaca e diabólica” que “assola o povo”.
Alguns desses discursos vêm em tom de deboche. Outros enraizados em um preconceito ou até em ódio dissimulado em zelo. Há aqueles que são sinceros, sim, porém sem muito esclarecimento sobre o assunto.
Como se já não fosse difícil ouvir do púlpito que somos “endemoninhados”, doentes, ou sem temor a Deus, em nossos lares esses discursos se repetem e com menos reflexão ou sensibilidade. Minha mãe, sem saber da minha condição enquanto homossexual, disse, certa vez: é o fim dos tempos mesmo, o mundo está “empesteado” de homossexuais. Eu não sei qual é a visão dela em relação à homossexualidade, e nem como ela vai reagir quando souber que o filho amado e dedicado dela é uma “peste”. Mas eu sei bem onde ela aprendeu isso, pois o convívio dela é entre a irmandade e não assistimos TV. Praticamente toda orientação e instrução que ela tem do assunto são provenientes do que ela ouve na igreja.
Tenho mantido contato com moços e moças da CCB e que são homossexuais, aqui na capital, do interior de São Paulo e de alguns outros estados. Não são poucos os relatos de que os familiares os rejeitaram, não porque tivessem relações sexuais ditas imorais, mas apenas e simplesmente porque se viram com sentimentos homossexuais. Nossos conhecidos e familiares cristãos, membros da CCB, por tanto ouvirem que somos uma abominação, nos rejeitam, nos excluem e tentam nos fazer acreditar que somos de fato uma aberração. Somos a pior abominação de todas perante Deus, como um primo (muito crente e espiritual) me disse certa vez, logo que me batizei, e que me causou tormentos e sofrimentos no mínimo até os meus 28 anos.
Como se não bastasse a rejeição de quem nos ama, muitos jovens homossexuais, por também crerem pia e irrefletidamente no que sai dos púlpitos, veem na morte uma saída. No fim do ano passado um moço de 18 anos me contatou e ele estava disposto a se suicidar, pois ele mesmo acreditava que estava possuído de um espírito maligno. Com o tempo ele se entendeu, porém sua mãe continua reforçando e crendo nisto e, por vezes, ele desanima a ponto de, novamente desejar a morte.
Ainda essa semana, uma moça de uns 23 anos, que foi minha aluna em 2012, também homossexual, relatou que seu irmão, um mocinho de cerca de 15 ou 16 anos, se suicidou a pouco tempo, justamente pela repressão que sofria por se entender homossexual.
Cada vez que um jovem me contata para falar suas dores, seus pavores ou anseios pela morte eu me sinto incapaz de salvá-los, de convencê-los a viver, de incentivá-los a viver em Cristo, fonte de vida e paz. Mas essa foi a primeira pessoa que me disse sobre alguém que chegou ao ponto de se matar porque não se enxergou dentro dos padrões da igreja – já que homossexual, ainda que não praticante –, porque não compreendeu que poderia ser digno de salvação por mérito de Cristo e, ainda, porque foi rejeitado pela irmandade e incompreendido pela família.
Como eu disse, estou expondo muito brevemente o assunto e gostaria que ele fosse melhor refletido. Eu sinto o peso da morte desse jovem e o peso da vida amargurada e longe de Cristo – fonte do amor e vida verdadeiros – que outros tantos têm. Eu gostaria que cada um dos irmãos do Ministério sentisse esse peso também. A vida desses jovens e a perda dela está nas mãos de cada um de nós que permitimos que discursos de ódio, de preconceito ou de incompreensão de algo tão delicado sejam proclamados em nome de Deus.
É verdade que há um consenso de que a prática homossexual é pecado e nem questiono isso, pois não é o importante nesse momento.
Na CCB aquele irmão que se ira ou xinga outro não é tratado como abominável – embora Jesus afirma, em uma hipérbole, que este é digno do inferno. Também não se lança no inferno aqueles que são desleais nos contratos, infiéis, detratores, caluniadores, maldizentes. Aliás, por graça de Deus, é comum ouvir discursos e Palavras que nos estimulam a ter paz e paciência com todos os homens, mesmo com esses infiéis. Mas quando se trata da homossexualidade a irmandade – e alguns não poucos irmãos do Ministério – propagam um discurso diferente, em que o amar essas pessoas parece se tornar tão abominável quanto ser um homossexual.
Eu realmente não espero que o Ministério leve adiante a questão: é a prática da homossexualidade pecado ou não?
No entanto, é urgente que os irmãos do Ministério, às vésperas da Assembleia, reflitam que a vida de centenas ou milhares de jovens está nas mãos dos irmãos e do que os irmãos discursam e propagam nos púlpitos e que a irmandade recebe como sendo a voz do próprio Deus.
Tenho muito que falar, mas não quero fazer isso por escrito.
Coloco-me à disposição para conversarmos sobre o tema e tentar impedir que vidas materiais se percam e, por que não, possibilitar que esses jovens tenham a vida espiritual e paz em Deus, por meio da graça de Cristo, que nos abraçou e amou imerecidamente.
Com muitas preocupações, e com todo o respeito e carinho que tenho pelos irmãos,
João ********* 
São Paulo, 21 de março de 2018. Contato: *********@gmail.com


Carta entregue pessoalmente, em 2018 e um pouco antes da Reunião Geral de Ensinamentos (RGE), a um irmão ancião dentre os mais antigos da capital de São Paulo. Respondeu-me com um e-mail, demonstrou-se interessado em conversar pessoalmente, porém, até hoje (5/8/2019) , ainda não consegui isto.

#028: Gays reconciliados em Cristo

Eu sei que para alguns são apenas coincidências, para outros a prova efetiva de que Deus fala conosco. Logo que me batizei, por exemplo, e já com meus quase 13 anos, após um culto, voltando a pé para casa com minha mãe e irmã, propus no meu íntimo que Deus me desse um sinal de que era na minha (emocionalmente conturbada) vida: pedi que, ainda naquela noite, eu visse uma “estrela cadente”. Eu pretendia ficar acordado até tarde da noite observando o céu, mas, assim que firmei esse propósito em meu coração, prontamente, uma estrela desenhou um breve risco no céu. Talvez, apenas uma pequena coincidência, para meu coração, grande alívio.

Já faz quase 19 anos que me batizei, e por um bom tempo coincidências assim têm me ajudado a acreditar que, de algum modo, Deus estava no meu caminho.

Eu não tenho propriedade para afirmar que algo é ou não pecado, nem para afirmar que alguma prática pode ou não lançar, decisiva e definitivamente, no “inferno”. Quem é que pode afirmar algo assim? Quem pode afirmar que algo pode separar do amor de Cristo? Ninguém!

Eu poderia dizer: está claro na Bíblia que os adúlteros não herdarão o reino de Deus! – e, por isso, poderia tentar afirmar que quem comete adultério será lançado no “lago de fogo e enxofre”. Porém, também está escrito: quanto aos adúlteros, Deus os julgará.

Não quero dizer (tão pouco acredito) que seja uma atitude cristã, no sentido de amar a Cristo, viver adulterando à espera de um juízo brando de Deus. Só quero dizer que não está escrito “Quanto aos adúlteros, Deus os condenará”, antes que “Deus os julgará”.

Eu não posso dizer a ninguém: ser homossexual não é pecado. Também não posso dizer: Deus não abomina um casamento entre homossexuais. Tenho convicção dessas duas afirmações, com base em interpretações da Bíblia, como tento expor em meus textos – e como foi difícil chegar a essas compreensões: foram 28 anos pensando estritamente semelhante ao que aprendemos na [1]Congregação!, e foi relendo sobre predestinação (em Efésios, Romanos etc.) que pude compreender que Cristo é nossa predestinação e que nele não há judeu nem grego, não há heterossexual nem homossexual…, mas ele é tudo em todos!

Já tive muitos sinais (que poderiam também ser entendidos como coincidências) sendo [2]auxiliar de jovens e menores, quer em [3]visitas com a mocidade, quer em [4]Reuniões de Jovens e Menores… Nos últimos dois anos tenho tentado me afastar um pouco desse cargo, em parte devido à correria do trabalho e do dia a dia, mas também por não me achar digno dele, já que minha compreensão (não só, mas principalmente) quanto à homossexualidade diverge daquela implícita nos discursos e conselhos que ouvimos nos diversos serviços realizados na CCB.

Mesmo acreditando que a homossexualidade (até mesmo “na prática”), não seja pecado (embora eu não possa comprovar isso a ninguém!), quando vou aos cultos e, em especial, às RJM, minha [5]oração de comunhão sempre foi algo muito simples, também muito profundo, como: Senhor, me perdoa, sou pecador.

Hoje o peso que recai em mim nem é o fato de eu ser homossexual, mas o de ser homossexual e estar com um cargo em uma Igreja que não aceita (porque não consegue ou não quer entender) a homossexualidade como natural. Essa minha oração poderia, então, ser entendida como: sou pecador diante desta igreja, me perdoe, Senhor. Ou como: Senhor, estou em paz contigo, mas em breve não estarei com esses irmãos, tão logo souberem sobre minha sexualidade, perdoa-me escandalizá-los.

Na última RJM que fui, eu tinha certeza de que não deveria estar ali com a mocidade, tive certeza de que não deveria ter liberdade alguma na igreja, e receei [6]recitar. No entanto, ao receber o verso (Salmos 25:11) e abrir a Bíblia para conferir o texto, li: Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande.

Era exatamente minha oração. Coincidência, claro. Motivou-me, no entanto. Recitei.

É a minha oração e, para mim, homossexual que sou, a “iniquidade” que me veio à mente, no mesmo instante, claro, foi a minha homossexualidade. Não por acreditar estar desagradando a Deus por ser gay (não creio nisso, não mais!), mas por estar fora do padrão compreendido pela igreja como o “único aceito por Deus”.

Pergunto-me se fosse algum heterossexual que tivesse recebido esse verso, qual seria a iniquidade que viria à mente dele? Por que assumimos, nós homossexuais, que nossa sexualidade (natural e intrínseca!) é um pecado, uma abominação? Realmente acreditamos nisso ou fomos condicionados a acreditar? Nos sentimos assim, excluídos do Amor de Cristo, quando Deus nos “visita” e nos dá “sinais”? Nos sentimos rejeitados quando Deus fala, dentro de nós, “te amo”? E se nos sentimos (ao menos eu me senti diversas vezes e ainda sinto) amados por Deus, porque damos mais crédito ao que nos dizem (aberração! abominação! escândalo!) do que ao que Deus insistentemente nos afirma em Cristo (eu amo você! eu amo você! eu amo você!).

É claro que alguns vão dizer: Ele te ama, sim, mas somente se você…

Não! O evangelho não tem “se”! Temos de aprender isso ou anularemos a Graça de Deus e tornaremos em vão todo o vitupério de Cristo!

Deus prova o seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós, mesmo nós ainda sendo pecadores e, agora, somos justificados pelo Seu sangue (conforme Romanos 5). Todas as pessoas são pecadoras, e isso não tem a ver com sexualidade. Não éramos justos (e nunca teremos condições de ser), mas por meio da Sua boa notícia de amor, ele pôde nos justificar!
É isso o evangelho de Cristo: o amor incondicional de Deus que nos amou primeiro, mesmo que nenhuma pessoa merecesse! Não existe salvação por mérito, a não ser por mérito de Cristo. Não há nada que possamos fazer para pagar nossa salvação: ela é de graça e por graça! 
Todavia, quando recebemos algo impagável e de graça, tudo que podemos fazer é sermos imensamente gratos e agradar àquele que nos agraciou. Logo, se cremos haver recebido misericórdia, resta-nos sermos misericordiosos e se cremos seguir um mestre chamado Amor Perfeito, amorosos.

Aqueles que andam odiosos, rancorosos, querendo empregar o reino de Deus apenas aos que se dizem “perfeitos” (e não são, mas mentem), na verdade, sequer entraram nesse reino, pois pouco entenderam do Amor Predestinado, Cristo. Não entram, e tentam impedir que outros entrem. Se, de fato, nós cremos em Cristo como justo e justificador e, por isso, temos condição de entrar no reino de amor, no reino dos céus, no reino de Deus… demonstremos toda a gratidão que temos pela obra redentora de Cristo e, como Ele fez, amemos a todos sem distinção, oferecendo misericórdia e perdão, tal como recebemos.

Deus amou o mundo (todo o mundo!) de tal maneira que enviou seu Filho, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna, assim, Deus enviou a salvação, não a condenação (João 3:16-17). Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não levando em conta as transgressões das pessoas, e nos encarregou da mensagem da reconciliação (1 Coríntios 5:19).

Não há nenhuma coincidência em Cristo haver padecido por todos nós!

Novo e-mail: tambemsoucristao@gmail.com
Instagram: @tambemsoucristao_gaycb
[1] Congregação Cristã no Brasil (CCB), igreja tradicional evangélica. Site oficial: congregacaocristanobrasil.org.br
[2] Jovem solteiro que auxilia nas Reuniões de Jovens e Menores, e tem cuidado pelas crianças e demais jovens visando agregá-los e, de algum modo, orientá-los fazendo uma ponte com o Cooperador de Jovens e Menores (o equivalente ao “Pastor” de outras denominações e que é responsável pelas crianças e jovens de uma determinada localidade).
[3] Reuniões de moços e moças da CCB, acompanhados de Cooperadores de Jovens e Menores, que se faz na casa de uma pessoa com intuito de cantar Hinos e de orar.
[4] Reuniões de Jovens e Menores (RJM), como o nome já diz, são reuniões com crianças e jovens solteiros, geralmente realizadas aos Domingos pela manhã.
[5] Oração particular que se faz ao chegar na igreja, sempre em silêncio e para meditação com Deus (“comunhão”) elevando apenas o pensamento em oração (não se pronuncia palavras audíveis).
[6] Nas RJM cada criança e jovem solteiro tem liberdade de recitar um verso da Bíblia, todos recitam em conjunto um verso de um mesmo capítulo, fazendo uma sequência de recitativos.
TAGS: CCB, Congregação Cristã no Brasil, LGBT, gay, lésbica, assexual, transexual, cristão.

#027: Hipocrisia nossa de cada dia

As luzes piscam, piscam. A música ruim toca na casa alheia e é impossível não escutá-la. Não há para onde fugir. É necessário sorrir mesmo ouvindo “aleluias” àquele discurso que diz: acabarei com a ideologia de gênero (sic); lutarei pela família tradicional (sic).

Lembranças e memórias também assombram. Há tempos que não chorava assim, de tristeza ou de espanto. Ódio! Raiva? Rancor! Fúria? Desespero?

Incerto é o que se passava no turbilhão de pensamentos. Memórias de tudo o que já se acreditou e que hoje não faz sentido algum. Regras, regras. Mandamentos sobre mandamentos. Sem lógica.

Dois pesos. Duas medidas. Não case com moça! – ouviu-se certa vez. Outra: vou preparar o seu casamento. E ainda uma: você faz o Ministério refletir com seus bons argumentos, precisa se casar para fazer parte dele.

Ah! Eu só quero nunca mais vincular meu nome, minha identidade, minha essência ao que pensam.

Discriminam em nome do divino. Legislam em prol de um reino que não compreendem, pondo para fora em vez de a ele agregar. Por quê? Apenas porque não toleram!

Hipócritas! – disse Jesus aos religiosos fariseus que examinavam as Escrituras acreditando que nelas havia a vida, mas que, quando a própria vida a que buscavam se manifestou, a açoitaram e crucificaram. [1]

Examinem. Examinem. Vocês também acreditam ter nela a vida, a vida eterna. Tem. Não há, no entanto, ninguém que entenda, ninguém que busque, ninguém que encontre [2]. Nem entram no reino nem permitem que outros entrem [3]. Têm zelo, é verdade. Sincero, por sinal. Sem nenhum entendimento, no entanto [4]. Coam mosquitos, engolem camelos [5].

Dizem: não toquem nisso, não provem aquilo, não manuseiem aquele outro [6]. Se questionados sobre o porquê, eloquentemente dizem: porque está escrito. Se lhes é dito “mas também está escrito assim e assim” dizem: torcem as escrituras para a própria perdição [7]. Verdade, distorcem-na para própria perdição. Não entram nem permitem que outros entrem no reino de paz. De paz. Paz!

Legislam em nome do divino. Regras que aparentam sabedoria, devoção, controle da carne, santificação – ao que entendem por santificação. Regras que satisfazem apenas a presunção humana [6] de bater no peito e dizer: eu mereço o céu porque não faço isso nem aquele outro. Ou em uma modesta “humildade”: eu não mereço o céu, é verdade, mas ao menos sou melhor do que estes que fazem abominações [8]. Sexuais, notadamente. Ódio, violência, desavença, pelejas, porfias, desafetos… são todos divinamente tolerados, registram em seu âmago.

Também é o mesmo que dizer: eu mereço que Cristo seja esbofeteado por mim, porque sou bom, sou justo, não pratico isso nem isso, veja Jesus, sou digno de que sofras por mim, pois sigo todas essas regras que disseram ser necessárias para aparentar santidade.

Amem-se uns aos outros como eu – Jesus – amei vocês [9]. Ora, convenhamos, não fazer isso, nem aquilo é muito mais fácil. Dirão: Eu amo a Deus porque me privo de muitas coisas, ainda que não tolero a muitos “próximos”. Se não ama ao irmão a que vê, como amarás ao Deus invisível? Mentiroso! [10]

Acharás fé em algum coração quando retornares, Jesus? [11] Amor fraterno e misericórdia certamente bem pouco.

Perdoa-nos e não nos impute os pecados, pois estamos cegos e não sabemos o que fazemos acreditando estar a teu serviço. Como Pedro – no ímpeto carnal e na ignorância do teu reino – disse que tu não morrerias [12], dizem que tu também não deves salvar a muitos. Segundo as regras humanas, deves salvar apenas alguns poucos que são “firmes e fiéis” aos preceitos, ainda que não ao amor cristão.

Tu ainda és refúgio e refrigério, enorme árvore na qual as aves do céu se amontoam e acham descanso [13]. És, certamente. No entanto, talvez não nos lugares em que se diz estarem reunidos em teu nome.

Fácil criticá-los. Nem tanto, mas ao menos possível. Resta-me, contudo, não esquecer de que se minha “justiça” não exceder a dos “escribas e fariseus” serei privado do reino dos céus [14].

[1] João 5:39-40

[2] Salmos 14:1-3; 53:01 e Romanos 3:10-12

[3] Mateus 23:13

[4] Romanos 10:12

[5] Mateus 23:24

[6] Colossenses 2:21-23

[7] 2 Pedro 3:16

[8] Lucas 18:9-14

[9] João 5:12; 13:34

[10] 1 João 4:20

[11] Lucas 18:8

[12] Mateus 16:22-23

[13] Mateus 13:32 e Lucas 13:19

[14] Mateus 5:20

Gay; homossexual; lésbica; LGBT; cristão; crente; evangélico; CCB.

#026: Um gay pode confiar que também é salvo?

Após me compreender e me aceitar como gay (e inicialmente isso significou pretender abandonar a fé – eu já não suportava me reprimir nem me enganar e, até então, acreditava que só poderia ser crente em Deus se me reprimisse) um sentimento de culpa e medo, pavor, me sondou por mais alguns meses. Eu sempre tive o costume de anotar algumas Palavras[1] e, há pouco, lia algumas dessas minhas anotações. Relembrei que a certeza de salvação que hoje tenho foi confirmada, não poucas vezes, em pregações.

Não é que eu não vacile na fé. Não é que eu não me questione se meus passos têm “agradado” a Deus. Essa certeza de salvação significa que sei que em Cristo, e só por ele, sou amado por Deus.

Transcrevo, a seguir, uma pregação que Deus deu a um irmão ancião, em um culto no interior de São Paulo, em abril de 2017, a respeito da leitura de Atos capítulo 27, e que falou muito comigo em um dia de grande incerteza, de turbulência espiritual em que me encontrava por me haver aceito gay. Relendo essa pregação senti conforto, e espero que ela possa confortar alguns outros corações.

” […]
Mesmo que você se sinta como aprisionado [em algum sentimento], fale da Palavra de Deus! Você chegará onde o Senhor te prometeu, ainda que tenha de remar contra o vento. Ninguém que o Senhor ama morrerá, mesmo que tenha que ir à nado, ou segurando em alguma coisa frágil.
[…] Sua visão está turva e faz tempo que você não vê com clareza, mas você passará a enxergar com nitidez.
Parece que está tudo errado, você diz que o Senhor não pode estar na sua vida, mas isso que você passa é justamente para que você e os outros vejam que Deus está na sua vida, sim!
O vento parece forte, você sente sua vida abalada por algumas situações, mas elas não te destruirão e nada tirará seu objetivo de servir a Deus.
Você gostaria que tudo desse “certo”, mas tudo parece estar errado [2]; saiba que o Senhor está na sua vida e que nada de mal vai acontecer a você.
Parece que algo [de ruim] acontecerá, mas coma [da Palavra] porque o que você tiver que fazer você fará e nada deste mundo vai te impedir de chegar onde você precisa chegar!
Você não é capaz, mas Deus pode parar essa tempestade. O vento passou na sua vida e tirou algo de que você gosta, mas agora Deus começa uma construção nova e a consertar o que o vento destruiu. E o que falta, Deus vai trazer.
Tem coisas quebradas que só Deus conserta, mas ele conserta. Fique firme na fé em Deus, porque ainda que você quebrou algo, não quebre a fé e esperança de entrar no céu.
[…]
Você precisa chegar na terra onde tenha firmeza, mas está chegando o tempo em que você terá essa firmeza. Não desista, fique nesse intento e nesse desejo, se é o de servir melhor a Deus, de ir para o céu […].
Você não consegue dominar alguma coisa, assim como o vento também era mais forte do que o navio [em que se encontrava Paulo], mas dentro de você tem o que é mais forte que o adversário.
Você tenta e se esforça, mas não tem mais forças. Hoje Deus pega na sua mão e te ajuda a remar. Você clamou e buscou, bateu e nada aconteceu, [e disse:] “Mesmo me esforçando não dá! Senhor, não consigo mais!”, mas Deus está na sua vida. Não fique temeroso porque Deus puxa sua mão para que você chegue ao porto [da salvação].
Tem coisas que o Senhor preparou para você, que você precisa anunciar.
Há muitos ventos contrários que te levam para onde você não quer ir, mas o vento do Espírito Santo entrará na tua vida e, então, trará firmeza, certeza, segurança, novidade.
O Senhor renovará tuas forças, teu ânimo. Tua “vida” não afundou, o Senhor é contigo, tenha bom ânimo. Continue clamando a Ele.
O Senhor te diz: Não quero que ninguém pereça, mas que tenha a vida.
O Senhor renovará tudo na tua vida. Quando passa a tempestade vem o renovo e logo tudo está consertado.
[…]”

Ressalto que “os ventos contrários” não significaram minha sexualidade, mas a “tempestade” era minha dúvida do amor de Deus por mim (era isso, e não minha sexualidade, que me fazia desanimar na fé) e minhas frustrações por não conseguir mudar a minha própria natureza homossexual. Hoje já não duvido, e tenho a firmeza na fé prometida por meio dessa e de outras pregações.

Eu continuo remando contra o vento, indo de encontro a muitas coisas que aprendi e que acreditei piamente serem verdades. Estou segurado em frágeis destroços da embarcação em que eu estava e em que me sentia confortável, é verdade. Porém, em meio às turbulências, posso dizer que vejo com clareza que Deus é muito mais amor do que qualquer pessoa possa ter imaginado: enxergo o porto da minha salvação.

Quem tem ouvidos, ouça: Deus nos ama, e não quer que ninguém pereça na fé, mas que todos vivam na certeza da salvação.

É possível ser salvo, mesmo remando contra o vento, mesmo diante dos preconceitos devido à falta de conhecimento dos irmãos. Não é fácil nem confortável, mas possível e com destino seguro: o porto desejado, a nossa salvação.


[1] Palavra é a pregação, exortação de um trecho da Bíblia com uma mensagem ao ouvinte.
[2] Na ocasião, eu ainda desejava de algum modo ser “normal”, pois ser gay ainda me soava como “absurdamente errado”.

#025: A morte é uma saída para o gay cristão?

Acredito que mesmo os LGBTs que não frequentam a igreja desde pequenos sofreram ou sofrem com o preconceito “divinalizado”. Tudo que ouvimos, todos os discursos homofóbicos, de discriminação, de desprezo, de ódio… todos têm a ver, de algum modo, com a crença (fundamentada em fundamentos rasos e leituras superficiais da Bíblia) de que homossexualidade é uma abominação, categoricamente rejeitada por Deus, ou de que no céu não haverá homossexuais […].

Qual é a saída para o gay cristão? Eu sei que muitas vezes a morte parece ser. Vou falar um pouco sobre isso com exemplos de casos de homens de Deus que desejaram a morte.

Havia um homem, na terra de Uz, cujo nome era Jó. Ele era rico, reto e temente a Deus, mas, no decorrer de sua vida, o acusador questionou a retidão de Jó com o seguinte argumento: ele tem tudo para servir a Deus, assim é muito fácil!

Que pensamento raso desse acusador!

Bem, Jó então perdeu tudo, absolutamente – exceto a vida, o bem mais precioso. Seus amigos, sem compreenderem o que estava acontecendo na vida de Jó – nem mesmo este entendia! – começaram a dizer: Jó, onde é que você pecou para tudo isso acontecer em sua vida?

Jó sabia que amava a Deus demasiadamente e não encontrava razões para aquela condenação aparentemente divina – parecida com aquela acusação que fazem aos gays, não?

Afinal, por que Deus colocaria Jó naquelas condições?

Mesmo Jó sabendo do amor absoluto que tinha por Deus, de tanto ser acusado por seus amigos, acreditou estar em pecado e, com isso, desejou a morte. Desejou que o dia do seu nascimento nunca tivesse existido. A morte parecia a melhor saída para aquele caro servo de Deus do qual todos diziam: ele pecou gravemente.

Ele desejou e pediu a Deus:

Ah! Quem me dera que Deus me desse o que eu espero e cumprisse o desejo do meu coração!

Não, Deus não cumpriu o desejo do coração de Jó, porque o que ele desejava era a morte [1], e Deus tinha uma sorte diferente e muito melhor para esse justo e bondoso homem.

Teve outro homem de Deus do passado chamado Elias. Este profeta amava tanto ao Deus único e de amor supremo! (um Deus completamente diferente dos deuses pagãos, idealizados pelos homens que acreditavam que o divino era exatamente como o humano e, por isso, esses chamados deuses aceitavam as mais terríveis abominações, como o sacrifício de humanos). Elias amava tanto a Deus que combateu sozinho centenas de profetas do chamado deus Baal.

Elias foi vitorioso, pois Deus lhe deu um maravilhoso sinal aos olhos de todos: fogo desceu do céu e consumiu toda a oferta de Elias.

A opressão, contudo, era tanta que Elias fugiu. O profeta amado por Deus e que acabou de ver um sinal tremendo, fugiu! Fugiu de uma mulher feita rainha que lhe prometeu acabar com a vida. Elias deve ter pensado: do que adianta eu ver e sentir sinais de Deus em minha vida se me perseguem, se me impedem de servir livremente ao verdadeiro Deus? (é como alguns de nós pode pensar: de que me adianta querer ser crente em Deus se todos dizem que não posso ser, já que, segundo os “santos e irrepreensíveis”, ser gay e cristão é inconcebível?).

Elias, aquele forte homem ­– forte em fé, forte na convicção de que era servo de Deus – deitou-se e desejou a morte. Desejou a morte, mesmo sendo tão forte! Aquele homem de fé tremenda, por ser tão perseguido, desejou a morte. Deus em infinita misericórdia deve ter olhado do céu e falado: Como assim, Elias?!

Nosso Criador, entretanto, sabendo exatamente como nossas emoções e sentimentos são, enviou um anjo que disse a Elias: Levanta e come.

Elias? Ele estava desejando a morte, ora! Comeu, e voltou a pensar em quão pequeno e miserável se sentia, em como não conseguia resolver seus problemas […]. Ele não conseguiu olhar para aquele milagre (a comida e água preparadas por Deus) e deitou-se novamente.

O anjo com paciência e misericórdia – assim são os seres ligados a Deus, creio –, disse-lhe: Elias, cria jeito e olha para a ação de Deus na sua vida e o quanto Ele te ama, mesmo que te digam o contrário, ou que te persigam… O seu caminho é muito longo, pois Deus tem muitas coisas para fazer na sua vida!

Só mais um. Jonas. Lembram-se?

Jonas até parece um pouco egoísta, mas era um caro servo de Deus, também. Ele tinha uma mensagem para pregar, mas ele sabia que Deus era bom demais para cumprir aquela profecia de destruição de uma cidade inteira. Ele deve ter pensado: Poxa vida, eu vou lá pregar que Deus vai destruir geral, o povo vai se arrepender, Deus vai perdoar e eu vou ficar com que cara?

Mesmo que forçado e sem vontade, ele pregou, o povo se arrependeu, Deus não destruiu ninguém – afinal, tinha tanta gente, muitos animais, e crianças ali, e o que o Criador queria mesmo era o arrependimento e conversão, já que Ele não tem prazer nem mesmo na morte do ímpio.

Choramingando debaixo da aboboreira que Deus mesmo havia preparado numa noite, Jonas reclamou de um bichinho que estragou a planta e, com o sol ardendo na cabeça disse: Melhor é morrer do que viver!

Ah! Jonas! Deus te ama e ama aqueles pecadores também e quer que todos se salvem! Vai lá e se alegra na bondade de Deus para com aquelas pessoas, mesmo que você não desejava que se salvassem!

Tem muita coisa que podemos compreender com esses homens. Você percebe?

Uma delas é que crentes em Deus desejam a morte por diversos motivos, e isso não lhes faz inferiores nem fracos, não! Eu não lembro se tem mais algum exemplo na Bíblia de pessoas que desejaram a morte, deve ter, sim. Veja, porém, que esses três homens são exemplos de fé, citados por Jesus, inclusive.

São exemplos de fé, mas que, no momento de suas provações e aflições, desejaram amargamente a morte. Deitaram-se na rua da cidade, na caverna, sob a aboboreira… e ficaram esperando Deus findar,por meio da morte, o sofrimento deles.

Eu acredito que quem chega ao ponto de desejar a morte como saída é alguém muito forte, assim como Jó, como Elias e como Jonas. É que só deseja a morte quem está carregando um fardo muito pesado, de infâmia, de perseguição, de incompreensão.

Esses três homens de Deus têm mais uma coisa em comum, além do desejo da morte no momento mais árduo de suas provas: nenhum deles compreendia o amor de Deus, por mais que amassem a Deus e soubessem – como Jonas declara – que Deus é misericordioso e amoroso, muito mais do que qualquer pessoa possa imaginar!

Então, você gay, lésbica, travesti, transexual… que é cristão, tem todos os motivos para desejar a morte, sim!

Eu sei que o fardo que carregam é pesado demais, pois eu também carreguei por muito tempo, e ainda carrego às vezes, quando minha fé vacila um pouco.

Tem muitas razões para desejarmos o fim da nossa vida: é discurso ignorante e intolerante propagado em nome de Deus, é ódio proclamado na boca que deveria falar de amor, é rancor e juízo vindo do coração que deveria ter misericórdia…

Não, não é fácil e é natural você desejar a morte, muitas vezes em sua vida. Só não é natural você acreditar que, de fato, é a morte a saída.

A saída, a solução, está preparada desde a eternidade e se chama Cristo, o amor sem acepção, que te amou imensamente, mesmo que digam o contrário.

Eu testifico e garanto que, se em vez de ver a morte como uma saída, você passar a tentar compreender que Deus ama – e essa é a mensagem de Cristo! – você conseguirá sentir o amor de Deus dentro de si mesmo. Com isso, você não só deixará de desejar a morte como verá que a morte não tem mais nenhum sentido para você, porque o crente em Deus passa desta vida para a vida eterna! Não digo isto me referindo à vida que teremos na eternidade, mas na vida eterna que já começa aqui, nesta nossa vida terrena, pois as riquezas do reino de Deus – paz, regozijo, alegria e muitos sentimentos sublimes como esses – se desfrutam aqui também (ao menos àqueles que conseguem hoje mesmo entrar no paraíso de Deus, compreendendo Seu amor, podem desfrutar dessas virtudes e paz de espírito).

Sim, é a morte uma saída para o LGBT cristão: aquela morte que nos deu vida, aquela ressurreição que nos deu esperança, aquele Cristo que nos deu vida com Deus, vida com abundância. Porque nessa morte ficou demonstrado o quanto Deus nos ama, como somos [2].

Seja LGBT, mas seja cristão e viva com Deus, no paraíso de Deus aqui nesta vida terrena. As coisas melhorarão, pode ter certeza. Se quiser ter dúvida, duvide dos discursos que te fazem desejar a morte.

[1] Em Jó 6:8, muito conhecido, lê-se “Quem dera se cumprisse o meu desejo e Deus me desse o que eu espero”. Mas as pessoas que não leem a Bíblia param aí e muitas sequer entendem o desejo de jó. “Que Deus quisesse quebrantar-me … e acabasse comigo …” (Jó 6:9-10). [2] É importante entender que quem segue Cristo e crê na sua obra redentora anda como ele: em passos de amor, tolerância, misericórdia, respeito, compreensão, benevolência, humildade… se essas e outras virtudes semelhantes não fizerem parte da vida da pessoa, por mais que ela se esconda em padrões visíveis, ela ainda não compreendeu o Deus amoroso ao qual serve. Você que compreendeu, ame essas pessoas, como Cristo amou você.
 
Tags: Gays, suicídio, morte, LGBT, cristãos, lésbicas, homossexuais, homossexualdidade, trasnsexual
 
 
 
 

#024: Gays, o pavor do inferno e o dom de línguas

Por muito tempo eu tive medo do inferno. Pavor. Enquanto criança nunca pensava sobre isso, mas, tão logo completei 12 anos, tive uma sequência de sonhos relativos ao fim do mundo apocalíptico que o inferno começou a me assombrar. Por isso, aos 12 anos fui batizado, pois, embora não compreendesse o Deus amor, tinha certeza de que eu não queria sofrer a danação eterna.

Depois, eu vivi 2 anos intensos, indo às visitas com mocidade, frequentando as RJM[1], orações na madrugada com meus cooperadores de jovens… Eu havia perdido o medo do inferno, e ainda não entendia o amor de Deus. Até então, eu não compreendia minha homoafetividade – que sempre esteve manifestada – e, muito menos, minha homossexualidade que começava a aflorar.

Contudo, por volta dos 14 anos – quando percebi que, de fato, minha atração não era àquela a que fui orientado, a “normal”, e quando minha sexualidade se manifestou mais intensamente – eu percebi que, sim, deveria temer o inferno. Passei a desacreditar da minha salvação. Toda vez que desejava homens[2], depois, eu caía aos prantos em oração e suplicava a Deus que não me condenasse, que não me deixasse ceder àquele sentimento.

Confesso que, nas minhas orações solitárias, sempre alcançava algum alento, algum conforto divino. Porém, como o sentimento homoafetivo é intrínseco, eu sempre retornava àquele estado de miséria espiritual: duvidava de que eu seria salvo, já que homossexual – ainda que não praticasse o ato em si, mentalmente o idealizava[3].

E isso foi um ciclo em minha vida: idealizava mentalmente situações de práticas homoafetivas, me achava indigno de ser salvo, caía em um desgosto profundo por não “agradar a Deus”[4], chorava aos pés de Deus rogando-lhe misericórdia e que me suportasse, encontrava consolo e sentia a virtude[5] e presença de Deus em mim, e logo idealizava práticas homoafetivas[6].

O que quero explicar é que eu só sentia a virtude quando me considerava um impuro, uma abominação, e chorava aos pés de Deus, clamando por sua misericórdia. Eu ainda temia o inferno e não entendia o amor de Deus por mim – ainda que, repetidas vezes, ele me dizia: Eu te amo.

Eu era muito fervoroso[7], chorava sempre na igreja, me alegrava e emocionava sentindo a presença de Deus, pois encontrava esse consolo de que eu seria salvo, sim, e as Palavras[8] me faziam compreender que Deus entendia minha condição natural e que me aceitava assim, como sou.

Em 2007, aos meus 19 anos, eu estava em uma RJM e senti a virtude muito fortemente. Na RJM da semana seguinte, Deus dizia: Semana passada você sentiu grandemente a virtude, e hoje você vai sentir ainda mais!

Confesso que eu não senti nada, definitivamente. Eu estava em paz e não senti a presença de Deus naquela RJM. Chegando em casa, porém, encontrei uma situação desagradável: uma pessoa estava possuída por um sentimento maligno e prestes a causar, mais uma vez, uma desgraça em nossa família.

Eu, então, comovido com a situação, comecei a chorar. Primeiro chorei de desespero, tentando evitar que minha irmã, ainda mocinha, percebesse aquela manifestação maligna, diabólica. Depois, comecei a chorar mais, mas um choro diferente, proveniente da alma, do coração. Foi quando eu comecei a falar em línguas[9] pela primeira vez. Eu falava em línguas e entendia algumas coisas que falava. Fisicamente eu era bem fraquinho, mas segurei aquele homem, que nos causava males emocionais, com tanta força que vi que não era minha. Falando em outra língua, eu o abracei e, depois de um tempo, ainda o abraçando e falando em línguas, aquele espírito contrário e maligno se ausentou. Houve paz.

Uma prima minha, que também estava em casa na ocasião e que há muito tempo não falava em línguas, depois, me abraçou e voltou a falar em línguas. Minha irmã, ao me abraçar, sentiu a visitação de Deus. Abraçado à minha mãe, que chegou depois e em grande desespero, anunciava-lhe em línguas e eu entendia a mensagem que eu lhe dizia.

Eu, gay, com medo e pavor do inferno, com dúvida da minha salvação (porque me sentia impuro por ser homossexual) recebi, naquele domingo, o dom de línguas e vi Deus fazer outras obras lindas.

Aquela força que recebi ao falar em línguas e sentir Deus bem de perto, durou alguns dias. Esqueci o pavor do inferno e tive paz por alguns dias. Depois disso, passei 9 meses sem falar em línguas novamente. Logo, o medo do inferno foi se manifestando. No fim daquele ano, em uma RJM, o cooperador de jovens durante a reunião, me apontou e disse a mim que abraçasse um moço, que era auxiliar de jovens junto comigo e que havia sido “selado”[10] com o dom de línguas fazia pouco tempo. Eu nunca gostei muito disso, confesso, mas o abracei e voltei a falar em línguas, pois senti a presença de Deus de maneira muito forte em mim.

A partir desse dia, eu falava em línguas mais constantemente. Agora, quando me sentia um verme, uma abominação, e orava a Deus, o consolo vinha com sua presença e com a manifestação do dom de línguas. E eu só manifestava esse dom quanto estava nesse estado espiritual de me achar indigno de salvação.

Alguns pensam que para falar em línguas tem que estar puro, ser santo e irrepreensível. Ou, ainda, que quem manifesta o dom de línguas está consagrado e perfeito diante de Deus. Minha experiência diz o contrário. Sempre que eu manifestei o dom de línguas (ou que eu sentia aquela paz e alívio espiritual) era no momento em que me percebia mais sujo, mais abominável, mais pecador.

De 2013 até 2015 eu fiquei sem manifestar o dom de línguas. Em 2015 manifestei poucas vezes, uma ou duas. Coincidentemente ou não, foi a época em que tive crises depressivas fortes e, também, a época em que eu estive mais distante de Deus – ainda que, semanalmente, eu ia à igreja mais de quatro vezes, pouco meditava nele e em seu amor.

Em 2016, um pouco antes de iniciar o blog, e quase que imediatamente após me entender e me aceitar gay, eu comecei a sentir a presença de Deus de uma maneira muito intensa e a todo o tempo. Aquela paz que eu sentia apenas por alguns instantes enquanto falava em línguas ou um pouco depois de haver falado – às vezes algumas horas, outras um ou dois dias –, passou a ser constante em minha vida. Aquele medo e pavor do inferno, de ser condenado por ser “imperfeito”, também se esvaneceram.

Eu passei a sentir aquelas virtudes – que eram momentâneas e apenas em situações de miséria espiritual, quando me sentia um verme – o tempo todo. Todo dia. Em situações inesperadas[11]. Fora da igreja. Eu deixei de me sentir um cão miserável e passei a me sentir amado por Deus. Isso trouxe-me uma enorme paz. Deu-me certeza de salvação, não por qualquer mérito meu[12], mas por exclusivo mérito de Cristo.

Hoje, eu falar em línguas não se faz tão necessário (ainda que acho uma linda manifestação), pois acredito que a finalidade deste dom, na minha vida, era me dar paz. Eu estou em paz em relação à minha salvação. Eu estou certo de que Cristo me salvou. Eu já não duvido do poder de Cristo para me salvar e o amo intensamente por fazer isso sem que eu mereça, sem que ninguém mereça.

Sim, gays falam em línguas, e são participantes de todos os dons do Espírito Santo. Quero, contudo, que saibam que nem todos falarão em línguas. E, ainda, que não falar em línguas não significa não ser selado com o Espírito. Todos que cremos em Cristo como nossa salvação somos selados pelo Espírito para nossa redenção!

Aos gays cristãos e a todos que estão com duras cargas, devido à incerteza de salvação, proponho que, em lugar de buscar este ou aquele dom, busquem a compreensão de que a salvação se recebe exclusivamente por meio do mérito de Cristo. Quando conseguirem entender isto, alcançarão uma paz e certeza de salvação que mal nenhuma chegará a tenda dos corações de vocês: estarão no reino de Deus, no “paraíso”, ainda nesta vida terrena!

Busquem os dons de Deus, sim, mas procurem aquele caminho mais excelente: o amor fraternal e incondicional como o de Cristo.

Texto escrito em resposta a um pedido anônimo que recebi no blog.

[1] Reunião de Jovens e Menores é uma reunião da Congregação Cristã no Brasil, geralmente realizada nos domingos de manhã, exclusiva às crianças e jovens.
[2] Um eufemismo para a prática da masturbação.
[3] Idem. Masturbação é um tabu.
[4] Ou seria “aos homens”?
[5] A virtude é a manifestação da presença de Deus dentro de si. Comumente, relacionada a uma emoção (choro, alegria etc.) e, ao meu entender, tem finalidade de animar, dar forças espirituais ou fazer crer estar ligado com Deus.
[6] Esse ciclo se perpetuou por 14 anos, fui liberto apenas aos 28 anos – quando, então, comecei a os textos do blog.
[7] Fervoroso é alguém que sente a presença de Deus facilmente, ao menos é nesse sentido que usei o termo.
[8] Palavra na Congregação Cristã no Brasil (CCB) é a exortação de uma passagem da Bíblia, o discurso dos pregadores, que entendemos ser inspirado por Deus – ao menos deveria ser.
[9] Falar em línguas ou o dom de línguas é uma manifestação do Espírito Santo que faz com que a pessoa, sem saber, fale em outras línguas. Em minha cidade, no interior de São Paulo, há um irmão indouto, sem estudo, e que recebeu o dom de línguas em inglês arcaico – entende-se o que ele fala. Não se trata apenas de sons inteligíveis como alguns pensam. Há de se considerar que, sim, há imitações desse dom, tanto na CCB como em outras denominações e que acabam por o banalizar. Há outras manifestações, como interpretar outras línguas, expulsar demônios, curar enfermidades…, mas a maior manifestação é o amor fraternal e incondicional.
[10] É comum dizermos “ser selado pelo Espírito Santo” para se referenciar a alguém que fala em línguas. Ser selado, entretanto, é algo mais amplo e todo o cristão, todo crente em Deus, é selado (ainda que não fale em línguas).
[11] Como descrevi no texto 21 do blog http://www.tbsoucristao.blogspot.com
[12]Entenda, ninguém merece, nem nunca merecerá, o “céu”. O estado de paz que alcança quem entra no reino de Deus não é por nenhum mérito, mas por graça. É um favor, porque ninguém merecia isso. Cada um de nós somos ruins o suficiente para entrarmos no “céu”, mas somos justificados por Cristo, que é justo e justificador. Nenhum esforço próprio nosso pode nos colocar no “céu” e é por isso que precisamos entender e aceitar que o mérito é de Cristo. Isso não significa que podemos “deitar e rolar” no que é imoral (como desafetos, inimizades, porfias, malignidades e outros frutos do desamor), mas que quando pecarmos teremos um advogado que intercede por nós e ao nosso favor: Cristo. Se dissermos que não pecamos, tornamos Cristo mentiroso – e nos fazemos hipócritas.

Tags: LGBT, lésbica, gays, homossexual, homossexualidade, cristão, crente, CCB

#023: Aos Romanos, aos gays e aos cristãos

Quando escrevi minha primeira carta a um irmão ancião[1] o contexto de Romanos 1 me deixava intrigado. Eu questionava o irmão, às lagrimas, sobre as desvirtudes descritas nesse capítulo da carta de Paulo, tradicionalmente relacionado à homossexualidade, e que eu sabia não fazer parte do meu caráter, embora fosse gay.

De fato, esse ainda parece ser o texto bíblico[2] que mais dá munição tanto aos discursos homofóbicos dos que se dizem cristãos como para a tentação do blá-blá-blá-diabólico que diz: Você sabe que Deus não te ama, e que Deus te despreza, e que você é uma abominação?

Eu nunca poderei dizer a ninguém que Deus tolera uma relação homossexual. Jamais. Igualmente nunca poderei afirmar que Ele não a tolere. Na verdade, os que estão convictos quanto ao posicionamento de Deus em relação à sexualidade natural de suas criaturas, baseiam a aversão à homossexualidade em poucos textos bíblicos: Gênesis 19, Levíticos 1 e 20, Romanos 1. Além desses, há os versos isolados de 1 Coríntios 6:10 e 1 Timóteo 1:10 também utilizados para matar a fé e a alma de homossexuais cristãos.

Contudo, eu apresento outros dois contextos que escapam dos que não querem homossexuais em suas igrejas e, muito menos, no seu céu: Deuteronômio 23:17-18 e 1 Reis 14:24; 15:12; 22:47.

Na versão da Bíblia utilizada na Congregação Cristã no Brasil[3],nos versos citados de Deuteronômio, lemos:

Não trarás salário de rameira dentre as filhas de Israel, nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel, não trarás salário de rameira nem preço de cão à casa do Senhor teu Deus por qualquer voto: porque ambos são igualmente abominação ao Senhor teu Deus.

Rameira é prostituta e sodomita ou cão também deveriam ser entendidos como prostitutos. Não só isso, prostitutos cultuais, como traduzem outras versões da Bíblia[4]. O dinheiro obtido por meio das rameiras ou dos sodomitas não deveria entrar no templo do Senhor. Se sodomita e homossexual são de fato sinônimos, como muitos querem afirmar, gays, não deem coletas!

Exagero à parte, convido a ler o contexto que mencionei de 1 Reis 14. Note que no verso 23  desse capítulo descreve-se a idolatria de Israel (altos, estátuas e imagens do bosque) e, ainda, que haviam rapazes escandalosos na terra. Esse termo – rapazes escandalosos –, por um descuido dos homofóbicos de língua portuguesa[5], não foi traduzido como sodomitas – poderia ser mais um verso para decorarem e matarem os gays com suas duras palavras –, entretanto tem o mesmo sentido de Deuteronômio 23: prostitutos cultuais[6]. O contexto de 1 Reis pode ajudar a perceber essa relação entre sexo e idolatria, o sexo dos cultos pagãos proibido em Deuteronômio 23 e praticado pelos povos anteriores a Moisés, como o escriba de 1 Reis 14 relata: “[havia idolatria em Israel, inclusive o sexo cultual] conforme a todas as abominações das nações que o Senhor tinha expulsado de diante de Israel”.

Em Romanos, o texto utilizado para condenar os homossexuais está concentrado[7] a partir do verso 18 do capítulo 1. Peço que releia o capítulo 1 e 2 de Romanos antes de seguir com a leitura deste meu texto.

Note que o contexto de tal epístola trata da idolatria e depravação daqueles que tendo conhecido a Deus não o glorificaram como Deus, tão pouco Lhe deram graças e, ainda, mudaram a glória de Deus reduzindo-O à semelhança da imagem de homem terreno ou de aves e outros animais. Alguns romanos crentes (eles conheceram a glória de Deus!) retornaram ao ritual pagão, servindo mais à criatura e à mentira e mitologias do que ao Deus da verdade e justiça.  Deus, que já havia se revelado a eles, não os impediu que retornassem à mentira, ao sexo cultual[8].

Os versos 25 e 27 parecem fazer menção a homens e mulheres heterossexuais que perverteram sua natureza, deixando o uso natural[9] que tinham (a mulher do homem, e vice-versa) para se inflamar em sua sensualidade.

Observe que o verso 28 afirma que essas pessoas não se importaram em ter conhecimento de Deus. Praticavam toda sorte de sexo – inclusive aquele que não lhes era natural , isto é, com pessoas de mesmo sexo – e pouco se importavam com a moralidade cristã, com o sexo por afeto, com respeito e dentro de uma relação emocionalmente saudável. Eles promoviam orgias em louvor aos deuses pagãos ou para alimentar a sua própria perversidade, a ponto de mudar sua natureza heterossexual no culto à carnalidade.

Na sequência, Paulo descreve também o caráter dessas pessoas e demonstra o quanto romperam com a doutrina cristã – o amor fraternal, ao qual devem ter se sujeitado em algum momento –, pois não se importaram com ela, já que não se importaram em conhecer o Deus da verdade e de amor e chegaram ao ponto de se tornarem homicidas, infiéis, cheios de contenda e de maldade, inventores de males e, destaco, sem afeição natural, irreconciliáveis e sem misericórdia.

Romanos 1 nos adverte que dos céus se manifesta a ira de Deus sobre qualquer impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Ora, se sufocar o desejo de servir a Deus e a fé de um gay cristão for um ato de piedade dos que se dizem cristãos, e se dizer que um gay não pode ser cristão não for uma deturpação da suprema verdade – que é: Cristo salva e ama a todos que se achegam a ele – em injustiça, precisaremos redefinir o significado que atribuímos à longanimidade, à benignidade, à afeição fraternal, à misericórdia e a todos os demais frutos do Espírito.

Pode ser que não estejamos voltados à idolatria ao ponto de construir estátuas ou altos do bosque, porém se a imagem que construímos de Deus é a do Deus que não salva ou não ama o gay abatido que vive O buscando, chorando e implorando por uma “cura” inalcançável, ou a do Deus que ouve a oração desses homossexuais que tanto já desejaram ser cristãos livres dessa “abominação” e não os “cura”, ou a do Deus que, podendo, não os livra desse “espírito diabólico”, creio que estamos reduzindo o Deus verdadeiro à imagem do homem corruptível, sem afeição e sem misericórdia, assim como os romanos o fizeram.

Não, não é o Deus da verdade que não ama o homossexual!

Se há algum deus que não ama o homossexual é justamente esse deus construído segundo a imagem preconceituosa dos homens que converteram a verdade em injustiça.

Aos gays cristãos recomendo que se revistam de justiça e de piedade, virtudes divinas, e que vivam de fé em fé crescendo no conhecimento de Deus que os livra da insanidade dos homens que se julgam sábios, mas que se tornaram loucos.

Se de fato há gay cristão, se de fato você se diz cristão, seja justo e piedoso e não perverta o amor incondicional de Deus, sua maior verdade – Cristo –, em injustiça, porque está escrito: Mas o justo viverá da fé.

[1] Texto 2 di blog

[2] Eu já escrevi de maneira superficial o quanto Levíticos não deveria ser posto em prática na atualidade (Texto 15 do meu blog) e como Sodoma e Gomorra não foram destruídas por causa da homossexualidade (Texto 12 do meu blog). Porém alguns entram em contato e me questionam sobre Romanos 1.

[3] João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida na grafia simplificada

[4] Nova Versão Internacional: Nenhum israelita, homem ou mulher, poderá tornar-se prostituto cultual, não tragam ao santuário do Senhor, o seu Deus, os ganhos de uma prostituta ou de um prostituto…
Nova Tradução na Linguagem de Hoje: Nenhum israelita, mulher ou homem, praticará a prostituição nos templos pagãos…

Tradução Brasileira: Das filhas de Israel não haverá quem se prostitua no serviço do templo, nem dos filhos de Israel haverá quem o faça. Não trará … o aluguel de uma prostituta ou o preço desse cão…

[5] Na versão inglesa King James lê-se sodomites, e na versão da Tradução Brasileira, sodomitas.

[6] As versões da Nova Versão Internacional e da Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduzem “rapazes escandalosos” como “prostitutos cultuais”.

[7] Originalmente a Bíblia não era dividida em versos ou capítulos, ou trechos com subtítulos como temos hoje. O livro de Romanos, por exemplo, é uma carta que deveria ser lida do começo ao fim, como um texto único. Também é importante saber que os títulos dados às seções, que dividem um capítulo, não constam no original e foram elaborados segundo o entendimento de quem leu aquele trecho (há, inclusive, títulos incoerentes como o de Lucas 13:10 que diz “Cura da mulher paralítica” que, na verdade, apenas andava encurvada como explica o texto bíblico). Na Congregação há o ensinamento dado ao Ministério de que não seja lido apenas um verso para exortar a Palavra, mas sim todo um capítulo, afinal, texto fora de contexto é pretexto. No subtítulo de Romanos 1:18 lê-se “a deturpação dos gentios”, porém pelo contexto pode-se compreender que se trata da deturpação daqueles que uma vez foram cristãos e se voltaram às práticas pagãs.

[8] Não sou historiador, mas relembro vagamente das aulas de História e da referência ao sexo nos cultos pagãos da mitologia greco-romana. Salvo engano, entre outros, os deuses Baco e Afrodite podem ilustrar as orgias pagãs. O termo bacanal, por exemplo, surgiu dos rituais ao deus Baco.

[9] Se esse “uso natural” se referir ao sexo para procriação, é preciso reorientar muitos casais heterossexuais cristãos quanto à prática do coito anal dentro do seu legítimo casamento heterossexual. Eu não imaginava essa prática entre casais heterossexuais, contudo, ultimamente tenho ouvido diversos relatos havendo inclusive alguns cristãos tradicionais que o consideram como natural (apenas entre o homem e a mulher, já que lhes convém!). Se o “uso natural” se referir ao sexo original, para procriação, é necessário esclarecer aos casais héteros que a boca naturalmente é um órgão do sistema digestivo e, por isso, o sexo oral também não é natural. Eu não conseguia dar crédito a relatos que que diziam que heterossexuais se “aproveitam” da situação fragilizada de alguns jovens homossexuais e mantêm alguma relação com esses, porém os relatos são tão recorrentes que, talvez, seja a essa perversão da natureza (um heterossexual buscar prazer com alguém do mesmo sexo) que a Palavra condene, já que é um sexo por diversão ou por curiosidade e que, na maioria das vezes, o apenas o homossexual é escrachado após a relação. Ainda, é preciso considerar que é uma brutalidade um homossexual ser orientado a reverter sua natureza homossexual. Se eu sendo gay mantiver uma relação de “fachada” apenas para me enquadrar na heteronormatividade eu não estaria indo contra a minha natureza? Em se tratando de sexo, qual é o “uso natural” para um homossexual? A moralidade não deveria, jamais, tornar-se hipocrisia. Eu também sou cristão, sim.

#022: Meu filho cristão é gay, e agora?

Embora eu não me lembre muito bem dos discursos que ouvi na CCB durante minha infância, quanto à homossexualidade, eu aprendi desde cedo que ser gay era errado, pois naquela época (a saudosa década de 90) menino usar brinco ou não jogar futebol, por exemplo, eram motivos suficientes de deboche:

– Viadinho, bichinha – diziam para os meninos que estavam fora do padrão hétero-machista.

Eu levei vinte e oito anos para começar a aceitar minha homossexualidade, para me aceitar. Quando era mais jovem, até meus 12 ou 13 anos talvez, eu tinha uma relação muito próxima e forte com minha irmã e mãe, erámos bons amigos.

Quando entendi que eu era gay e por ver, na rua e na escola, as crianças sofrerem tanto com aquelas chacotas, apenas por serem diferentes, eu temi e me escondi. Reprimi-me para não ter trejeitos, tornei-me quieto para que minha voz não me denunciasse, afastei-me cada vez mais daqueles que eu amava (embora fisicamente perto, emocionalmente eu estava distante). Eu me isolei e ninguém mais sabia quem eu era. Conheciam-me apenas pelo exterior ao ponto de eu parecer “o moço certo” para qualquer “boa moça” da igreja: tive “sucesso” em me reprimir!

Minha irmã me disse, certa vez:

– Depois que você foi morar fora por causa da faculdade, ficou muito quieto!

Ela não sabia que o real motivo era eu estar me reprimindo e sufocando demasiadamente meus sentimentos e emoções. Eu não poderia demonstrar afetividade excessiva, pois inconscientemente eu acreditava que evidenciaria, também, a minha homoafetividade.

Hoje, pela grande misericórdia de Deus, vejo-me cada dia mais perto e mais aberto com minha mãe e irmã. Contudo, sei de algumas histórias de pais e filhos, cristãos, que têm conflitos tão grandes, que travam uma guerra tão desnecessária, ferindo-se mutuamente, apenas porque os filhos são gays.

Pais, não é essa a luta que vocês têm que travar. Não é lutando e desprezando o sentimento diferente de seus filhos, gays cristãos, que vocês os “ganharão para Cristo”. Não é com ódio, rancor, ira, peleja ou quaisquer outras coisas semelhantes a essas que vocês conseguirão colocar no reino dos céus o filho gay que têm.

Eu imagino o quanto deve ser difícil para vocês aceitarem um filho gay e, mais ainda, aceitarem um filho gay que têm relações homoafetivas, afinal, pais e filhos aprendem que isso é errado, pecado e, ainda pior, abominação.

Pais, orem e vigiem por que o fim vem, mas sobretudo tenham ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá uma multidão de pecados (1 Pedro 4:7-8). Se, de fato a homossexualidade ou sua prática são pecados, amem seus filhos e sejam caridosos com eles, pois, assim, quem sabe Deus poderá lhes converter como vocês tanto desejam.

Eu sei que vocês, pais, padecem e sofrem quando têm um filho gay. Sofram por amor a Deus, sim, mas façam isso fazendo o bem (1 Pedro 4:19). Se vocês têm um filho gay e, por amor a Deus, sofrem, oram e jejuam, fazem votos e se privam de tantas coisas em consagração para que Deus os livre “desse mal”, vocês perderão qualquer galardão se fizerem mal ao filho gay que têm, se o colocarem para fora de casa, ou se lhe privar de amor e carinho paternais.

Pais, vocês poderão dizer coisas semelhantes a essas a seus filhos gays:

– Não vou ter comunhão com essa má obra. (Efésios 5:11);

– Não vou aprovar o que é desagradável a Deus. (Efésios 5:10); ou

– Não serei companheiro dos filhos da desobediência. (Efésios 5:7).

Alguém também poderá tentar convencer vocês a não amarem seus filhos gays citando muitos versos da Bíblia que, ironicamente, é a fonte de amor supremo. Pais, ninguém vos engane com palavras vãs porque é sobre estes que vem a ira de Deus (Efésios 5:6). Lembrem-se de que aquele que corrompe ou que torna incompreensível a Palavra de Deus – o amor incondicional chamado Cristo – não deve ser ouvido por vocês.

Pais, tomem cuidado para que da boca de vocês saia apenas o que for bom e de edificação aos seus filhos gays, cristãos ou não, e que ouvem vocês. Jamais entristeçam o Espírito Santo de Deus e, por isso, toda a amargura, ira, cólera, gritaria, blasfêmias ou malícia não estejam na relação de vocês com seus filhos, pois os cristãos devem ser benignos e misericordiosos uns para com os outros, perdoando como Deus perdoou a cada um em Cristo (Efésios 4:29-32).

É importante que os filhos gays honrem seus pais, amando-os. Certamente! E vocês, pais, não devem provocar a ira dos seus filhos, mas criá-los na doutrina e na admoestação do Senhor (Efésios 6:1-4).

Ora se a doutrina do Senhor não se tratar de amor incondicional, se ela não se tratar de tolerância para com os “fracos”, se a admoestação não for com benignidade, bondade e afeição, não, não poderemos dizer, pais, que vocês são cristãos, porque o fruto do Espírito está em toda bondade, justiça e verdade (Efésios 5:9).

Pais, se de fato é a homossexualidade um pecado, vocês, que são espirituais, devem encaminhar o filho gay que têm com espírito de mansidão, olhando para vocês mesmos a fim de que vocês não deixem de ser cristãos. Além do mais, levem a carga de seus filhos e cumpram a lei de Cristo, amando-os incondicionalmente (Gálatas 6:1-2).

#021: Gays e anjos

Eu fui batizado aos 12 anos. Batizei-me, pois senti a virtude pela primeira vez e não resisti. Sentia que eu precisava me batizar, pedi como sinal um hino que não tocou antes do batismo, mas tão logo saí das águas.
Não muito tempo depois, poucos meses, eu voltava da igreja a pé com minha mãe e uma dúvida enorme, um medo e pavor de ser condenado – por pensar que eu poderia não permanecer na fé devido aos meus sentimentos – me assombravam. O culto havia sido maravilhoso, mas eu não tinha certeza da minha salvação. Como criança que eu ainda era, pedi um sinal. Com o pensamento em Deus eu meditei: “Se eu serei salvo, se Tu me ama, permita que ainda esta noite eu veja um cometa“. Ao mesmo tempo que pensava eu me propunha ficar a noite acordado olhando para as estrelas a fim de ver se receberia esse sinal, se eu veria algum cometa. Porém, instantaneamente avistei o risco de um no céu. Eu contive a alegria.
Infelizmente a gente não fica criança a vida toda e as lutas vão se transformando. Aceitei-me gay, gay cristão. Fiz o blog, comuniquei-me com outros moços e moças LGBTs. Tentei ajudar alguns a se entenderem e a me entender também. E novamente uma dúvida me amedrontava: estaria indo contra os preceitos de Deus?
Com esse medo, e pensando em recuar com tudo o que eu já havia feito, em janeiro de 2018 pedi um sinal. Havia perdido minha carteira na segunda-feira no final da tarde, em São Paulo, numa rua movimentada e cheia de andarilhos e, na manhã da terça-feira seguinte eu senti a falta dela. Voltando ao mercado (onde eu a havia usado pela última vez) pedi: “Senhor, sei que não mereço e que sou indigno de pedir qualquer coisa, mas se eu de fato não estou lutando contra sua Obra, permita que eu encontre essa carteira antes de entrar no serviço”. Não a achei. Fui para a empresa e, ao entrar na recepção o telefone tocou e era alguém me procurando: haviam encontrado minha carteira e queriam devolvê-la. Um homem, com roupa surrada, uma enorme mochila nas costas veio trazê-la a mim, na porta da empresa, tendo a encontrado cerca de 2 km dali. “Deus é comigo!”, entendi.
Que fraco que sou. Poucos dias depois eu desfaleci nessa fé. Em fevereiro eu conversava com uma moça lésbica da CCB e lhe dava alguns conselhos. Mas os conselhos que eu havia dado não eram bem aqueles que ela ouviria na igreja. Eu me atribulei por isso e pensei: como é que eu posso estar indo tão contra o discurso que eu aprendi ser o certo?
Eu não lhe dizia que ela poderia se relacionar como e com quem bem quisesse, mas afirmava que Deus a amava como ela era, e que não precisaria mudar seus sentimentos para ser aceita.
Eu também estava querendo namorar, o que seria uma ruptura muito grande em minha vida, pois se quer era assumido.
Ela e eu, segundo tudo o que aprendi em quase 30 anos, deveríamos mudar nossas vidas, nossas atitudes, nossas opções sentimentais (como se fosse possível). Deveríamos mudar para estarmos no padrão que, dizem, Deus determinou.
Realmente fiquei bastante preocupado com o que eu havia dito e pensei, não muito refletidamente, que deveria parar com todo esse discurso que vai de encontro com o que eu aprendi na igreja: Será que eu realmente deveria me enquadrar, deveria rejeitar meus sentimentos?
Fui aonde eu deveria ir (já com duas semanas de atraso) e, ao sair daquele estabelecimento, um homem no portão, com roupa surrada e sem olhar para mim, assim que fiquei de costas a ele, disse-me: Você é evangélico, né?
Se ele tivesse falado qualquer outra coisa eu não teria dado muita atenção, talvez lhe desse alguma moeda, no máximo (embora eu não tivesse nenhuma). Mas, por um instante eu pensei em toda minha vida cristã e não soube responder, a mim mesmo, aquela pergunta tão difícil.
Não tinha certeza se eu era “evangélico”, eu não me sentia enquadrado em nenhuma igreja. Sinto-me bem e tenho apreço pela Congregação. Contudo, eu não sabia dizer se era “evangélico” ou não, porque me sentia diferente, já que tantas vezes ouvi dizer “gay é abominação”. 
Timidamente, respondi: Sim. 
E, então, ele pediu que eu lhe fizesse uma oração, ao que perguntei sem entender: Aqui?
Confesso que se ele me pedisse que fosse ali eu faria a oração, sim. Ele, no entanto, disse coisas que me fizeram chorar, que me emocionaram: “Você é da Congregação, né? Estou aqui em São Paulo há 14 dias e hoje vim aqui, nesse portão, nem sei o que é aqui. Já era para você ter vindo aqui bem antes, né? Mas você não sabe porque deixou para vir apenas hoje! Você tem um brilho diferente. Não muda. Não muda!”.
Eu não acredito muito que ele fosse um anjo celestial, mas todas as circunstâncias me fazem crer que, sim, ele foi um anjo, um mensageiro de Deus. E a mensagem que ele me trouxe foi: Não mude.
Ele disse isso quando qualquer pessoa cristã tradicional, a quem eu expusesse minha vida, minha sexualidade, me diria: “muda, se prive” ou “volte atrás e pare com tudo isso, fique quieto em seu canto que quem sabe Deus terá misericórdia de você!” etc.
Contudo, “Deus é comigo!”, eu entendi.
Eu ainda não tenho respostas, mas creio nos sinais, nas pequenas coisas que Deus faz e move para me fazer saber que sou por aceito Ele e que tudo está sob as ordens dele.
Preciso, entretanto, lembrar-me que não devo mudar, jamais, pois devo amar a Deus e a todas as pessoas, sentimento e virtude que senti naquele dia ao ser abraçado por aquele anjo.
— 
Leia também o texto 4: Um anjo de Deus em minha vida
https://tbsoucristao.blogspot.com.br/2017/06/um-anjo-de-deus-em-minha-vida.html


#020: Gays cristãos estão sozinhos?

Devido a correria no trabalho e a tantas coisas que ocorreram não consigo escrever um texto novo há um tempo. Eu já não tenho me questionado tanto, já não penso em como será meu futuro, já não duvido se sou aceito por Deus. Estou em paz embora há sempre as tribulações corriqueiras.
Desde minha vinda para São Paulo – no dia 7 de setembro do ano passado em que, finalmente, conheci pessoalmente o primeiro moço gay da CCB, e depois com a minha mudança para esta capital – eu não percebi o quão grato eu devo ser! Não, eu não havia percebido que já não estou sozinho nessa caminhada e que tenho feito tantas boas amizades e conhecido pessoas maravilhosas, moços e moças que frequentam a CCB, que têm fé em Deus, e que são gays.
Eu já escrevi um texto sobre meus amigos cristãos. Agora posso escrever um sobre meus amigos gays cristãos.
Eu morei por 11 anos numa cidade do interior de São Paulo, a estudo e trabalho. Desse tempo, relembro de vários moços da CCB e que, cedo ou tarde, soube que eram gays. Na época eu não pude os ajudar porque nem eu mesmo me entendia. Todos eles já não congregam e acredito que, infelizmente, alguns já não creem em Deus.
Gostaria imensamente de escrever um texto trazendo boas novas e noticiar que fomos finalmente mais compreendidos pelos irmãos e aceitos por eles, ou anunciar que não mais ouviremos discursos de ódio e de preconceito dissimulados nos discursos de zelo que saem dos púlpitos – deliberada ou inconsciente e irrefletidamente – e que muito nos ferem. Ou, mais ousadamente, dizer que sim, podemos ter uma relação homoafetiva, nos casar com alguém que amamos completamente e que isso é de fato aceito por Deus – eu não tenho legitimidade para dizer isso, embora creio muito que sim, por tantos sinais que de Deus já recebi.
Mas eu tenho uma boa notícia: nós não estamos sozinhos.
Por muito tempo eu pensava comigo: não vejo ninguém dentro da CCB na mesma condição que a minha, estou sozinho e sofrerei com isso.
Hoje, porém, gostaria que cada moço e moça que se sente desprezado por sua condição homossexual, que cada jovem gay cristão que está iniciando sua puberdade e que será tão turbulenta, gostaria que cada lágrima de solidão suas fossem enxugadas, pois não estamos sozinhos e há pessoas que zelam e oram por nós. E não só isso, gostaria que soubessem que há muitas pessoas nas mesmas condições que a nossa e que podem nos abraçar fraternalmente.
Eu iniciei os textos do blog porque eram meu único escape, era a única forma de não me sentir sozinho. E hoje – após congregar com um amigo gay, ouvir uma Palavra sublime de amor, perdão, piedade e misericórdia divinos – eu finalmente percebi que não estou sozinho e isso é maravilhoso.
Ontem também conheci duas pessoas fantásticas, um moço e moça gays da CCB e que me inspiraram ainda mais. Tanto eles como a Palavra de hoje me fizeram perceber que tudo passa. A nossa solidão e tribulação vai passar. É uma luta, existem momentos de desespero, de incompreensão, mas posso dizer que hoje – quando olho a minha caminhada e relembro o quanto já chorei – percebo o quanto me sinto feliz e abraçado por Deus e por bons amigos!
Eu não posso retornar ao passado para abraçar aqueles jovens gays e evitar que eles se percam na fé. Eu espero reencontrá-los e poder dizer-lhes: voltem a confiar em Deus, porque ele nos ama, sim. Porém eu posso dizer a cada jovem: vai passar e tudo vai ficar bem. E também isso: você não está sozinho.
De alguma maneira ou de outra, do modo que nós sonhamos ou não, tudo vai ficar bem, porque não somos únicos, não estamos sozinhos, há laços de fraternidade cristã que nos unem e Deus está ao nosso lado.
Eu agradeço a Deus pelas pessoas que tem colocado em meu caminho, moços e moças gays cristãos, por me mostrar que não estou sozinho e por ter me concedido paz com Ele.
Não se sintam sozinhos, porque vocês são fortes e já venceram o maligno. Vocês são fortes e já venceram todo o desprezo e, em breves momentos, sentirão isso e viverão em paz. Busquem a Deus, porque ele é amor, misericórdia e piedade e nos amou na cruz assim, como somos.
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Tags: Gay, CCB, Congregação Cristã no Brasil, LGBT, cristão, homossexual